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  PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
NESTA EDIÇÃO
Começo da nova Grande Guerra
  Alianças que levaram ao conflito
  As primeiras batalhas na Bélgica
  Os líderes com laços de família
  Fim de uma era de prosperidade
  Como foi o atentado em Sarajevo
  O relato de um soldado alemão
  Bertrand Russell critica a guerra
VÍDEOS
 
Índice

AS ALIANÇAS
VEJA, Agosto de 1914
Complexa rede de coligações leva potências à guerra –
Alemão Bismarck levou à corrida por alianças na Europa – Comprometida
com os dois lados, Itália permanece alheia às batalhas
A Europa de 1914 é o campo de batalha: alemães e austro-húngaros espremidos entre os aliados França e Rússia

uitos ainda se perguntam: por que um evento aparentemente isolado como o assassinato do herdeiro do trono austríaco por um estudante nacionalista sérvio levou potências como a França, a Alemanha, a Rússia e a Grã-Bretanha a mobilizarem milhões de soldados e se engajarem em um conflito de proporções titânicas? Bismarck explica. Pode-se creditar ao antigo primeiro-ministro da Prússia e chanceler do Império Germânico (além da atual configuração territorial da Europa, definida depois da Guerra Franco-Prussiana) os pactos e tratados assinados por quase todas as nações do Velho Continente para resguardar suas fronteiras.

A ideia era proteger-se de qualquer ameaça externa, fosse ela a volúpia expansionista de alguns ou a sede de vingança de outros. De qualquer forma, foram esses conchavos que acabaram atraindo, por força dos acordos, mais e mais países para a guerra. Depois de alcançar a tão sonhada união dos estados germânicos e trucidar a França na última grande batalha do século passado, Otto von Bismarck sabia que apenas conseguiria manter a estabilidade da Alemanha caso selasse coligações que protegessem seu país de invasores.

Como era quase certo que a França se voltaria contra os germânicos na primeira oportunidade, especialmente para recuperar a Alsácia e Lorena, Bismarck esquematizou, em 1873, a Liga dos Três Impérios, com os russos e os austro-húngaros. Cinco anos depois, a Rússia desistiu do acordo; Alemanha e Império Austro-Húngaro seguiram adiante e fecharam a Aliança Dupla, em 1879. A entrada da Itália no grupo, em 1881, criou a Tríplice Aliança. Entretanto, a mesma Itália também assinara um pacto por baixo dos panos com a França, comprometendo-se a ficar neutra em caso de ataque alemão ao território gaulês – que veio a acontecer justamente agora, o que explica a não mobilização italiana na Tríplice Aliança da qual é signatária.

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Bismarck: os primeiros fios da trama

Parceiros cordiais - Além desse acordo, em 1891 os franceses também cerraram fileiras com os russos, que haviam acabado de se desobrigar de compromissos com os alemães após a não-renovação de um tratado firmado entre os dois cinco anos antes. Em 1892, a Convenção Militar Franco-Russa oficializou o compromisso. A aliança com a Grã-Bretanha, por sua vez, veio quase uma década depois, em 1904, com a Entente Cordial, na qual, além de acertar velhas pendências coloniais, gauleses e britânicos comprometiam-se a operar em conjunto no campo diplomático (a colaboração militar só foi corroborada há dois anos, em 1912, pela Convenção Naval Anglo-Francesa). Assim, quando a Rússia, três anos mais tarde, assinou a Entente Anglo-Russa, todos os três países estavam interligados e comprometidos por acordos mútuos. Estava formada, então, a Tríplice Entente.

Tal configuração deixou todas as potências amarradas entre si. Mas, ironicamente, o que as trouxe para a guerra foram alianças menores, coadjuvantes. Um remoto tratado de cooperação e defesa ligava a Rússia à Sérvia. Como já é notório, foi justamente a declaração de ataque austro-húngaro aos sérvios, em retaliação ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, que fez Moscou se mobilizar. Por sua vez, a ameaça de intervenção russa contra os austro-húngaros carregou a Alemanha para a batalha, com suas declarações de guerra contra a Rússia e a França. Por último, faltava a Grã-Bretanha, que oficialmente apenas tomou parte nas hostilidades quando a Bélgica – com quem assinara em 1839 um obscuro tratado pelo qual comprometia-se a defender a neutralidade do país flamengo – foi invadida pela Alemanha. Obviamente, o maior interesse dos britânicos é auxiliar a França e impedir o avanço germânico pelo continente. Quem viver, verá.

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Complexa rede de coligações
Ameaça de guerra do Império Austro-Húngaro leva a
efeito dominó. E primeiros ataques ocorrem em julho.
 
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