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 1° de julho de 1501
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Scala/Art Resource
Albrecht Dürer, no auto-retrato: beleza divina


O pintor alemão Albrecht Dürer, 30 anos, tem dois objetivos artísticos, ambos muito ambiciosos: buscar a beleza absoluta e refletir a glória da criação divina na arte. Para alcançá-los, dedica-se a estudos exaustivos, inclusive de fórmulas matemáticas que possibilitem descrever a beleza humana. Suas admiradoras, tão entusiasmadas pelas habilidades do artista quanto por sua aparência, garantem que ele não precisaria esforçar-se tanto, pois tudo o que procura já foi alcançado. A prova, suspiram as donzelas, está em seu último auto-retrato: Dürer fez-se belo como um Cristo. Para as fãs, não restam dúvidas de que a beleza do pintor é divina.

 

Que ninguém estranhe se vir a esposa de um rico mercador exibindo jóias que pertenceram à família Medici, de Florença. Filho de Lourenço, o Magnífico, Piero de Medici está dilapidando a fortuna herdada. Sem vocação para os negócios e menos ainda para a política, ele perdeu o domínio que sua família exercia em Florença e também os bancos e empresas deixados pelo pai. Há três anos, Piero abandonou seu palácio, antecipando-se ao ataque de Carlos VIII, então rei da França. Como se não bastasse a pilhagem promovida pelos franceses, Piero ainda teve suas contas bancárias confiscadas pelo novo governo de Florença e, com a cabeça a prêmio, foi obrigado a viver no exílio. Parte do que Piero carregava na noite da fuga já foi dada em penhor - e, de lá, para novos donos.

 

A corte francesa continua a inventar estilos. À frente das novidades está Ana da Bretanha, a poderosa herdeira que já desposou dois reis - viúva de Carlos VIII, casou-se há dois anos com seu sucessor, Luís XII. Agora, ela faz-se acompanhar por "damas de honra", designação oficial das mulheres da nobreza convocadas para festas e convescotes sociais. As damas de honra circulam pelo palácio como convidadas da rainha, desfrutando seu convívio e colaborando para entretê-la. Comenta-se, porém, que elas só estão na corte para ofuscar a presença de uma aparentada do rei, Luísa de Saboya, a maior rival política da rainha Ana.

 

A nobreza italiana acaba de ganhar um exigente código de conduta, criado em Mântua por Baldassare Castiglione. A nova etiqueta reza que o perfeito cavalheiro deve comportar-se de modo equilibrado e responsável, demonstrando desenvoltura em suas realizações. Nas armas, nas letras, nos esportes ou nas conversações, recomenda-se evitar o esnobismo - mas não um elegante ar de superioridade. As idéias de Castiglione estarão no livro O Cortesão. Entre os imperativos do autor, um merece destaque: "Nunca sentir tédio".

 

Aos 28 anos, o cônego polonês Nicolau Copérnico já promete ser notícia. Famoso por perceber um eclipse lunar da estrela Aldebaran, ocorrido em 1497, quando estudava astronomia em Bolonha, ele agora está provocando nova agitação. Ao renovar por mais três anos seu afastamento da catedral de Frauenburg, deixou furiosos outros cônegos. Detalhe: desde 1499, quando foi designado ao posto, Copérnico nunca compareceu. Conseguiu uma licença, alegando que não poderia interromper seus estudos sobre o movimento dos astros. Alguns invejosos o acusam de não cumprir com as obrigações religiosas, apesar da renda mensal que recebe da Igreja. Com idéias brilhantes e um tratamento tão privilegiado, não seria espantoso se Copérnico acabasse redefinindo o lugar da Terra no Universo.

 



Joana, a louca (à esq.), e a piedosa Catarina: diferentes


O humor dos reis espanhóis, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, muda da água para o vinho quando o assunto gira sobre suas jovens filhas. A caçula, Catarina, de apenas 15 anos, piedosa, inteligente e recém-casada com o príncipe Artur, herdeiro do trono da Inglaterra, é o orgulho do casal real. Já no caso de Joana, 21 anos, a primeira na linha de sucessão depois da morte dos irmãos mais velhos, o panorama é sombrio. A instável princesa só dá motivos de preocupação. Casada com Felipe, o Belo, filho do imperador germânico Maximiliano I, ela ficou famosa pelo ciúme doentio que demonstra em relação ao marido. Seus escândalos já lhe valeram o apelido de "a louca", referência nada sutil aos perceptíveis sinais de insanidade. Seus empregados temem que Joana, já surpreendida falando sozinha no meio da noite, venha a ter idéias suicidas.