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  PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
NESTA EDIÇÃO
Começo da nova Grande Guerra
  Alianças que levaram ao conflito
  As primeiras batalhas na Bélgica
  Os líderes com laços de família
  Fim de uma era de prosperidade
  Como foi o atentado em Sarajevo
  O relato de um soldado alemão
  Bertrand Russell critica a guerra
VÍDEOS
 
Índice

OS LÍDERES
VEJA, Agosto de 1914
Senhores da guerra são unidos por parentesco – George V
e Nicolau II sempre desgostaram do primo Guilherme II – Troca
de mensagens entre o alemão e o russo não evitou a guerra
São primos, mas mais parecem irmãos: o britânico George V é o da esquerda; o czar russo Nicolau II, o da direita

eja por meio de laços de sangue ou de matrimônio, a teia de alianças que entrelaçou o poder na Europa tem uma origem comum: o fecundo útero da rainha britânica Vitória (1819-1901). Seus nove filhos, 42 netos e muitas dezenas de agregados espalharam-se, de acordo com a vacância de tronos, pelos mais diversos rincões do Velho Continente. Assim, neste exórdio da Grande Guerra, não é de todo surpreendente o fato de que, no comando das potências rivais, pontifiquem primos de primeiro e segundo graus, coleguinhas que brincavam juntos de pega-pega nos floridos jardins dos palácios europeus: o kaiser Guilherme II, o rei George V e o czar Nicolau II.

Mais velho da turma, o soberano alemão é o primeiro neto da finada rainha da Inglaterra, um dos rebentos de sua filha Vitória. Da mesma forma, o monarca britânico também é também neto da chamada "vovó da Europa", herdeiro de Eduardo VII – portanto, primo em primeiro grau do kaiser. As mães do czar e do rei também são irmãs: Nicolau II é filho de Dagmar da Dinamarca, irmã de Alexandra, a mãe de George V, mulher de Eduardo, e portanto nora da rainha Vitória. Fontes escoladas no mundo da monarquia europeia dão conta de que George e Nicolau são próximos e têm ótima relação, enquanto que Guilherme, mais afastado, desfruta, se não da repulsa, pelo menos da falta de afeto dos primos aliados na Entente.

George V, que ascendeu ao trono com 45 anos, é normalmente considerado o mais preparado do trio. Nicolau II, que assumiu o posto de seu pai, Alexandre III, da dinastia dos Romanov, aos 26 anos, é indiscutivelmente um homem inteligente, mas foi durante muito tempo alvo de críticas por sua inexperiência e indecisão nos momentos mais difíceis, além de sua excessiva humildade. O britânico e o russo são inclusive muito parecidos fisicamente. Já Guilherme, que desde os 39 ostenta o título de kaiser, apresenta características diametralmente opostas: muito arrogante, autocrático, irriquieto, acredita sempre estar certo e que só deve satisfações a Deus. Busca a todo custo esconder o braço esquerdo atrofiado, defeito de nascença. Muitos o consideram a ovelha negra da família.

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O Kaiser alemão: o primo mais afastado

Nicky e Willy - Recorrendo a um relacionamento familiar que apenas fez esfriar ao longo dos anos, Nicolau e Guilherme ainda tentaram, mas não conseguiram desacelerar o gigantesco bonde desgovernado que deu origem à Grande Guerra. Às vésperas da eclosão oficial do conflito, entre o final de julho e início de agosto, os líderes trocaram telegramas buscando últimas alternativas de conciliação. Mas sua leitura deixa claro que, apesar dos termos íntimos em que ambos se tratavam – as mensagens estão assinadas com os apelidos familiares, "Nicky", de Nicholas, e "Willy", de Wilhelm –, não havia proximidade suficiente para um convencer o outro de suas boas intenções. Escritos em inglês, os telegramas mostram o czar e o kaiser empenhados em evitar o conflito, porém sem ceder um milímetro sequer em suas posições.

Em duas mensagens, datadas de 30 e 31 de julho, Wilhelm diz a Nicolau que é dele a decisão sobre os rumos que a Europa tomará. "A Áustria se mobilizou apenas contra a Sérvia, e com apenas parte de seu exército. Se, como parece ser o caso, de acordo com seus relatos e os relatos de seu governo, a Rússia se mobiliza contra a Áustria, o papel de mediador que você generosamente me incumbiu, e que aceitei por seus apelos expressos, estará em perigo, senão arruinado. Todo o peso da decisão está em seus ombros, que agora carregam a responsabilidade da paz ou da guerra." Na sequência, o czar responde com convicção. "É tecnicamente impossível parar nossas preparações militares, que foram obrigatórias devido à mobilização da Áustria." Ali, a paz já era uma utopia.

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