Especial VEJA, maio
de 1948
Depois de uma espera de 1.878 anos, os
judeus ganham
um país. Mas a independência de Israel não encerra a longa marcha:
a diplomacia fracassou e a guerra com os árabes continua
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| O nascimento de uma nação: palco improvisado, estrelas de Davi e a histórica declaração do patriarca David Ben-Gurion |
s cadeiras vieram emprestadas de cafés vizinhos. Os microfones,
de um empório musical. Dois carpinteiros chamados às
pressas ergueram o palco de madeira em tempo recorde. Um retrato
do pioneiro sionista Theodor Herzl foi colocado em posição
de destaque no salão principal, ladeado por duas bandeiras
gigantes com a estrela de Davi (símbolo ancestral do povo
judeu), lavadas e passadas de forma expedita para a ocasião.
Em um piscar de olhos, o Museu Nacional de Tel-Aviv transformou-se
para sediar uma cerimônia aguardada pelos hebreus há
exatos 1.878 anos – desde que a destruição do Segundo
Templo pelos romanos, em 70 d.C., acabou com a soberania dos judeus
em Jerusalém e deu início à segunda diáspora
dos seguidores de Isaac. No compromisso deste 14 de maio de 1948,
porém, a história seria finalmente reescrita: a terra
prometida estava voltando às mãos dos judeus.
Os convites para a reunião, marcada para as 16 horas,
foram impressos na véspera e distribuídos apenas na manhã
do dia do evento, com um pedido de segredo aos cerca de 250 convidados para evitar
qualquer interferência externa. Entre os locais, porém, foi impossível
segurar a alvissareira notícia, que rapidamente se espalhou por Tel-Aviv
e levou, já por volta do meio-dia, uma multidão a cercar o local
da congregação. De qualquer forma, poucas horas depois de o mandato
britânico na Palestina ter se encerrado, sem maiores sobressaltos, em uma
cerimônia célere, demarcada pelas firmes batidas do martelo de nogueira
de David Ben-Gurion, presidente do Conselho Provisório de Estado sionista,
a criação da nação judaica na Palestina – o estado
de Israel – foi solenemente anunciada aos quatro ventos.
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| O troco árabe: destruição em Tel-Aviv |
Lida por
Ben-Gurion e assinada pelos 24 dos 37 membros da assembléia presentes ao
histórico evento, a declaração de independência do
mais novo país do globo buscou no passado histórico e no presente
político as bases morais e legais para sua fundação. O documento
notificava que a Terra de Israel era o local de nascimento do povo judeu e que
o movimento sionista era testemunho do papel representado pela Palestina em sua
história e religião. Dizia também que a declaração
de Balfour e a partilha das Nações Unidas, além do sacrifício
dos pioneiros sionistas e da tormenta sofrida com o Holocausto, davam aos judeus
o direito inalienável de estabelecer seu estado no Oriente Médio. A cerimônia, transmitida pela Kol Yisrael, "a voz de
Israel", tornada rádio oficial do novo estado sionista,
provocou uma explosão incontida na população
hebraica em todos os rincões da Palestina. Enquanto dentro
do Museu Nacional de Tel-Aviv o público, emocionado, entoava
a plenos pulmões a Hatikvah (tradicional canção
judaica que celebra a esperança), do lado de fora do recinto,
assim como em diversas cidades da nova nação – à
exceção de Jerusalém, que se encontrava sem
eletricidade –, populares ganhavam as ruas para congratular-se uns
aos outros.
Combates ferrenhos - Em meio aos festejos, contudo,
era possível notar no semblante de David Ben-Gurion que o calejado líder
não comungava do regozijo de seus pares. Antes de sair do local, acompanhado
da mulher, Paula, confidenciou, diligente, a um de seus auxiliares: "Não
sinto alegria dentro de mim. Apenas uma ansiedade profunda, como no último
29 de novembro [data do anúncio da partilha da ONU, aceita pelos judeus
mas rejeitada pelos países árabes], em que eu mais parecia um
lamentador num banquete." Se, para muitos, o dia 14 de maio marcava o fim
de um périplo de dois mil anos por um lar nacional, para Ben-Gurion era
apenas o começo. E a história não demorou a prová-lo
correto. Os ataques árabes vieram de imediato. Exércitos de
cinco países – Líbano, Síria, Egito, Iraque e Transjordânia
(a Legião Árabe, treinada pelos britânicos) – acometeram,
naquela mesma tarde, o território então dominado pelos judeus em
diversos pontos de suas fronteiras. Combates ferrenhos se seguiram nas duas últimas
semanas deste mês, com os defensores buscando manter suas posições
contra as investidas na maioria das vezes desorganizadas dos vizinhos. A diferença
na quantidade e qualidade de armamentos é abismal – o arsenal judeu é
escasso e antiquado, por conta da restrição britânica de importação
de armas durante o mandato, enquanto o árabe é mais moderno e volumoso,
arrematado em boa parte da própria Grã-Bretanha. Ainda assim, os
hebreus, com suas forças bem coordenadas, lograram importantes êxitos
militares, frustrando a previsão de um acachapante massacre árabe.
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| O conde Bernardotte: missão espinhosa |
No calor da guerra, com a comunidade internacional clamando por uma solução
pacífica e os exércitos chegando ao limite de suas forças,
o Conselho de Segurança das Nações Unidas apresentou, no
dia 20, uma proposta de trégua – bem recebida por ambos os lados e aprovada
nove dias depois. O cessar-fogo, negociado pelo conde sueco Folke Bernardotte,
mediador da ONU, entra em vigor no dia 11 de junho e é válido por
um mês – período em que nenhum imigrante poderá ser recrutado,
e que todos os combatentes estarão proibidos de receber qualquer tipo de
armamento. Enquanto isso, o Conselho de Segurança prepara um novo plano
de conciliação – que, seja qual for, miseravelmente estará
fadado ao fracasso. A partir de agora, não há dúvidas, apenas
as armas falarão por árabes e judeus.
Corrida contra o tempo - Legitimada tanto pela declaração
de Balfour, em 1917, como pela partilha aprovada pelas Nações
Unidas, no ano passado, a instalação de um estado
judeu na Palestina esteve perigosamente ameaçada nos dias
que precederam o anúncio em Tel-Aviv. E não somente
por conta da batalhas entre árabes e judeus pelo controle
das cidades deixadas para trás pelos britânicos, às
vésperas do encerramento do mandato. Nem por causa da ameaça
de invasão dos países árabes, cuja oposição
à idéia já era conhecida de cor e esperada
pelos sionistas. Reunidas em palácios de governo e nas Nações
Unidas, as grandes potências mundiais buscaram até
o último suspiro evitar a independência de Israel –
cada uma, claro, visando resguardar seus interesses no Oriente Médio.
A
Grã-Bretanha, que desde o anúncio da partilha havia adotado uma
política de não-cooperação com as Nações
Unidas na questão Palestina para não melindrar seus aliados árabes,
recorreu de forma esbaforida ao órgão no final de abril, quando
os hebreus consolidaram sua vitória em Haifa. A mera sugestão de
ameaça à soberania árabe trouxe arrepios aos súditos
da rainha, que, poucas semanas antes, ainda manifestavam a certeza de que os árabes
rapidamente conquistariam os territórios destinados às comunidades
judaicas. No início daquele mesmo mês, o comandante das forças
britânicas na Palestina, general sir Gordon Macmillan, havia dito
que os árabes "não teriam dificuldade em dominar todo o país".
(De forma menos técnica, o secretário das Relações
Exteriores bretão, Ernest Bevin, prevera ainda no ano passado que os judeus
teriam suas "gargantas cortadas".) Com a demonstração
de força dos judeus nas batalhas pré-14 de maio, porém, Arthur
Creech-Jones, secretário colonial da Grã-Bretanha, propôs
em 23 de abril que a Assembléia Geral da ONU pensasse em um objetivo "mais
modesto" do que a partilha – uma solução paliativa sem a pretensão
de resolver o conflito entre árabes e judeus. Desta vez, garantia o dignitário,
a coroa ofereceria todo seu auxílio. Os diplomatas consideraram que o súbito
desejo de engajamento britânico era por demais tardio e ignoraram o apelo.
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| Na resistência: integrantes da Haganá resgatam homem ferido em bombardeio egípcio |
As ações de bastidores dos Estados Unidos da América,
por sua vez, geraram desdobramentos até à véspera da retirada
britânica – e reverberaram, curiosamente, menos nas Nações
Unidas do que entre o Conselho Provisório de Estado sionista. Até
o início deste ano, os americanos acreditavam que a divisão da Palestina
aconteceria de forma cirúrgica. Contudo, a escalada das hostilidades e
a pressão da Liga Árabe em Washington e nas companhias de petróleo
– que controlavam, em dados do ano passado, 42% das reservas do Oriente Médio
e desenvolviam planos de expansão – levaram os americanos a rever paulatinamente
sua posição pró-sionista e recomendar, em 19 de março,
a suspensão da partilha, para horror da Agência Judaica. Warren Austin,
embaixador dos EUA no Conselho de Segurança, sugeriu que fosse adotada
uma administração conjunta da ONU na Palestina.
Mal recebido
pelas outras delegações, o plano foi considerado um ataque à
autoridade das Nações Unidas. A União Soviética, mantendo
sua posição pró-partilha, protestou, argumentando que os
Estados Unidos estavam preocupados apenas com o petróleo árabe e
que não havia bases legais para sustar o plano aprovado em novembro. Indignado,
o secretário-geral da ONU, o norueguês Trygve Lie, propôs que
tanto ele como o representante americano renunciassem aos respectivos postos em
protesto à afronta – ação negada por Austin. Na virada do
mês, a Liga Árabe e a Agência Judaica rechaçaram oficialmente
o plano de administração conjunta por um ano – mas os Estados Unidos
não desistiram, clamando ainda por uma trégua temporária.
Pulga atrás da orelha - No início de maio,
Dean Rusk, secretário-assistente de Estado, mandou um recado
aos sionistas. A declaração de independência
deveria ser ao menos protelada; caso contrário, Washington
poderia bloquear as transferências de fundos filantrópicos
dos judeus americanos para a nação caçula.
Impressionado, o chefe da Agência Judaica na América,
Nahum Goldmann, transmitiu as informações à
central – Ben-Gurion, contudo, não se deixou intimidar, e,
no dia 4, devolveu um cabograma a Rusk negando o adiamento. Quatro
dias depois, o secretário de Estado George Marshall e o subsecretário
Robert Lovett encontraram-se na capital com Moshe Shertok, ministro
das Relações Exteriores da administração
provisória judaica. Desta vez, não houve ameaças:
os americanos apenas ponderaram que a invasão dos árabes
era iminente, e que, se os judeus insistissem na emancipação
imediata, não deveriam recorrer à ajuda dos Estados
Unidos – que ainda mantinham, apesar dos protestos em diversas cidades,
o embargo de armas ao Oriente Médio.
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| O norueguês Lie, da ONU: uma afronta |
Shertok
lamentou o fato de os americanos não terem mantido o apoio à resolução
da partilha, e atribuiu de antemão boa parte do futuro derramamento de
sangue na Palestina ao recuo dos Estados Unidos, que teria encorajado os árabes
em sua beligerância. E, nesse ponto, a resposta de Marshall colocou uma
pulga atrás da orelha do judeu. "Compreendo o peso de suas palavras.
Não sou eu quem devo dizer-lhe o que fazer. Porém, como militar,
gostaria de alertá-lo: não confie em seus consultores militares.
Sim, eles acabaram de registrar alguns sucessos. Mas o que acontecerá se
houver uma invasão prolongada? Isso irá enfraquecê-los. Tive
esta experiência na China. No começo, foi uma vitória fácil.
Agora eles estão lutando há dois anos e perderam a Manchúria". As
palavras de Marshall ainda ecoavam nos ouvidos dos líderes sionistas na
Palestina quando os membros da Administração Nacional – embrião
de um gabinete recém-criado pelo conselho provisório – reuniram-se
para decidir, em 12 de maio, pela proclamação imediata ou não
do estado judeu. As deliberações duraram nada menos do que onze
horas. Golda Meyerson, diretora do departamento político da Agência
Judaica, relatou o fracasso de sua negociação com o rei Abdullah
da Transjordânia, em uma viagem secreta àquele país – a derradeira
tentativa de um compromisso pacífico entre as partes.
O jovem oficial Yigael Yadin, comandante de operações
da Haganá, força de defesa judaica, apresentou seu
relatório sobre o teatro de operações aos membros.
As tropas hebraicas haviam garantido o controle das linhas de comunicação
no interior da Palestina, mas em algumas regiões a situação
era crítica. Metade de Jerusalém, por exemplo, estava
nas mãos dos árabes – incluindo a malha rodoviária
dos arredores, pela qual a Legião Árabe naquele momento
marchava rumo à cidade. Yadin também demonstrava preocupação
quanto à escassez do arsenal judeu. Pessoalmente, o comandante
acreditava que, com a evacuação britânica programada
para dali a dois dias, armas e material humano poderiam ser rapidamente
integrados às tropas, com 50% de chances de sucesso contra
o assalto árabe. Cauteloso, não descartava que uma
trégua temporária fosse interessante, para possibilitar
o reforço das tropas judaicas sem sacrificar os objetivos
políticos.
Ben-Gurion, porém,
acreditava que a proclamação da independência fortaleceria
o ânimo e o espírito não somente dos combatentes, mas também
da população, que precisaria estar preparada para a inevitável
perda de territórios e vidas. Já o adiamento poderia representar
um anticlímax e abalar o moral das tropas. Ao final da assembléia,
convocou-se o sufrágio que definiria o próximo passo. Por uma apertada
margem de seis votos a quatro, o gabinete decidiu rejeitar a proposta americana
de trégua e declarar, assim que a Union Jack fosse baixada em Jerusalém,
dali a dois dias, a criação do estado judeu na Palestina. Contatado
por telefone em Nova York, o tarimbado Chaim Weizmann, chefe da Agência
Judaica, assentiu. "Proclamem o estado, não importa o que aconteça."
Após dar sua sentença, o veterano explodiu, em iídiche. "O
que estão esperando, os idiotas?"
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| Presidentes: Truman e Weizmann (à dir.) |
Êxitos e temores - Horas depois da cerimônia
de proclamação de independência em Tel-Aviv,
Chaim Weizmann foi nomeado presidente de Israel, e Ben-Gurion, primeiro-ministro.
Em seguida, o Conselho de Estado revogou por unanimidade o Livro
Branco de 1939, documento inglês que regulava a imigração
de judeus para a Palestina. Ainda no dia 14 de maio, por intercessão
direta do presidente Harry Truman, os EUA, apesar de toda a oposição
à independência, foram os primeiros a reconhecer o
estado de Israel, causando surpresa entre os diplomatas das Nações
Unidas. Andrei Gromyko, representante da União Soviética,
criticou os americanos, por colocar a assembléia em uma "posição
ridícula". Fontes próximas a Truman garantem
que o comandante-em-chefe andava descontente com as trapalhadas
de seus assessores e que sentiu a importância estratégica
de se antecipar a Moscou no reconhecimento dos sionistas – além
de tudo, não custa lembrar que este é um ano eleitoral
na América, e os votos da enorme comunidade judaica podem
ser decisivos.
A União Soviética
reconheceu Israel dois dias depois – a confirmação dos comunistas
já era esperada, tendo em vista que a criação de um estado
judeu moderno, com forte espírito nacionalista, era mais interessante para
as pretensões históricas de Moscou de ter uma base no Oriente Médio
do que a consolidação de um regime árabe retrógrado,
dependente da Grã-Bretanha. A Coroa, por sua vez, comunicou apenas que
a Palestina não mais fazia parte da Comunidade Britânica, e, acenando
seu pendor em direção aos antigos aliados, garantiu que iria cumprir
seus tratados de fornecimento de armas aos árabes – a menos que as Nações
Unidas afirmassem que estes estivessem agindo ilegalmente de alguma forma.
Crucial para a nação caçula, a batalha diplomática
só não era mais importante do que a contenda bélica
que se descortinava na Palestina. Desde a aprovação
da partilha, a Haganá concentrava-se em dois objetivos: o
primeiro, a segurança da comunidade judaica durante o período
da retirada britânica, e o segundo, a defesa do território
contra a possível e provável invasão árabe
em larga escala a partir do dia 14 de maio. O êxito das tropas
judaicas na primeira questão, registrado ao longo das últimas
semanas com a tomada de cidades estratégicas como Haifa –
subjugada em 21 de abril após três dias de embates
contra os árabes – foi coroado com a conquista da Galiléia
setentrional, no início de maio. Na última peleja,
em Safed, remota comunidade montanhesa em que 1.400 judeus viviam
cercados por dez mil árabes, as tropas do comandante Yigal
Allon repeliram os mercenários sírios comandados por
Adib al-Shishakli, causando a fuga dos habitantes árabes.
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| Sob nova direção: judeus trocam placa |
Dessa forma, o norte da Palestina estava controlado, assim
como o litoral: Jaffa, última cidade dominada pelo inimigo, caiu na manhã
do dia 14 de maio – mais uma vez, 70.000 árabes deixaram suas casas em
terror. Livre da responsabilidade de proteger seus enclaves (à exceção
de Jerusalém, o cenário parecia todo favorável aos judeus),
a Haganá pôde finalmente concentrar todas as suas forças na
contenda contra os exércitos invasores.
Rumo à Galiléia
- Às vésperas do início da guerra, as forças árabes,
somadas, eram pouco maiores que as de Israel – aproximadamente 32.500 homens contra
30.000. A vantagem dos atacantes, porém, era seu maior poder de fogo, que
incluía forças aéreas à disposição.
Divididas em nove brigadas pelo chefe da Haganá, as forças de Israel
foram distribuídas em quatro fronts: três unidades no norte, duas
na costa (para proteger Tel-Aviv), duas no sul e duas nas montanhas da Judéia,
a fim de defender Jerusalém e conquistar a posse das estradas nas redondezas
da cidade.
No norte, os libaneses que seguiam rumo à Galiléia,
assim como os iraquianos e sírios que atacaram colônias
judaicas no vale do rio Jordão, não têm se mostrado
ameaças sérias para as forças da Haganá.
Suas investidas estão sendo facilmente controladas pelos
israelenses. As mais duras batalhas são disputadas na Judéia
– onde permanece o cerco da Legião Árabe do rei Abdullah
a Jerusalém – e no sul. Ali, os egípcios, avançando
com duas brigadas, já conquistaram Gaza, e agora seguem,
a despeito de feroz resistência, a passos largos rumo a Tel-Aviv.
Pelos últimos relatos do front, o brigadeiro Muhammad Naguib,
comandante da Segunda Brigada egípcia, está a perigosos
25 quilômetros da periferia da urbe.
Perder o controle da espetacular cidade de 250.000 habitantes, berço
e sede do recém-criado estado de Israel, será um golpe quase fatal
para os judeus, em que pese todo e qualquer outro sucesso no teatro de operações.
Por isso, o general Yadin já convocou reforços vindos de Jerusalém,
e, de acordo com fontes militares israelenses, poderá a qualquer momento
engendrar uma emboscada noturna contra os egípcios, extraindo da escuridão
e da surpresa a força necessária para derrotar os inimigos. Manter
Tel-Aviv em segurança antes da trégua programada para 11 de junho
é condição sine qua non para que, no período
de cessar-fogo, Israel reorganize seu exército e planeje com cautela os
próximos passos na guerra contra os árabes. Sem isso, o estado de
Israel corre o risco de se esvair pouco tempo depois do nascimento – e David Ben-Gurion
e seus pares sionistas estarão mais distantes do sonho de desfrutar do
solo sagrado que, acreditam, foi prometido por Deus a seus antepassados.
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