Elas chegaram na frente

As cinqüenta melhores escolas da cidade têm
uma coisa em comum: a qualidade dos professores

Ariel Kostman

 
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A grande novidade da pesquisa Veja São Paulo-Ipsos Marplan é comprovar uma tese bastante simples: o que faz a diferença entre uma boa escola e uma medíocre são os professores. Apesar da introdução de novas tecnologias e das sofisticadas instalações de vários colégios – que têm desde laboratórios de informática até academias de ginástica –, a razão do sucesso de um projeto pedagógico reside, fundamentalmente, na interação entre professor e aluno dentro da sala de aula. "Um ensino eficiente depende da qualidade das pessoas e do trabalho em equipe", define o físico da USP Luis Carlos de Menezes, consultor do MEC para a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Outra constatação do levantamento: não se constrói uma escola de qualidade da noite para o dia. A mais nova entre as dez primeiras do ranking foi fundada há 23 anos. A mais antiga, há 123. "É preciso que haja uma proposta coerente e contínua, o que exige vários anos de trabalho", afirma a pedagoga Noeli Weffort, da Faculdade de Educação da PUC-SP.

Entre as cinqüenta melhores escolas da cidade, há instituições com os mais variados perfis. Religiosas, laicas, grandes, pequenas, conservadoras, liberais. Algumas se preocupam em engajar as crianças e os adolescentes em trabalhos sociais. Outras dão ênfase ao ensino de idiomas ou proporcionam um vasto leque de atividades esportivas. Existem ainda as que funcionam em regime de período integral, como o Santo Américo, ou semi-integral, caso do Miguel de Cervantes. Tão diferentes entre si, essas cinqüenta escolas têm em comum professores bem remunerados e estáveis, que se reúnem freqüentemente para avaliar e planejar as aulas – e são pagos também por isso. A maior parte deles é contratada em regime de dedicação exclusiva. Muitos ostentam no currículo títulos de mestre ou doutor. Se não bastasse, essa elite de educadores dispõe de uma estrutura adequada que lhe dá sustentação do lado de fora da sala de aula. "É como em um teatro", compara Elisabeth Alcure, diretora do Pueri Domus. "Alguém precisa preparar o cenário para o artista brilhar." O apoio inclui um bom número de coordenadores, cursos para que os professores possam utilizar a informática como instrumento efetivo de aprendizagem e palestras com especialistas para aprimorar métodos pedagógicos. Todos esses itens, em menor ou maior grau, foram encontrados entre os melhores colégios pela pesquisa Veja São Paulo-Ipsos Marplan.

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Em uma disputa bastante acirrada, o campeão foi o Visconde de Porto Seguro (veja reportagem). Conservador, com uma rígida disciplina interna, o colégio criado pela colônia alemã de São Paulo destacou-se em todos os pontos pesquisados, da formação e condições de trabalho dos professores à pedagogia, das instalações à segurança. Obteve uma nota à altura do primeiro da classe: 94,1 dos 100 pontos possíveis. Seus professores estão entre os mais bem remunerados do mercado e contam com um centro pedagógico que os leva a refletir sobre as práticas de ensino adotadas. O resultado confirma o alto conceito que o Porto Seguro já desfruta entre os pais, tanto que é um dos poucos estabelecimentos de ensino que tive-ram um significativo aumento no número de alunos nos últimos anos. A unidade Panamby, inaugurada em 1997 com 328 inscritos, registrou um crescimento de 274% em apenas um ano, chegando a 1 227 matrículas. Hoje, reúne 2 615 estudantes. Somado aos 4 017 alunos da unidade Morumbi, o corpo discente reúne 6 632 crianças e adolescentes. Tais números transformam o colégio no segundo maior de São Paulo, atrás apenas do Objetivo, que possui 8 000 alunos em suas doze unidades espalhadas pela capital.

É importante ressaltar que existem várias escolas tão boas ou quase tão boas quanto o Porto Seguro. A diferença no desempenho das melhores não foi grande. As 26 primeiras da lista alcançaram mais de 70 pontos. No rol das cinqüenta, nenhuma teve pontuação abaixo de 64. Todas essas escolonas exibem um patamar de excelência que as coloca um degrau acima das demais. Ou seja, em qualquer uma delas o aluno poderá receber uma boa formação. "Quando deparamos com resultados como esses, não se pode afirmar que exista muita diferença entre as escolas mais bem classificadas", diz o estatístico José Afonso Mazzon, diretor da Fundação Instituto de Administração da USP. Qual será então a melhor escolha? Diante de tantas possibilidades, ela dependerá menos da classificação final que de determinadas opções dos pais, que podem preferir uma orientação mais ou menos liberal, religiosa ou não, e levar em conta, sobretudo, a localização – algo importantíssimo na hora de decidir onde matricular o filho (veja reportagem) As cinqüenta mais bem colocadas, ao lado da alta qualificação dos professores, mantêm uma grade curricular equilibrada, com uma série de atividades paralelas no campo artístico e esportivo. Elas utilizam diversos instrumentos para a avaliação tanto dos estudantes quanto dos professores e respeitam um limite adequado de alunos por sala, o que permite o acompanhamento personalizado. Finalmente, oferecem laboratórios, quadras e ginásios esportivos, computadores, bibliotecas e outros equipamentos e facilidades para que o corpo docente possa atingir o máximo de eficiência.

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Não é suficiente, porém, que seu filho esteja matriculado em um ótimo colégio e sinta-se feliz lá dentro. Estudar – seja em uma escola de primeira linha, seja em outra mais modesta – exige esforço, disciplina e motivação. Adotado hoje em dia por nove entre dez colégios, o construtivismo prega que a aquisição do conhecimento é um processo que precisa ser elaborado pelo aluno. Segundo essa teoria, cabe ao professor fazer com que o estudante tenha capacidade e espírito crítico para filtrar um volume cada vez maior das informações a que está exposto. Ou seja, o papel da escola é preparar para a vida, e não apenas transmitir conhecimento. Em muitos aspectos, os benefícios só serão visíveis anos depois. "A boa escola é aquela que transforma o aluno", afirma Zilda Toscano, diretora do Colégio Palmares. "O que ele não pode, em hipótese alguma, é sair do mesmo jeito que entrou." Em outras palavras, o colégio não deve fazer média com o aluno e o fato de um professor ser querido pela classe não significa necessariamente que ele seja bom, embora essa empatia constitua um fator importante para criar um clima emocional positivo entre o mestre e o aprendiz.

Além de originar o ranking das melhores, as noventa questões do levantamento Veja São Paulo-Ipsos Marplan permitiram que se produzisse uma radiografia inédita da rede particular de São Paulo. Mais do que amostragem, é quase um recenseamento. Afinal, nos 324 colégios que responderam ao questionário (de um total de 473), estudam 260 987 crianças e jovens, universo equivalente a 69% dos 380 128 alunos que cursam as escolas particulares paulistanas com currículo completo do ensino fundamental e médio. É o que o leitor poderá ver nos flagrantes da pesquisa, apresentados em forma de gráficos e tabelas no decorrer das reportagens desta edição.

 

 

As vencedoras
Ranking elaborado com dados da pesquisa Veja São Paulo-Ipsos Marplan
Visconde de Porto Seguro
94,1
Colégio Santa Cruz
92,1
Colégio Santa Clara
88,8
Colégio Santa Maria
84,7

Escola Nossa Senhora das Graças - Itaim

83,1
Colégio Santo Américo
82,7
Colégio Miguel de Cervantes
81,1
Colégio Dante Alighieri
79,9
Escola Vera Cruz
79,0
10º
Colégio Humboldt
76,9
11º
Colégio Rainha da Paz
76,6
12º
Colégio Rio Branco
76,2
13º
Colégio Palmares
76,1
14º
Colégio I. L. Peretz
76,0
15º
Escola Waldorf Rudolf Steiner
74,6
16º
Colégio Assunção
74,2
17º
Colégio Guilherme Dumont Villares
73,1
18º

Colégio Hebraico Brasil.Renascença

73,0
19º
Escola Nova Lourenço Castanho
72,6
20º
Colégio Objetivo
71,8
21º
Colégio São Domingos
71,5
22º
Colégio Santo Antonio de Lisboa
71,1
23º

Colégio São Vicente de Paulo

71,1
24º
Colégio Iavne
70,2
25º
Colégio São Luís
70,1
26º
Colégio Friburgo
70,0
27º
Colégio Regina Mundi
69,9
28º
Colégio Marista Arquidiocesano
69,8
29º
Colégio Domus Sapientiae
69,7
30º
Colégio Montessori Santa Terezinha
69,6
31º
Colégio Cristo Rei
69,5
32º
Colégio Benjanim Constant
69,4
33º
Escola Experimental Pueri Domus
68,9
34º
Colégio Etapa
68,8
35º
Colégio Nossa Senhora do Rosário
68,7
36º
Colégio Pio XII
68,5
37º
Colégio Nossa Senhora Aparecida
68,4
38º
Colégio Opec
68,3
39º
Colégio da Companhia de Maria
68,2
40º
Escola Móbile
68,1
41º
Colégio Mackenzie
68,0
42º
Colégio Ofélia Fonseca
67,6
43º
Colégio Notre Dame
67,4
44º
Liceu Pasteur
66,3
45º
Externato Nossa Senhora Menina
66,1
46º
Escola Carandá
65,6
47º
Escola Logos
65,5
48º
Escola da Vila
65,4
49º
Colégio Oswald de Andrade/Caravelas
64,9
50º
Colégio Sagrado Coração de Jesus
64,7

 

 

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