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Teatro
VEJA, 1° de julho de 1501

Texto sobre paixão proibida inaugura nova fase na dramaturgia européia

ma paixão doentia. Um romance intermediado por uma ambígua alcoviteira. Serviçais e prostitutas trocando insultos. Escândalo, amor e morte. Tudo isso faz parte de uma das tramas mais empolgantes já escritas em castelhano, a Comedia de Calisto y Melibea. Lançada em 1499, por Fernando de Rojas, um judeu convertido ao cristianismo, a peça chega agora à segunda edição, publicada em Sevilha. Fruto de um conflito audacioso entre a sensualidade desenfreada e a obsessão pela morte, a comédia consegue expressar de forma brilhante as angústias e desejos que consomem o espírito humano. Para um país sem dramaturgia como é o caso da Espanha, trata-se de uma obra-prima, que custará a ser superada. Calisto y Melibea arrebata pela intrigante Celestina - nome da personagem pela qual o público já se refere à obra.

Celestina: diálogos saborosos, ingenuidade e cinismo

Celestina protagoniza diálogos saborosos, passando de ingênua a cínica num piscar de olhos. Ela convence a bela Melibea que é em nome de Deus que quer aproximá-la de Calisto. E evoca o diabo para que ajude Calisto a conquistar sua musa. Com perfeito senso de ação dramática, o autor dá a cada grupo social um tratamento. As cenas onde aparece gente do povo, como serviçais e prostitutas, seguem o modelo da sátira popular. Já os diálogos mais elaborados, entre os personagens-título, parecem buscar inspiração nas letras clássicas. Calisto, sofrendo por não consumar sua paixão, seria vítima do tipo de amor tão bem descrito por Platão. Combinar duas influências avistando um novo senso moral é o mérito do autor. Não devem tardar versões em outros idiomas.

 

 

 

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