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EUA
VEJA, 20 de novembro de 1889

O país dos peregrinos
chega à maioridade, atrai imigrantes e se projeta como potência
Dois séculos e meio depois do Mayflower, que trouxe
as primeiras famílias européias aos Estados Unidos,
outros navios têm chegado numa maré incessante aos
portos americanos. Os novos peregrinos, a maioria deles irlandeses,
encontram uma realidade bastante diferente daquela que esperava
pelos primeiros povoadores do Novo Mundo: em vez de uma colônia
inóspita, eles desembarcam num país em desenvolvimento
acelerado e expansão incontida, uma terra de vastas oportunidades
para o sucesso e o enriquecimento. Com a chegada dos imigrantes,
a população americana saltou dos 31 milhões
ao final da Guerra Civil, em 1865, para mais de 50 milhões
no censo de 1880 - e a enxurrada não dá sinais de
enfraquecimento.
Um dos segredos da atração irresistível que
este país exerce sobre os europeus insatisfeitos se encontra
a milhares de quilômetros do portão de entrada pela
costa leste. Desde que as primeiras minas de ouro foram descobertas
na Califórnia, na metade do século, a marcha para
o Oeste desconheceu sucessivamente as fronteiras delimitadas com
os índios. Entre tiros e lendas, os cowboys e aventureiros
repetiram à sua maneira a epopéia dos pioneiros: as
cidades brotaram como cogumelos e em 1880 já abrigavam 28%
da população americana, com a previsão de vertiginosos
40% no início do próximo século.
Na esteira da conquista do Oeste, o solo foi rasgado pelas ferrovias,
cujas locomotivas puxaram, além de vagões, um formidável
crescimento da indústria, especialmente a do aço.
Antes do final do século, os prósperos industriais
americanos esperam superar a produção da Inglaterra.
Nomes como o do magnata do petróleo John Rockefeller simbolizam,
melhor que os números, a transformação que
varreu os Estados Unidos - eles são os self-made men, homens
cujo sucesso se confunde com o próprio sonho americano. A
irresistível ascensão econômica dos Estados
Unidos faz parecer tímido o "Destino Manifesto" anunciado
por James Monroe. O ideal da "América para os americanos"
- o lema da Doutrina Monroe - transborda de pequenas colônias
espanholas do Caribe, como Cuba e Porto Rico, para distantes ilhas
do Pacífico, como o Havaí e as Filipinas. E o seleto
clube das potências européias enroscado em disputas
intermináveis na África e no Oriente, corre o risco
de assistir nos próximos anos à entrada tempestuosa
de um novo parceiro, que carrega consigo todo o vigor da juventude.
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O furacão chamado Roosevelt
O lançamento, neste ano, dos dois primeiros volumes
da epopéia histórica A Conquista do Oeste,
de Theodore Roosevelt, 31 anos, derramou luz não apenas
sobre um novo talento literário. O relato apaixonado
dos primeiros passos da colonização projetou
principalmente uma estrela em ascensão na política
americana, com terreno fértil para fincar raízes
à sombra do apagado presidente Benjamin Harisson. Ted
Roosevelt não é exatamente um iniciante no ramo.
Em 1881, mal entrado na casa dos 20 anos, ele se elegeu deputado
estadual em Nova York e arrebatou aos experientes caciques
republicanos, a liderança do partido.
Energia e espírito de competição nunca
faltaram a este advogado que trocou a toga pelo rifle de caçador
e superou a fragilidade física da infância com
uma dedicação espartana aos esportes. Convocado
recentemente por Harisson para integrar a Comissão
do Serviço Público, Ted Roosevelt promete estremecer
as estruturas do Partido Republicano com suas idéias
de reforma social e sua capacidade de trabalho aparentemente
inesgotável.
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