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Esporte
VEJA, 20 de novembro de 1889

O Preston ganha o primeiro campeonato inglês de futebol
e chama a atenção para esse novo jogo
Foi uma campanha impecável: dezoito vitórias e quatro
empates em 22 jogos, 74 tentos a favor e quinze contra. A performance
deu ao time do Preston North End o título do primeiro campeonato
da Liga Inglesa de Futebol, o incipiente esporte do "pé
na bola", uma espécie de balé para homens. A
equipe somou, no total, 40 pontos, contra 29 do Aston Villa, o vice-campeão,
e 28 do Wolverhampton, que ficou com o terceiro lugar. O campeonato
será realizado anualmente, reunindo os doze clubes da liga.
O Preston, cujos jogadores já ganharam o apelido de "invencíveis",
está terminando o ano com uma outra façanha - venceu
também a Copa da Associação de Futebol da Inglaterra.
Na partida final, o time superou o Wolverhampton por 3 a zero, com
tentos assinalados por Ross, Dewhurst e Thomson. A copa também
se realiza anualmente e é disputada por clubes do país
inteiro. O desempenho do Preston ao longo deste ano representa a
maioridade do futebol, um esporte que cada vez mais cai na graça
do torcedor inglês, ameaçando a primazia do críquete.
O futebol começou a tomar sua forma definitiva apenas na
primeira metade deste século, nas faculdades e universidades
da Inglaterra. No início, as regras variavam segundo a escola
em que se realizavam os jogos. Só em 1863, com a fundação
da Associação de Futebol da Inglaterra, é que
o jogo foi regulamentado. Disputado por dois times de onze jogadores
cada, num campo retangular cujas dimensões variam entre 90-120
metros e 45-90 metros, o futebol tem por objetivo fazer com que
uma bola de couro de mais ou menos 400 gramas entre num espaço
de cerca de 7 metros por 2 metros, delimitado por duas traves e
um travessão de madeira. No campo existem dois desses retângulo,
um para cada extremidade do gramado. Para conseguir que a bola entre
nesses retângulo, os jogadores podem usar quaisquer partes
de seu corpo, exceto mãos e braços, e preferencialmente
os pés - daí a semelhança com o balé.
Em frente a cada retângulo fica um jogador, cuja função
é impedir que a bola entre. A ele é permitido usar
as mãos e os braço, desde que não avance os
limites de uma determinada área. Vence o jogo a equipe que
consegue fazer com que a bola entre mais vezes dentro dos retângulos,
no período de noventa minutos que dura uma partida. Cada
vez que isso acontece, a torcida grita goal (pronuncia-se "gol")
para comemorar o tento conseguido.
Até agora, ninguém se interessou em introduzir o
futebol no Brasil. Há notícias de que um estudante
paulista, Charles Miller, da Banister Court School, de Southampton,
vem praticando, com êxito, o esporte entre seus colegas. Filho
de ingleses, MilIer, de 15 anos, desde os 10 vivendo na Inglaterra,
já fala em trazer o futebol para o Brasil. Ele acredita que
aqui o esporte poderá se tornar tão popular quanto
na Inglaterra. Coisa de adolescente. O Brasil nunca terá
um time como o do Preston. Os brasileiros gostam mesmo é
de turfe.
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Um dos esportes mais populares praticados no Brasil é
o turfe - com a particularidade de que o jogo se trava mais
na platéia do que nas pistas dos três hipódromos
cariocas. Um pouco antes do meio-dia das tardes de domingo,
quando começam as corridas, eles se enchem de senhoras
e senhoritas elegantes, com seus chapéus floridos,
vestidos longos e saltos Luís XV, além de cavalheiros
de sobrecasacas inglesas, cartolas e binóculos a tiracolo.
Quem chega depois do início das provas atrai mais olhares,
por isso ficou chique chegar atrasado. O que vai na pista
não importa muito, a não ser para aqueles aficionados
que consagraram as apostas nos prados. O que importa mesmo
é vigiar a elegância alheia, trocar olhares insinuantes
ou simplesmente ter com quem falar. Tudo isso ao som do Danúbio
Azul e ao paladar de deliciosos refrescos.
Apesar de sinais exteriores de crescimento, como a elevação
generalizada do valor das apostas, a promessa de um novo hipódromo
na cidade no próximo ano e o início de um movimento
disposto a criar no país uma raça de animais
competitivos, o turfe, depois de 64 anos de Brasil, ainda
tem mais de atividade social do que de esporte propriamente
dito. Nele, a atração continua sendo a platéia,
e não os desportistas.
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