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Festa na Escola Técnica Federal. Alunos mostram a escola aos visitantes. Minha guia exibe as oficinas mecânicas onde está terminando seu curso de máquinas e motores. Pergunto o que vai fazer ao se formar: Direito. Se isso fosse um caso isolado, seria mais um trunfo para essas escolas, mostrando a flexibilidade dos seus graduados. Mas, infelizmente, desde minhas pesquisas no início dos anos 70, verifica-se que pelo menos dois terços dos graduados das escolas técnicas vão para o ensino superior. São escolas caríssimas, próximo de 5.000 reais por aluno, oferecendo um esplêndido ensino de 2º grau. Todos entenderam isso e competem para entrar, sobretudo porque é de graça. Cria-se o "vestibulinho", com mais de dez candidatos por vaga. Claro, só entram os melhores, em geral, os mesmos que poderiam pagar uma escola privada e que, mais adiante, entram nas universidades públicas mais competitivas. Ficam as indústrias sem os técnicos de que precisam para ser competitivas e ficam a ver navios os alunos mais modestos, interessados nas ocupações técnicas oferecidas. É o pior dos mundos. Como na proverbial piada do marido traído, a solução aqui é também tirar o sofá. É só separar a parte técnica da acadêmica, como acaba de fazer o MEC. Quem quiser só a escola acadêmica vai para um lado. Quem quiser a técnica vai para o outro. Assim, os alunos mais modestos que aspiram a uma educação técnica mais prática terão chances de entrar no ramo técnico, cujas oficinas e laboratórios estão hoje locupletados por alunos que nenhum interesse têm pelos ofícios ensinados. Propus essa solução faz dez
anos. Mas não havia então clima para se levar essas coisas a sério.
Na verdade, não é uma solução muito original, já que na maioria
dos sistemas educativos maduros o ensino técnico tende a ser empurrado
para cima, virando um curso pós-secundário de curta duração. E,
como para entrar no ramo técnico se exige diploma de 2º grau O pedaço da escola técnica que
contém o ensino médio acadêmico pode ter diferentes destinos. Em
algumas escolas, poderá ser reduzido de tamanho, ou mesmo eliminado.
Afinal, é muito gasto para uma clientela muito elitizada. Mas essa
mudança pegou um peixe maior, que são os cursos de contabilidade,
secretariado e outros, embutidos nas escolas públicas. A sacudidela
é mais do que bem-vinda. Esses tendem a ser cursos obsoletos e de
status baixo, embora alguns consigam profissionalizar Algumas carreiras são intrinsecamente mais complexas e se encaixam bem como programas oferecidos após o secundário ou paralelamente ao último ano do ensino médio. Outras são mais simples e mais curtas e podem ser encaixadas dentro daquelas disciplinas que se pensa deixar livre para a escola acadêmica decidir o que oferecer. Infelizmente, o MEC propõe 25% de flexibilidade em vez de 33%, que seria mais razoável, por corresponder a um ano inteiro que poderia ser cursado em uma escola profissional. Essas mudanças, naturalmente, dizem respeito ao ensino profissional, isto é, aquele que busca preparar os graduados para profissões concretas e sintonizadas com o mercado de trabalho. Nada fica dito ou resolvido sobre o ensino médio, cujo conteúdo é muito mais difícil definir. O mesmo curso para todos? Que disciplinas obrigatórias? Como fazer o curso mais prático e com algum sabor profissional? Essa é uma discussão que ora se abre e não pode ser confundida com os assuntos deste ensaio.
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