Política

  • O início dos anos 70 é marcado pelo chamado "milagre econômico" brasileiro. Com empréstimos e investimentos estrangeiros, a economia entra num período de crescimento surpreendente, com a criação de empregos em massa e a manutenção da inflação sob controle. No campo político, porém, o país vive na passagem de década o clímax da intolerância, com censura à imprensa e atos violentos contra a oposição. O presidente general Emílio Garrastazu Médici comanda uma política determinada a exterminar os grupos de esquerda, criando núcleos regionais de repressão vinculados ao Exército e abrigados sob a sigla DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna). Entra em operação ainda a Oban (Operação Bandeirantes), organização paramilitar financiada por empresários e composta por integrantes das Forças Armadas, Polícia Federal e polícias estaduais. Seus objetivos: a prisão, tortura e assassinato dos ativistas de esquerda.

  • Enquanto Carlos Alberto Torres, capitão da seleção levanta a Taça Jules Rimet no México, um outro capitão, Carlos Lamarca, monta guarda no Vale do Ribeira (São Paulo), para articular com jovens esquerdistas uma guerrilha contra o governo Médici e os militares. Lamarca seria morto pela repressão em 1971.

  • Três diplomatas são seqüestrados em 1970. O cônsul japonês Nobuo Okuchi, o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben e o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Os três são devolvidos com vida em troca da libertação de opositores mantidos no cárcere pelo regime militar. Uma vez em liberdade, os ativistas têm de exilar-se no exterior.