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NESTA EDIÇÃO
ESPECIAL
A Olímpiada na Era Moderna
  Entrevista: Barão de Coubertin
  Spiridon Louis vence maratona
  O novo Estádio Panathinaiko
  Personagens da festa esportiva
  Infográfico: façanhas olímpicas
BRASIL
Tensão em Canudos, na Bahia
INTERNACIONAL
Nicolau, o novo czar da Rússia
GERAL
O raio X, um invento espantoso
  Um novo esporte: 'basket ball'
ARTES E ESPETÁCULOS
Estréia La Bohème, de Puccini
  'Máquina do Tempo', HG Wells
Índice
Esporte
VEJA, Abril de 1896
Juventude americana enamora-se pelo 'basket ball',
desporto novato que já marca presença nos ginásios universitários de
Massachussets à Califórnia. Objetivo: acertar a bola no alvo
Moços pioneiros: o time da ACM de Louisville, a primeira formação a disputar uma partida no estado do Kentucky, em 1895

A primeira quadra: cesta a 3,05 metros

Ao mesmo tempo em que os milenares embates olímpicos voltam à cena em Atenas, um desporto novato vem arrebatando as atenções da flor da juventude da América do Norte. Na curiosa atividade, enfrentam-se duas agremiações de nove atletas, que têm como objetivo arremessar um esférico dentro de uma cesta de pêssegos vazia pendurada a 3,05 metros de altura. Inventada há cinco anos pelo professor James Naismith, a novidade recebeu o nome de basket ball - cesto-bola, na tradução em português - e se alastrou com formidável rapidez pelos Estados Unidos. Rapazes e moças de dezenas de escolas e universidades de todo o país já praticam o jogo, que agora começa a alimentar duelos atléticos universitários, tal qual acontece com as competições de remo e football entre Harvard e Yale. No último dia 4 de abril, as equipes femininas das universidades de Stanford e Berkeley, ambas na Califórnia, se confrontaram em uma acirrada partida de basket ball, vencida pelas primeiras por 2 cestas a 1.

O rápido e tentacular alastramento do desporto deve-se especialmente ao entusiasmo com que foi abraçado pelos integrantes da Associação Cristã de Moços de Springfield, no estado de Massachussets. Foi na entidade em que a idéia desabrochou, em 1891. Os pioneiros trataram de espalhar-se por outras unidades da associação
Principiantes entusiasmados: a primeira equipe de cesto-bola de toda a história
para divulgar e promover o jogo, que, curiosamente, teve sua mais calorosa recepção nos colégios femininos. O canadense Naismith, hoje com 34 anos e exercendo o cargo de diretor da ACM de Denver, não esconde a surpresa com a expansão prodigiosa de sua criação. Seus propósitos iniciais eram bem mais modestos: criar um passatempo para ginásios cobertos que fosse "interessante e fácil de aprender e de jogar no inverno, sob luz artificial". Naismith queria entreter os mancebos durante o impedoso frio que se abate nessa época sobre a Nova Inglaterra. Não poderia imaginar que também as moçoilas da ensolarada Califórnia fossem enamorar-se pela bola ao cesto.



Bexiga de boi - A nova atividade tem 13 regras, todas cunhadas por Naismith e aplicadas desde a primeira partida de basket ball, disputada em dezembro de 1891 na ACM de Springfield, com 18 alunos da aula de ginástica do professor - e que terminou em um a zero para o time de William R. Chase, autor do único e
O inventor Naismith: passatempo fácil
vitorioso tento. Em linhas gerais, a tábula diz que os jogadores devem usar as mãos para arremessar a bola (esférico que se assemelha a uma bexiga de boi inflada e revestida de couro, como a usada nas partidas do football dos britânicos). Não se pode andar ou correr com o objeto, nem empurrar ou segurar o oponente para obter seu controle. O tempo da partida é de 30 minutos, divididos em dois períodos de 15 minutos com um intervalo de cinco. O vencedor é aquele que consegue acertar mais vezes a cesta. Naismith quis criar um jogo que recompensasse a habilidade do atleta, e não apenas a força, e o enorme número de praticantes mostra que ele logrou êxito. A continuar com esse nível de popularidade, o exótico cesto-bol logo estará no programa dos Jogos Olímpicos - isto, é claro, se os planos quadrienais do Barão de Coubertin para a competição internacional esportiva prosperarem.
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