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VEJA, 20 de novembro de 1889

NASCERAM: Roberto Cochrane Simonsen, filho de Sydney Martin Simonsen, engenheiro inglês radicado no Rio de Janeiro, e de Robertina Cochrane, carioca de origem escocesa, da mesma família do lorde Cochrane, protagonista das guerras de independência de vários países latino-americanos. Dia 18 de fevereiro, no Rio.

Arnold Toynbee, numa família de intelectuais. O pai, Harry, é professor e a mãe, Hanna, foi uma das primeiras mulheres a fazer curso universitário na Inglaterra. Dia 14 de abril, em Londres.

Charles Spencer Chaplin, filho de um casal de atores mambembes. O pai, que também se chama Charles, quase não trabalha - passa a maior parte do tempo bebendo. Quem sustenta a casa é a mãe, Hannah. Exímia imitadora, ela também canta e faz pequenos papéis no teatro de revista e em espetáculos circenses. É alcoólatra como o marido e revela sintomas de doença mental. Dia 16 de abril. em Walworth, bairro miserável da periferia de Londres.

Adolf Hitler: sobrenome mudado

Adolf Hitler, numa família de origem obscura. Seu avô paterno é desconhecido - o pai, o funcionário aduaneiro Alois Hitler, de 52 anos, usava o sobrenome materno de Schicklgruber até doze anos atrás, quando alterou ilegalmente seu registro de nascimento, onde constava como filho ilegítimo. A mãe do jovem Adolf, Klara Polzl, 23 anos mais moça que o marido, era governanta em sua casa quando o conheceu. O casal já teve outros três filhos, mas todos morreram em tenra idade. Dia 20 de abril, na aldeia austríaca de Braunauam-Inn.

Ludwig Josef Johann Wittgenstein, filho de Karl Wittgenstein, dono da maior siderúrgica austríaca. A mãe, filha de um banqueiro vienense, dedica-se à música. Dia 26 de abril, em Viena.

Antonio de Oliveira Salazar, filho dos agricultores Antonio de Oliveira e Maria do Resgate Salazar. Dia 28 de abril, na aldeia de Vimieiro, Portugal.

Jean Cocteau, filho de um casal francês milionário. O pai, Georges, vive de rendas. Nos próximos dias, a família deve mudar-se para sua mansão em Paris, junto com a governanta alemã que cuida do bebê. Dia 5 de julho, em Maisonss-Laffitte, nos arredores de Paris.

Martin Heidegger, primeiro filho do sacristão Friedrich Heidegger e sua mulher, Johanna. Dia 26 de setembro, na aldeia de Messkirch, Alemanha.

Jawaharlal Nehru, filho de Pandit Motilal Nehru, um advogado riquíssimo, e de Swarup Rani Nehru. A família pertence à mais elevada das castas indianas - a dos brâmanes. Dia 14 de novembro, em Allahabad, nas Índias Britânicas.

MORRERAM: Rodolfo de Habsburgo, aos 30 anos, príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, encontrado morto em companhia de sua jovem amante, a baronesa Maria Vetsera, de 17 anos, com quem tinha estabelecido um "pacto de morte". Os motivos do duplo suicídio ainda não foram esclarecidos. Os jornais monarquistas afirmam que Rodolfo - casado, por imposição do imperador Francisco José, seu pai, com a princesa Stéphanie, da Bélgica - matou-se para não ter de enfrentar, num duelo, o irmão da jovem que seduziu. Mas os amigos de Rodolfo sustentam que ele estava desesperado diante da iminente revelação de suas ligações com a oposição liberal. O novo herdeiro do trono da Áustria é o arquiduque Ferdinando, seu primo. No dia 30 de janeiro, com um tiro na cabeça, no pavilhão de caça de Mayerrling, Áustria.

Tobias Barreto de Meneses, filósofo, jurista e poeta, aos 50 anos. Autor de várias obras filosóficas, introduziu no Brasil as idéias de Emmanuel Kant e de outros pensadores alemães. Mas não conseguiu elaborar uma doutrina sistemática e coerente - empolgado pelas teorias de Charles Darwin sobre a evolução das espécies, dizia-se "materialista, no bom sentido da palavra", sem afastar-se por completo do espiritualismo. "Sou relativista", afirmava, ao defender a religião como necessária, independente da existência ou não de um Deus. Tobias Barreto foi, acima de tudo, um grande animador da vida cultural do país: trocou desafios poéticos com Castro Alves por causa de uma atriz de teatro, fundou um jornal em língua alemã no interior de Pernambuco e travou ásperas polêmicas com a Igreja, que não aceitava seu agnosticismo. Exerceu durante algum tempo a cátedra da Faculdade de Direito de Recife e escreveu livros jurídicos. Participou também da política, chegando a se eleger deputado provincial em Sergipe, mas nunca se interessou pela causa republicana. Morreu na miséria, deixando viúva e nove filhos menores. Dia 26 de junho, no Recife.

Dom Luís I, aos 50 anos, rei de Portugal. No trono desde 1861, demonstrou mais talento para literatura do que para política. Ganhou muitos elogios por suas traduções de Sheakespeare, mas deu graves tropeções no exercício do governo: violou várias vezes a Constituição para reprimir a agitação republicana - que, apesar disso, não parou de crescer - e aceitou acordos diplomáticos que fizeram encolher o império colonial português na África. Deixa viúva a princesa Maria Pia de Sabóia, filha do rei Vítor Emanuel, da Itália. Neto de D. Pedro I e sobrinho de D. Pedro II, será sucedido pelo filho, que passa a se chamar Carlos I. Dia 11 de outubro. em Cascais.

Tobias Barreto de Meneses, filósofo, jurista e poeta, aos 50 anos. Autor de várias obras filosóficas, introduziu no Brasil as idéias de Emmanuel Kant e de outros pensadores alemães. Mas não conseguiu elaborar uma doutrina sistemática e coerente - empolgado pelas teorias de Charles Darwin sobre a evolução das espécies, dizia-se "materialista, no bom sentido da palavra", sem afastar-se por completo do espiritualismo. "Sou relativista", afirmava, ao defender a religião como necessária, independente da existência ou não de um Deus. Tobias Barreto foi, acima de tudo, um grande animador da vida cultural do país: trocou desafios poéticos com Castro Alves por causa de uma atriz de teatro, fundou um jornal em língua alemã no interior de Pernambuco e travou ásperas polêmicas com a Igreja, que não aceitava seu agnosticismo. Exerceu durante algum tempo a cátedra da Faculdade de Direito de Recife e escreveu livros jurídicos. Participou também da política, chegando a se eleger deputado provincial em Sergipe, mas nunca se interessou pela causa republicana. Morreu na miséria, deixando viúva e nove filhos menores. Dia 26 de junho, no Recife. o Dom Luís I, aos 50 anos, rei de Portugal. No trono desde 1861, demonstrou mais talento para literatura do que para política. Ganhou muitos elogios por suas traduções de Sheakespeare, mas deu graves tropeções no exercício do governo: violou várias vezes a Constituição para reprimir a agitação republicana - que, apesar disso, não parou de crescer - e aceitou acordos diplomáticos que fizeram encolher o império colonial português na África. Deixa viúva a princesa Maria Pia de Sabóia, filha do rei Vítor Emanuel, da Itália. Neto de D. Pedro I e sobrinho de D. Pedro II, será sucedido pelo filho, que passa a se chamar Carlos I. Dia 11 de outubro. em Cascais.

 

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