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Imprensa
VEJA, 1° de julho de 1501
Técnica de Gutenberg inunda o continente com
uma enxurrada de 20 milhões de livros
esde
que o alemão Johann Gutenberg criou a prensa com tipos móveis
e produziu sua primeira Bíblia, há menos de cinqüenta
anos, o número de livros impressos vem crescendo dramaticamente.
Graças às facilidades dessa técnica já
foram lançadas mais de 40.000 edições diferentes,
num total calculado em até 20 milhões de exemplares.
O livro impresso parece ter vindo para ficar. Em toda a Europa,
247 tipografias estão em funcionamento. Essa rápida
multiplicação reforça a superstição
popular de que o impresso, sem mão nem pena, tem origem sobrenatural,
demoníaca até. Permitindo a disseminação
de idéias e conhecimentos com rapidez e facilidade jamais
vistas, a invenção de Gutenberg está semeando
uma verdadeira revolução cultural. O entusiasmo com
o livro impresso é tão grande que as novas edições
estão cada vez mais modernas, perdendo a aparência
de manuscrito que mantinham originalmente, para não espantar
os consumidores do novo produto.
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| A prensa de tipos móveis, inventada no século
XV: acesso à informação rápida e barata |
Os
lançamentos do ano passado trouxeram como novidade o título
da obra na primeira página. Como se sabe, nos manuscritos
o título vinha na capa, caprichosamente gravado em ouro ou
prata, e se repetia na última página, junto com a
identificação do copista. A inovação
se tornou necessária porque as capas ainda são feitas
a mão, mas, com o aumento das tiragens propiciado pela técnica
de Gutenberg atualmente elas chegam a 275 ou até 300
exemplares , os copistas não dão conta do trabalho
e os livros impressos estavam saindo sem título. Aliás,
encontrar copistas hoje em dia é tarefa difícil: eles
estão mudando de ramo. A maioria prefere dedicar-se à
tipografia, ofício que requer bem mais técnica do
que arte.
O
que se perde em beleza, com a gradual extinção do
trabalho manual, ganha-se em velocidade. Um exemplo eloqüente
é a divulgação da carta na qual o navegador
genovês Cristóvão Colombo conta a descoberta
de terras ao Ocidente. A versão impressa foi lançada
em Barcelona no início de abril de 1493, sob patrocínio
dos reis da Espanha, interessados na difusão da boa nova.
Menos de um mês depois de sua publicação, já
estava traduzida para o latim e editada em Roma com o título
De Insulis Inventis. Nos anos seguintes, outras seis edições
em latim foram lançadas por tipógrafos de Paris, Basiléia
e Antuérpia. Os alemães, na sua recente rebeldia contra
o latim, preferiram traduzi-la e editá-la em sua própria
língua. Assim também o fez um editor de Florença,
traduzindo a carta para o dialeto vulgar da Toscana, que chamam
de língua italiana. A casa impressora Aldina, de Veneza,
continua distribuindo a obra em outras praças do Mediterrâneo,
por intermédio dos mercadores que passam pelo porto da cidade.
A descoberta da Terra de Santa Cruz não deve demorar a ter
o mesmo destino.
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