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EDIÇÃO
EXTRA: O luxo VEJA, Abril de 1912
As
instalações majestosas do malfadado transatlântico
britânico atraíram diversas
figuras da alta sociedade para sua viagem
inaugural. Houve, entretanto, pouco
tempo para aproveitá-las
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| A Grande Escadaria: símbolo do esplendor do navio, era coberta
por painéis de carvalho entalhados com detalhes renascentistas |
Tão superlativo
quanto o nome ou as dimensões do titânico transatlântico da
White Star Line era o requinte de suas faraônicas instalações,
agora lamentavelmente submersas. Cada detalhe foi constituído para impressionar,
desde a decoração das suítes da primeira classe até
a varanda de treliça de seu restaurante principal. Os operadores também
não economizaram no luxo e nas mordomias dos serviços oferecidos:
banhos turcos, academias, três bibliotecas, salão de jogos, uma quadra
de squash e até mesmo duas orquestras que se revezavam para entreter os
passageiros. Não por coincidência, as distintas características
do navio atraíram para sua viagem inaugural uma extensa lista de célebres
personalidades da society britânica e americana, que desembolsaram
estrepitosas quantias que chegavam a até 4.000 dólares por um tíquete
de primeira classe.
O conceito de um verdadeiro castelo flutuante foi perseguido
à obsessão pela White Star Line e pela Harland & Wolff, de Belfast,
construtora do Titanic. Para fazer frente aos famosos Lusitania e Mauretania,
da Cunard Line, detentora da Fita Azul, outorgada somente aos navios mais rápidos
do planeta, a linha marítima britânica lançou sua tríade
de transatlânticos da classe Olympic, do qual o Titanic era o mais majestoso.
Entretanto, a velocidade e a potência, obsessão destes tempos, foram
preteridas em detrimento do conforto e da grandiloquência. A preocupação
com o bem-estar dos passageiros era tanta que, dos cerca de 890 membros da tripulação,
mais de 500 eram garçons, cozinheiros e artistas em geral.
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| Lazer: academia com modernos equipamentos de ginástica; depois, ida ao banho turco |
Assim, puderam ser incluídos
no navio os diversos atrativos que sobrepujaram todos os concorrentes em matéria
de opulência. Além dos itens de conforto já citados, o maior
destaque ficava com a majestosa Grande Escadaria, construção localizada
entre a primeira e a segunda chaminé, com entrada pelo convés superior.
Medindo 18 metros de altura e cinco de largura, era feita de madeira e representava
todo o esplendor que o Titanic deveria reluzir. Sua superfície era coberta
por painéis de carvalho entalhados com detalhes renascentistas, ao estilo
do mestre Grinling Gibbons. Sobre ela pairava uma belíssima cúpula
de cristal e ferro fundido, com discretos ornamentos - como os que se espalhavam
por toda a Grande Escadaria - homenageando os titãs da mitologia grega.
Lances
do destino - Atraídas pelas novidades, algumas figuras notáveis
do jet-set anglo-saxão compraram suas passagens e embarcaram no Titanic.
Mas pouco puderam aproveitar todas as benesses oferecidas no transatlântico.
Ainda que a maioria dos passageiros da primeira classe tenha sobrevivido (um índice
de 60,5%, o maior entre todas as categorias do navio), alguns desses nobres turistas
pereceram. É o caso do milionário John Jacob Astor IV (sua esposa
Madeleine foi resgatada com vida) e do industrial Benjamin Guggenheim. Outro figurão,
o comerciante Isidor Straus, dono da famosa loja de departamentos americana Macy’s,
também está no rol das vítimas fatais, assim como sua mulher,
Ida. A lista de falecidos inclui ainda o major Archibald Butt, assessor dos presidentes
Theodore Roosevelt e William H. Taft, e Thomas Andrews, construtor de navios da
Harland & Wolff, que, segundo relatos, recusou-se a ocupar seu assento no
bote salva-vidas, procurando ajudar os outros passageiros no momento da tragédia.
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| Um dos impressionantes corredores: espaços para contato social e banhos de sol |
Dentre as personalidades que
escaparam com vida da tragédia estão J. Bruce Ismay, diretor da
White Star Line, Helen Churchill Candee, escritora e socialite, a atriz Dorothy
Gibson, a milionária do Colorado Margaret Brown e sir Cosmo Duff
Gordon e senhora. Mais sorte ainda tiveram o magnata J. P. Morgan - que, por meio
de sua International Mercantile Marine Co., financiou a construção
do Titanic -, o secretário de Estado americano Robert Bacon e o empresário
Milton S. Hershey, da empresa de chocolates homônima. Todos os três
tinham a viagem marcada na primeira classe do transatlântico, mas por um
motivo ou outro precisaram cancelar a reserva. Por lances do destino, tiveram
suas vidas poupadas. |