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Teatro
Texto
sobre paixão proibida inaugura
nova fase na dramaturgia européia
ma
paixão doentia. Um romance intermediado por uma ambígua
alcoviteira. Serviçais e prostitutas trocando insultos. Escândalo,
amor e morte. Tudo isso faz parte de uma das tramas mais empolgantes
já escritas em castelhano, a Comedia de Calisto y Melibea.
Lançada em 1499, por Fernando de Rojas, um judeu convertido
ao cristianismo, a peça chega agora à segunda edição,
publicada em Sevilha. Fruto de um conflito audacioso entre a sensualidade
desenfreada e a obsessão pela morte, a comédia consegue
expressar de forma brilhante as angústias e desejos que consomem
o espírito humano. Para um país sem dramaturgia como
é o caso da Espanha, trata-se de uma obra-prima, que custará
a ser superada. Calisto y Melibea arrebata pela intrigante Celestina
nome da personagem pela qual o público já se
refere à obra.
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| Celestina:
diálogos saborosos, ingenuidade e cinismo |
Celestina
protagoniza diálogos saborosos, passando de ingênua
a cínica num piscar de olhos. Ela convence a bela Melibea
que é em nome de Deus que quer aproximá-la de Calisto.
E evoca o diabo para que ajude Calisto a conquistar sua musa. Com
perfeito senso de ação dramática, o autor dá
a cada grupo social um tratamento. As cenas onde aparece gente do
povo, como serviçais e prostitutas, seguem o modelo da sátira
popular. Já os diálogos mais elaborados, entre os
personagens-título, parecem buscar inspiração
nas letras clássicas. Calisto, sofrendo por não consumar
sua paixão, seria vítima do tipo de amor tão
bem descrito por Platão. Combinar duas influências
avistando um novo senso moral é o mérito do autor.
Não devem tardar versões em outros idiomas.
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