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  PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
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DIPLOMACIA
VEJA, Junho de 1919
Mais de quarenta países subscrevem a declaração da Liga das
Nações – Entidade quer inaugurar a era da “nova diplomacia” – EUA
não assinam o documento, para frustração do mentor Wilson
A pedra que ainda falta: a 'ponte' da Liga das Nações foi desenhada pelos EUA, mas o país ainda não assinou o acordo

décimo quarto dos já célebres catorze pontos do presidente Woodrow Wilson, que embasaram o armistício de novembro de 1918, clamava pela criação de uma “associação de nações regulada por declarações específicas que visam o oferecimento de garantias mútuas de independência política e integridade territorial para estados grandes e pequenos”. Pois a Liga das Nações, uma entidade que pretende transformar a forma com que são conduzidas as relações internacionais – e, assim, evitar a repetição da escalada de desentendimentos que levaram à carnificina da Grande Guerra –, teve sua declaração subscrita por 44 países no último dia 28 de junho, em Versailles. É, de acordo com seus idealizadores e entusiastas – que incluem também o primeiro ministro da África do Sul, Jan Smuts, e o britânico Lord Robert Cecil –, o começo da era da “nova diplomacia”.

O documento entrará em vigor em janeiro próximo, mas desde já os signatários concordam em respeitar uma série de pontos, a começar pela segurança coletiva e proteção mútua contra agressão. Os países também deverão submeter à Liga qualquer reivindicação territorial ou desentendimento internacional para análise e arbitragem, comprometendo-se a aguardar um prazo mínimo de três meses antes de qualquer ação militar. O documento é retroativo: todos os tratados assinados que tenham termos incompatíveis com essas diretrizes ficam inválidos, e todos os futuros pactos devem ser registrados junto à Liga das Nações.

A entidade também focará temas como desarmamento, legislação trabalhista, questões de saúde pública, administração internacional e outros assuntos supranacionais. A forma de atuação ainda será estudada: a proposta de Smuts, encampada pelo americano Wilson, é que o conselho da Liga seja composto pelas grandes potências como membros permanentes. As forças de segundo escalão e estados menores seriam representadas por membros temporários. A periodicidade das reuniões também está em discussão. Tudo só será definido na primeira assembleia da Liga das Nações, que está marcada para o ano que vem.

Mau exemplo – Apesar do entusiasmo com a ideia, logo de cara surgiu uma mostra inequívoca de que qualquer tentativa de entendimento internacional jamais conseguirá superar os interesses de um país. Os Estados Unidos, apesar dos esforços de seu presidente pela promoção e do estabelecimento da Liga, simplesmente não assinaram o documento – o democrata Wilson não conseguiu apoio do Congresso americano, dominado pelos republicanos, para a proposta de associação ao novo grupo. O Senado apreciará novamente a questão em breve, mas as chances são magras. O senador Henry Cabot Lodge, nêmesis de Woodrow Wilson, já achincalhou publicamente a Liga, que ele considera mais uma das injustificáveis idéias liberais do presidente. Um péssimo exemplo da locomotiva do mundo à comunidade internacional, deixando aberta a porta para os descontentes – se algum estado ou governante lunático necessitar de um precedente...

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