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DATAS
MORRERAM: Unity Valkyrie Mitford, uma das famosas
irmãs Mitford, em decorrência de meningite. Simpatizante
do nazismo e amiga de Adolf Hitler, Unity nasceu em Londres, em
uma família de aristocratas britânicos ligada a movimentos
de extrema-direita seu pai, David Freeman-Mitford, barão
de Redesdale, foi da União Britânica de Fascistas.
Curiosamente, Unity foi concebida numa cidade canadense chamada
Swastika ("suástica" em inglês), onde a família
tinha negócios no setor de mineração. As cinco
filhas do barão ficaram conhecidas pela discórdia
familiar discutida abertamente na imprensa em torno de suas
ideologias políticas. Nos anos que antecederam a II Grande
Guerra, se dividiram entre o comunismo e o fascismo. Unity puxou
ao pai: com a irmã Diana, visitou a Alemanha nazista e conheceu
Hitler, Himmler, Göring, Goebbels e outros chefões do
Terceiro Reich. Aos jornais alemães, Hitler disse que Unity
era "um perfeito espécime de mulher ariana". Em
cartas e artigos, ela pediu a expulsão dos judeus da Grã-Bretanha
(e em 1938, mudou-se para a casa confiscada de um judeu em Munique).
A inteligência britânica afirmava que Unity era "mais
nazista que os nazistas alemães". Quando a Grã-Bretanha
declarou guerra a Hitler, em 1939, Unity, então com 25 anos,
escreveu uma carta ao führer e deu um tiro na cabeça
com uma pistola ornada em pérola presente do próprio
líder nazista. A arma, contudo, fracassou tanto quanto as
tropas do Reich na guerra: Unity sobreviveu. Com graves seqüelas
neurológicas, teve de retornar à Grã-Bretanha,
onde vivia sob os cuidados da mãe. No fim deste mês,
foi levada a um hospital de Oxfordshire, pois seu estado de saúde
havia se agravado. A bala jamais foi retirada de sua cabeça,
já que a cirurgia seria arriscada demais. O inchaço
cerebral causado pelo projétil provocou a meningite. Unity
tinha 33 anos. Dia 28, em Oban.
o jornalista americano George Polk, correspondente
da rede CBS no Oriente Médio, executado com um tiro à
queima-roupa, desferido contra sua nuca. Polk, de 34 anos, cobria
a guerra civil da Grécia quando desapareceu, no último
dia 9. Em suas reportagens sobre o conflito grego, Polk criticava
tanto os comunistas, liderados por Markos Vafiades, como o governo
monarco-fascista de Atenas, controlado pelo Exército. Conforme
sua viúva, Rea Polk, o repórter estava prestes a revelar
um episódio de corrupção envolvendo forças
do governo com apoio dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.
O jornalista foi visto pela última vez quando viajava para
entrevistar o comunista Vafiades. Uma semana depois, seu corpo foi
encontrado num porto grego, com as pernas e braços amarrados.
O governo acusou os guerrilheiros esquerdistas pelo assassinato,
mas os comunistas culpam o governo acostumado a praticar tortura
e eliminar inimigos pela execução. Um grupo de jornalistas
americanos capitaneado pelo escritor Ernest Hemingway pretende arrecadar
dinheiro para custear uma investigação independente
do crime. Dia 16, em Salônica.
Kathleen Agnes Kennedy Cavendish,
socialite e marquesa de Hartington, vítima de um acidente aéreo
na região de Ardèche, no sul da França. Kathleen, de 28 anos,
era a segunda filha do diplomata americano Joseph Kennedy, que também é
pai do deputado John Kennedy, do Partido Democrata. Kathleen cresceu em Massachusetts.
Aos 18 anos, quando o pai foi nomeado embaixador americano na Grã-Bretanha
pelo então presidente Franklin Roosevelt, Kathleen mudou-se com a família
para Londres, onde estudou na Queens College e foi eleita a "mais célebre
debutante de 1938". Bonita e atrevida, fez sucesso na sociedade londrina.
Com o começo da II Grande Guerra, voltou aos Estados Unidos. Em 1943, porém,
decidiu retornar à Europa, para trabalhar numa base da Cruz Vermelha. Foi
onde conheceu o marquês de Hartington, John Robert Cavendish, com quem se
casaria em 1944. Como o noivo era protestante e a família Kennedy é
católica, os pais não aceitaram o convite para prestigiar a cerimônia.
Só o irmão mais velho, Joseph Kennedy Jr., compareceu. O casamento
durou quatro meses: o marquês foi morto em combate na guerra (assim como
o irmão Joseph, um mês antes). A bela e jovem viúva continuou
no circuito social londrino e tornou-se amante do conde Peter Wenworth FitzWilliam,
também protestante. O casal embarcou rumo a Boston para pedir a bênção
de Joseph Kennedy para o casamento, mas ambos morreram na viagem, num desastre
de avião. Só o pai compareceu ao funeral a mãe, Rose, não
apareceu e ainda pediu aos outros filhos que fizessem o mesmo. Ela desaprovava
os planos de Kathleen de se casar mais uma vez fora da religião católica.
Dia 13, em Saint-Bauzile.
FUNDADOS: o movimento pela união da Europa,
no Congresso de Haia, na Holanda, com o objetivo de aprofundar a
integração dos países europeus. O encontro
reuniu 750 delegados de nações do continente, além
de observadores do Canadá e dos Estados Unidos. Presidido
pelo ex-premiê britânico Winston Churchill, o congresso
discutiu idéias para desenvolver um novo tipo de cooperação
política na Europa. Figuras de grande relevo como Harold
MacMillan, François Miterrand, Albert Coppé, Konrad
Adenauer e Altiero Spinelli participaram dos debates. A conclusão
da histórica conferência foi marcada pelo lançamento
de um projeto da união política, econômica e
monetária do continente. O congresso também tratou
da estrutura e escopo do futuro Conselho da Europa, a ser inaugurado
no ano que vem. Dia 11, em Haia.
a
República Democrática Popular da Coréia, ou simplesmente
"Coréia do Norte", que ocupará metade da Península
da Coréia, no leste da Ásia. O novo estado, com governo de doutrina
comunista, foi formado como resposta à recente independência da parte
sul da península, que formou a República da Coréia. A divisão
da península coreana é resultado do embate ideológico entre
as esferas de influência americana e soviética, um conflito que vem
sendo chamado de "guerra fria" termo popularizado pelo jornalista
e analista político americano Walter Lippmann, autor de um livro intitulado
The Cold War, lançado no ano passado. No fim da II Grande Guerra,
quando as forças aliadas libertaram a península da dominação
japonesa, tanto americanos como soviéticos instalaram tropas na Coréia
e cada lado apoiou a formação de um governo. A porção
comunista da terra em disputa já elegeu seu primeiro dirigente: Kim Il-sung,
responsável pela formação do Exército Popular da Coréia
do Norte, em fevereiro, com farto apoio logístico e material de Moscou.
Dia 1Ί, em Pyongyang. ELEITO: presidente da República
da Itália o jornalista, economista e advogado Luigi Einaudi, de
74 anos, do Partido Liberal Italiano. Nascido no Piemonte, Einaudi estudou em
Turim, onde tornou-se simpatizante do socialismo. No século XX, porém,
adotou uma posição política mais conservadora e foi nomeado
senador, ainda na monarquia. Escreveu nos jornais La Stampa e Il Corriere
della Sera, além de colaborar com a revista britânica The
Economist. Durante a II Grande Guerra, refugiou-se na Suíça.
De volta ao país após o fim do conflito, tornou-se governador do
Banco da Itália e ministro das Finanças, Tesouro e Balanço,
além de vice-premiê. Einaudi é o segundo presidente italiano
na era republicana, sucedendo Enrico De Nicola, que ocupava o cargo desde 1946.
O novo presidente promete acelerar a reconstrução econômica
do país. Dia 11, em Roma. ACUSADOS: de traição
o marechal Josip Tito e o governo da Iugoslávia, pelo Partido
Comunista da União Soviética. Os vermelhos de Moscou afirmam que
os aliados bálticos têm se negado a aceitar as decisões do
Cominform, o birô de informação comunista, que reúne
os partidos socialistas de todas as nações da esfera de influência
soviética. Josef Stalin, peça dominante da organização,
encomendou a formação do órgão em decorrência
das divergências entre os países em relação à
Conferência de Paris, que discutiu o Plano Marshall, em 1947 (leia reportagem
nesta edição). Conforme o PC soviético, Tito antes
um dos parceiros favoritos de Stalin ignora a arbitragem do Cominform para resolver
as diferenças entre os dois países. O ditador iugoslavo compartilha
a ideologia comunista com o Kremlin. Desde o fim da II Grande Guerra, no entanto,
o marechal tem deixado cada vez mais claro que não quer submeter seu poder
às ordens de Moscou ou acatar as tentativas de intervenção
ou influência da URSS. Muitos observadores estrangeiros já apostam
num rompimento definitivo entre Stalin e Tito. Dia 17, em Moscou. |