Especial
VEJA, 20
de novembro de 1889

Obrigado a embarcar
de madrugada, o imperador destronado
navega no Alagoas com a família rumo
ao exílio na Europa
Otto Hees  |
| Tereza Cristina, Isabel, o monarca, Pedro Augusto, o
conde D'Eu (atrás) e os meninos Antônio, Luís e Pedro:
fim |
"Como? Embarcar sem meus filhos
que ainda estão em Petrópolis? Não sigo sem meus filhos",
perguntava e protestava em desespero, quase, aos prantos, a princesa Isabel, 43
anos. Eram 2 horas da madrugada de domingo passado, dia 17. Reinava uma balbúrdia
considerável no salão principal do velho solar do Paço da
Cidade, no Rio de Janeiro. Meia hora antes, o tenente-coronel João Nepomuceno
de Medeiros Mallet havia batido à porta do palácio e mandado acordar
toda a família imperial. Falando em nome do governo provisório;
Mallet queria que o soberano destronado, sua mulher, a imperatriz Tereza Cristina,
sua filha, a princesa Isabel, seu genro, o conde D' Eu, e seus quatro netos embarcassem
para o exílio naquele momento, no meio da madrugada em que caía
um chuvisco frio sobre o Rio de Janeiro. O objetivo declarado dos republicanos
era evitar que, num embarque durante o dia, simpatizantes mais exaltados do novo
regime hostilizassem o monarca e seus familiares. O objetivo real era o oposto
exato: tomar mais difícil que viessem à tona manifestações
de solidariedade a D. Pedro II. Imaginando que poderia haver tumultos no Rio,
Isabel e seu marido, Gastão de Orléans, o conde D' Eu (pronuncia-se
à francesa: "Dê" ), haviam enviado seus três filhos para
Petrópolis na sexta-feira. Péssima idéia.
Mallet deu
garantias à princesa de que um trem especial traria os três garotos
- Pedro de Alcântara, 14 anos, Luís Felipe, 11, e Antônio Pedro,
8 - e guardas especiais seriam colocadas em todas as estações. Nem
por isso Isabel se acalmava: caiu prostrada numa poltrona e lá ficou. Mallet
contava com a simpatia do conde D'Eu, 47 anos, para conseguir que a família
imperial embarcasse de madrugada, antes da chegada dos três meninos. Simpatia
conquistada quando o conde se insinuou junto ao governo provisório para
averiguar como ficaria a situação financeira da família real
e os republicanos lhe prometeram uma doação de 5. 000 contos de
réis. Resolvida a questão dos filhos de Isabel, restava ainda o
mais difícil: convencer o imperador a embarcar. Usar a força para
forçar o sexagenário e pacato monarca a sair do palácio era
recurso que o governo não cogitava.
D. Pedro II levou bastante tempo
para se aprontar e aparecer no salão do palácio. Entre severo e
sereno, entrou na sala vestindo uma bem talhada casaca preta e segurando a infalível
cartola na mão. "O que é isso? Então vou embarcar a
esta hora da noite?", perguntou D. Pedro II ao tenente-coronel, "O governo
pede que embarque antes da madrugada porque assim convém", respondeu Mallet.
O imperador, que padece de diabete há dois anos, voltou então ao
seu estado costumeiro - o que oscila entre o torpor, os lapsos de memória,
a introspeção que o distancia da realidade e uns poucos surtos de
irritação. "Que governo?", perguntou, embora no dia anterior tivesse
até e escrito uma carta acatando a ordem do govemo para que saísse
país. Quando o militar Ihe esclareceu que se tratava do governo republicano,
o monarca fez outra pergunta se nexo: "Deodoro está metido nisso?". Paciente,
Mallet disse que o marechal Deodoro era o chefe do governo provisório.
"Então estão todos malucos", resmungou o soberano, para irritar-se
em seguida: "Não sou negro fugido, não embarco a esta hora".
O
almirante Artur Silveira da Mota, o barão de, Jaceguai, amigo da família
imperial, ainda tentou ajudar Mallet a dobrar o imperador, dizendo que se temiam
manifestações de estudantes. "E quem faz caso de estudantes?", irritou-se
o deposto. Jaceguai ainda tentou adular o imperador, afirmando que todos sabiam
que o monarca zelava pelo sangue do povo, e acabou levando uma bronca. "Tudo isso
é obra da indisciplina do Exército e da Armada, que o senhor bem
sabe e da qual tem alguma culpa", disse-lhe D. Pedro, referindo-se a uma assembléia
que Jaceguai presidira três anos antes, na qual militares se solidarizaram
com oficiais indisciplinados que Deodoro protegia. Desacorçoado o barão
afastou-se para um canto.
Nesse momento, ouviram-se tiros lá fora.
Mallet foi ver o que era e sobe que o major Sólon havia prendido quinze
marinheiros, temendo que estivessem ali para prestar solidariedade ao monarca.
O tenente-coronel voltou ao salão e tudo continuava na mesma, só
que agora com a presença da imperatriz Tereza Cristina, 67 anos. Estavam
todos prontos para partir, mas ninguém se mexia, Mallet pressionou o conde
D' Eu, que se postou ao lado do imperador e foi suavemente encaminhando-o para
fora. "Não embarco a essa hora, não sou negro fugido", repetia D.
Pedro II enquanto andava. Ao passar ao lado da mesa em que, um ano antes, havia
assinado a Lei Áurea, a princesa Isabel deu-se conta da importância
de seu ato libertando os escravos sem conceder indenizações aos
proprietários. "Talvez seja devido a essa lei que estejamos indo para o
estrangeiro, mas se as coisas fossem repostas, não hesitaria em assiná-Ia
novamente", disse a princesa, apontando para a mesa na qual havia mandado gravar
no mármore a data de 13 de maio de 1888.
No Largo do Paço,
os soldados apresentaram armas e o imperador respondeu erguendo a cartola. O palácio
fica a poucos metros do Cais Pharoux, mas Mallet havia providenciado uma carruagem
para transportar os passageiros. "Não preciso de carro, quero ir até
o cais com Jaceguai e Mallet", disse o conde D'Eu. O imperador insistiu tanto
que seu genro acabou entrando na carruagem também, onde se acomodavam a
imperatriz, Isabel e Pedro Augusto, 23 anos, o neto mais velho do monarca, filho
de sua filha mais moça, Leopoldina, falecida em 1871. "Os senhores hão
de arrepender-se", disse ainda Isabel para Mallet. No cais, entraram todos numa
lancha do Arsenal de Guerra, guardada apenas por quatro cadetes. Como a decisão
de embarcar os Orléans e Bragança para o exílio fora tomada
às pressas, ainda estava ao largo e despreparado para uma longa viagem
o vapor mercante escolhido para levá-Ios à Europa. Da lancha, a
família teve de ser encaminhada ao cruzador Parnaíba, onde
aguardariam a chegada dos três filhos da princesa e só então
navegariam para a Ilha Grande, para embarcar no Alagoas.
Foi um custo,
na noite escura e chuvosa, encontrar o Parnaíba. Mais difícil
ainda foi fazer D. Pedro II passar da lancha para o cruzador. Com o mar agitado,
uma escuridão tenebrosa e uma precária escada ligando os dois barcos,
Mallet e o conde Mota Maia, médico particular do imperador, tentavam empurrar
D. Pedro II da lancha para o Parnaíba. De cima, alguém lhe
dava a mão para puxá-Io, mas o imperador, de 63 anos, fraquejava
e oscilava. Horrorizado, Mallet contemplou a hipótese de D. Pedro II cair
no mar e julgou que seria praticamente impossível salvá-Io. O tenente-coronel
contou depois que se o soberano caísse pularia no mar e só sairia
com ele salvo. Preferia morrer a ser acusado de ter afogado o monarca. Mallet
pediu que um cadete o empurrasse enquanto ele empurrava D. Pedro. Com o impulso,
finalmente deu-se o embarque imperial.
O imperador permaneceu no tombadilho
até as 10 horas da manhã, sentado sob uma lona que fora estendida
para protegê-Io do chuvisco, até que seus três netos chegassem.
Ao meio-dia, o Parnaíba começou a movimentar-se rumo à
Ilha Grande. Foi uma viagem lúgubre, com os passageiros pálidos
e soturnos. "Mas o que fizemos para ser tratados como criminosos?", perguntava
a imperatriz Tereza Cristina ao embaixador da Áustria no Brasil, conde
de Weisersheimb, que acompanhou a família real no cruzador para se despedir.
"Não pense muito mal de meu país", afirmou Isabel ao austríaco.
"Eles estão agindo como num acesso de loucura." Meio alheio aos acontecimentos,
o imperador era o único que não demonstrava nenhuma emoção.
"O meu maior desejo é ter noticia na Europa de que tudo se passou sem derramamento
de sangue", afirmou ele ao despedir-se do comandante do Parnaíba
para embarcar no Alagoas. Afora a família real, seguiram juntos
no vapor - por amizade, e não por imposição republicana -
o barão e a baronesa de Loreto, o conde Mora Maia, o barão e a baronesa
de Muritiba e o engenheiro abolicionista André Rebuças, com quem
o imperador se deleitava em conversar.
No Alagoas, o início
de viagem foi relativamente calmo. D. Pedro II conversava com José Maria
Pessoa, comandante do navio, tentava reconhecer os pontos da costa e raramente
se referia à Proclamação da República. Recusou a oferta
do comandante para que se alojasse no seu camarote, no convés, por recear
o frio que iria encontrar no Hemisfério Norte, ligaram-se então
dois camarotes de um andar abaixo e nele o soberano se alojou. O conde D'Eu e
seu filho mais velho ficaram com os aposentos do capitão. O monarca continuava
compondo seus dois sonetos todos os dias, que lhe eram lidos em voz alta pelo
conde Mota Maia. O imperador só reclamava da lentidão da viagem,
provocada pelo Riachuelo, o barco que o governo provisório escolhera
para escoltar o Alagoas. Quando os dois navios chegaram à altura
da Bahia, o Riachuelo, deixou de escoltar o Alagoas. A única
fonte de preocupação a bordo era o péssimo estado mental
de D. Pedro Augusto, o neto predileto do imperador. Nervoso, o rapaz ofendeu e
chegou a tentar estrangular o comandante Pessoa, além de padecer de insônia
e delírios persecutórios.
Ao passar ao largo da Ilha de Fernando
de Noronha, o último pedaço de terra brasileira avistado pelos passageiros,
D. Pedro de Alcântara, o príncipe do Grão-Pará, de
14 anos, teve uma idéia. "Vamos soltar um pombo!", proclamou. Todos toparam.
O imperador pegou um papel, escreveu "Saudades do Brasil", todos assinaram embaixo,
e a mensagem foi amarrada num pombo para que ele a levasse até Fernando
de Noronha. Esqueceram-se, no entanto, de que todas as aves, levadas a bordo para
serem servidas nas refeições, tinham suas asas cortadas. O pobre
pombo foi impelido por uma rajada de vento, mas logo caiu no mar, afogando-se
com a mensagem "Saudades do Brasil" ante os olhos consternados dos Orléans
e Bragança.
Durante a viagem, numa das poucas vezes que deixou de
lado suas leituras de revistas científicas e compêndios de História
para falar das circunstâncias em que foi apeado do poder, D. Pedro II disse
coisas estranhas. "Se eu soubesse que as coisas tinham tamanha gravidade, teria
me retirado para Minas Gerais", afirmou, referindo-se à sexta-feira, dia
15, quando ainda estava em Petrópolis.
É difícil acreditar
nessa vontade de resistir, anunciada depois que os fatos estavam definidos. No
calor da hora, apesar de informado, o monarca demonstrou não só
que não tinha a mínima vontade de resistir como uma letargia inconcebível
para entender o que estava passando e reagir. Na manhã de sexta-feira,
ele recebeu o primeiro telegrama de Ouro Preto, informando da sublevação
em São Cristóvão, e não fez absolutamente nada. Sequer
o mostrou ao conde Mota Maia ou ao conde Aljezur, seu camarista, com os quais
tomou ducha e passou toda a manhã, só depois do almoço, ao
receber o segundo telegrama de Ouro Preto, contando que o ministério havia
sido deposto, que D. Pedro II mandou preparar um trem especial para descer de
Petrópolis para o Rio. "0 imperador veio lendo jornais e revistas científicas,
declarando que tudo se arranjaria bem", conta Mota Maia.
Enquanto isso,
no Rio, o conde e a condessa D'Eu, instalados no Palácio das Laranjeiras,
estavam totalmente intranqüilos Por volta das 10 horas da manhã, chegarão
o barão de Ivinheíma e o visconde da Penha. "Estavam com ares esbaforidos",
lembra o conde D'Eu. Os nobres anunciaram a revolta militar e o rumor de que o
ministro da Marinha, o barão de Ladário, estava morto ou ferido.
A partir daí chegaram dezenas de pessoas, até que o alferes Ismael
Falcão contou que Deodoro e Quintino Bocaiúva estavam na frente
do Quartel-General do Exército liderando os sublevados. "Nesse caso, a
monarquia está perdida" , afirmou o conde D'Eu. André Rebouças
e Alfredo D'Escramngolle, o visconde de Taunay, chegaram pouco depois ao Palácio
das Laranjeiras com um plano concreto de resistência: o imperador deveria
ficar em Petrópolis, cercar-se de figurões da monarquia e formar
um novo governo para enfrentar a sublevação.
O conde D'Eu
achou bom o plano. A dificuldade era entrar em contato com D. Pedro II em Petrópolis.
Tentou-se o telefone, mas não se conseguiu. Temendo pela sorte dos filhos,
D'Eu e Isabel os embarcaram para Petrópolis. Preparavam-se para acompanhá-Ios,
horas depois, quando receberam um telegrama informando que o imperador já
tinha partido de lá.
O casal seguiu então para o palácio
do Paço da Cidade e lá encontrou o monarca na maior placidez. "É
tudo fogo de palha", dizia, que poderia ser resolvido "dissolvendo os batalhões"
insubordinados. "Mas como o senhor quer dissolver tropas que estão contra
nós? É preciso primeiro constituir um novo governo, pois o anterior
se demitiu", disse-lhe o conde D'Eu. "Mas eu não aceito essa demissão"
, cortou o imperador.
Ouro Preto finalmente chegou ao Paço
e fez ver ao soberano que ele não tinha a mínima condição
de governar. Foi então que Ouro Preto fez a absurda sugestão do
nome de Silveira Martins para substituí-lo e Pedro II a aceitou. O conde
e a condessa D'Eu acharam aquilo um absurdo, argumentando que o novo governo deveria
ser formado imediatamente, que era impossível esperar por Silveira Martins
e que se comentava que o novo governo republicano já estava formado. O
imperador abalou quando lhe foi dito que a República, àquela hora,
já podia ser uma realidade. "Se assim for, será a minha aposentadoria.
Já trabalhei muito e estou cansado. Irei descansar", afirmou.
Às
5 da tarde, o jantar foi servido normalmente, e D. Pedro II comeu sem atropelo.
A princesa Isabel e seu marido fizeram tanta pressão que, pouco antes da
meia-noite, o imperador consentiu em reunir o Conselho de Estado, o órgão
consultivo do Império. O imperador aceitou a sugestão de que o conselheiro
José Antônio Saraiva, que havia chegado da Europa naquele dia, fosse
nomeado para o lugar de Ouro Preto. Já era madrugada de sábado,
dia 16, e tudo estava perdido: Deodoro não aceitou Saraiva e o governo
provisório foi constituído.
Às 10 horas da manhã
do sábado, a situação mudou de figura no paço da cidade.
A guarda foi reforçada e se proibiu a entrada e a saída do palácio.
Mesmo assim, concebeu-se o plano de a família imperial fugir do palácio
através de uma de suas portas secretas e refugiar-se a bordo do navio chileno
Almirante Cochrane, o mesmo cuja oficialidade havia sido homenageada no
Baile da Ilha Fiscal. "Fui repelido com indignação, o imperador
não queria naquela emergência recorrer a estrangeiros", relata
o conde D'Eu, que levou o plano de fuga a Pedro II. Prisioneiros, só restava
a espera à família imperial. Esperaram até às 3 horas
da tarde, quando chegou o major Sólon com a ordem de que saíssem
do país. Junto com o barão de Loreto, o imperador redigiu sua resposta,
acatando a decisão. A princesa Isabel também redigiu a sua, principiando
com a expressão: "É com o coração partido de dor que
me afasto de meus amigos". Na sua resposta, o conde D'Eu deixou aberta uma fresta
para entendimentos com os republicanos, dizendo que "estaria pronto a continuar
a servir o país debaixo de qualquer forma de governo". A imperatriz Tereza
Cristina e a princesa Isabel passaram o resto do sábado inconsoláveis,
aflitas e até transtornadas.
Até o amargo fim, só
D. Pedro II manteve a serenidade no paço da cidade. "Se tudo está
perdido; que haja calma", recomendou a Taunay quando ele, emocionado, falou do
desastre total da monarquia. "Eu não tenho medo do infortúnio."
A calma de D. Pedro II não parece virtude de quem constata que não
pode mais lutar. Parece, isso sim, a resignação de quem não
tem mais vontade de lutar. Nos último anos, houve um progressivo distanciamento
do imperador em relação aos negócios de Estado e ao governo
do Império. Cada vez mais ele passou a se interessar por obscuras questões
filosóficas e novidades científicas, deixando de lado a política.
Há meses, o visconde de Taunay constatou que o imperador nem lia mais os
jornais diários.
A esse progressivo alheamento se oferecia, como
perspectiva para a monarquia, a morte de D. Pedro II e a subida ao trono de sua
primogênita, a princesa Isabel. Perspectiva bastante impalatável
para a elite brasileira. Isabel é considerada, por muitos dessa elite,
uma mulher fútil, que gosta de festas por demais clerical, dócil
aos ditames de Roma. Paradoxalmente, a princesa é benquista pela massa
do povo brasileiro, principalmente por aqueles que no ano passado foram libertados
da escravidão. Tanto é assim, que multidões enormes se reuniram
para ovacioná-Ia no Rio de Janeiro nos dias que se seguiram ao 13 de maio
do ano passado. Mas a política brasileira, tal como era feita no Império
recém-destronado, não se fazia com o povo. Era assunto de elite,
de bacharéis e barões - de gente com renda o suficiente para poder
votar.
Para essa gente, a perspectiva de ter em breve uma regente como
Isabel, e um príncipe consorte como o conde D' Eu, era coisa intolerável.
Num arremedo de golpe palaciano, houve conversas no sentido de fazer com que Isabel
não fosse feita sucessora de seu pai. Nas intrigas palacianas, cogitou-se
em, casuisticamente, fazer com que D. Pedro Augusto, o primeiro neto do imperador,
passasse à frente da tia na linha de sucessão. A manobra não
vingou porque a Constituição de 1824 é cristalina quando
estabelece que é o descendente direto do imperador quem assume o trono
em caso de morte. Foi talvez uma sorte que a articulação não
tenha dado certo, dado o lastimável estado de nervos que Pedro Augusto
demonstra em sua viagem para o exílio. O império findou sem que
ninguém o defendesse ou chorasse. Acabou porque era uma forma de governo
anacrônica, exaurida, incapaz de oferecer perspectivas de melhorar ao país,
ampliando os direitos dos cidadãos. Agora, é a hora da República
- do regime que pode democratizar o Brasil.