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Casamento
VEJA, Maio de 1536

Quem é Jane Seymour, a terceira esposa de Henrique VIII – rainha católica,
admiradora de Catarina de Aragão e moça prendada. Esperança do rei é de que
a nova consorte herde o potencial reprodutivo da mãe, que teve seis meninos
epois de uma década de convivência com Lady Encrenca, sua majestade parece querer agora apenas paz e tranquilidade, ao menos no que diz respeito à vida no casamento. Não à toa, para ser sua nova esposa (o matrimônio foi celebrado numa cerimônia íntima, no Palácio de Whitehall, no último dia 30), o rei selecionou uma mulher que, para o bem e para o mal, representa o extremo oposto da independente e ousada Ana Bolena. Aos 27 anos, sete deles na corte – onde foi dama de honra das duas últimas rainhas – Jane Seymour traz de volta ao trono a consorte ideal: amável, reservada e subserviente.
Prometendo erradicar os excessos introduzidos por sua antecessora, a rainha quer devolver a discrição e a virtude às personagens femininas da corte, não só na postura como também na forma de se vestir. De saída estão os capuzes franceses arredondados, que viraram mania graças à influência de Ana Bolena, abrindo espaço para o retorno dos tradicionais e sóbrios capuzes em formato de tenda, os preferidos de Catarina de Aragão – modelo de realeza para Jane Seymour, com quem tinha em comum também a ardorosa fé católica e a reprovação à reforma da Igreja.
Na comparação com as duas primeiras mulheres de Henrique VIII, a atual ganha nas categorias serviços domésticos e habilidades com a agulha, resultado de uma educação tradicional – nada extraordinária e ilustrada como a que receberam Catarina e Ana, por exemplo. Jane Seymour escreve e lê com dificuldades, mas, depois da experiência com Ana Bolena, uma mulher algo menos culta e inteligente não seria de todo ruim para o monarca.

Casta e bordadeira - Apesar de ser loira e ter a pele alva, da forma como os homens britânicos as preferem, a nova consorte também não tem uma beleza arrebatadora. Suas feições e sua estatura são meramente ordinárias – não é maldade dizer que seus caprichados bordados são mais chamativos. Para Henrique VIII, porém, tudo isso é secundário. A pressa com que conduziu Jane Seymour ao trono – entre Ana Bolena estar na cova e Jane no altar, passaram-se apenas onze dias – mostra que a função principal a ser cumprida pela nova companheira é mesmo a de procriação.
Nisso, aliás, o potencial de sua esposa de número três é espantoso. Jovem, casta – os cortesãos garantem que estava intocada até o momento em que o rei nela colocou suas garras – e no auge de sua capacidade reprodutiva, a consorte apresenta animadores predicados: sua mãe, Margery Wentworth, deu à luz a nove crianças, seis das quais do sexo masculino. Se o soberano fizer sua parte, desta vez ele tem tudo para chegar lá. |