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| Albrecht Dürer, no auto-retrato: beleza
divina |
O
pintor alemão Albrecht Dürer, 30 anos, tem dois objetivos
artísticos, ambos muito ambiciosos: buscar a beleza absoluta e refletir
a glória da criação divina na arte. Para alcançá-los, dedica-se
a estudos exaustivos, inclusive de fórmulas matemáticas que possibilitem
descrever a beleza humana. Suas admiradoras, tão entusiasmadas pelas
habilidades do artista quanto por sua aparência, garantem que ele
não precisaria esforçar-se tanto, pois tudo o que procura já foi
alcançado. A prova, suspiram as donzelas, está em seu último auto-retrato:
Dürer fez-se belo como um Cristo. Para as fãs, não restam dúvidas
de que a beleza do pintor é divina.

Que
ninguém estranhe se vir a esposa de um rico mercador exibindo jóias
que pertenceram à família Medici, de Florença. Filho de Lourenço,
o Magnífico, Piero de Medici está dilapidando a fortuna herdada.
Sem vocação para os negócios e menos ainda para a política, ele
perdeu o domínio que sua família exercia em Florença e também os
bancos e empresas deixados pelo pai. Há três anos, Piero abandonou
seu palácio, antecipando-se ao ataque de Carlos VIII, então rei
da França. Como se não bastasse a pilhagem promovida pelos franceses,
Piero ainda teve suas contas bancárias confiscadas pelo novo governo
de Florença e, com a cabeça a prêmio, foi obrigado a viver no exílio.
Parte do que Piero carregava na noite da fuga já foi dada em penhor
- e, de lá, para novos donos.

A
corte francesa continua a inventar estilos. À frente das novidades
está Ana da Bretanha, a poderosa herdeira que já desposou
dois reis - viúva de Carlos VIII, casou-se há dois anos com seu
sucessor, Luís XII. Agora, ela faz-se acompanhar por "damas de honra",
designação oficial das mulheres da nobreza convocadas para festas
e convescotes sociais. As damas de honra circulam pelo palácio como
convidadas da rainha, desfrutando seu convívio e colaborando para
entretê-la. Comenta-se, porém, que elas só estão na corte para ofuscar
a presença de uma aparentada do rei, Luísa de Saboya, a maior rival
política da rainha Ana.

A
nobreza italiana acaba de ganhar um exigente código de conduta,
criado em Mântua por Baldassare Castiglione. A nova etiqueta
reza que o perfeito cavalheiro deve comportar-se de modo equilibrado
e responsável, demonstrando desenvoltura em suas realizações. Nas
armas, nas letras, nos esportes ou nas conversações, recomenda-se
evitar o esnobismo - mas não um elegante ar de superioridade. As
idéias de Castiglione estarão no livro O Cortesão. Entre os imperativos
do autor, um merece destaque: "Nunca sentir tédio".

Aos
28 anos, o cônego polonês Nicolau Copérnico já promete ser
notícia. Famoso por perceber um eclipse lunar da estrela Aldebaran,
ocorrido em 1497, quando estudava astronomia em Bolonha, ele agora
está provocando nova agitação. Ao renovar por mais três anos seu
afastamento da catedral de Frauenburg, deixou furiosos outros cônegos.
Detalhe: desde 1499, quando foi designado ao posto, Copérnico nunca
compareceu. Conseguiu uma licença, alegando que não poderia interromper
seus estudos sobre o movimento dos astros. Alguns invejosos o acusam
de não cumprir com as obrigações religiosas, apesar da renda mensal
que recebe da Igreja. Com idéias brilhantes e um tratamento tão
privilegiado, não seria espantoso se Copérnico acabasse redefinindo
o lugar da Terra no Universo.
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| Joana, a louca (à
esq.), e a piedosa Catarina: diferentes |
O
humor dos reis espanhóis, Isabel de Castela e Fernando
de Aragão, muda da água para o vinho quando
o assunto gira sobre suas jovens filhas. A caçula,
Catarina, de apenas 15 anos, piedosa, inteligente e
recém-casada com o príncipe Artur, herdeiro
do trono da Inglaterra, é o orgulho do casal real.
Já no caso de Joana, 21 anos, a primeira na
linha de sucessão depois da morte dos irmãos
mais velhos, o panorama é sombrio. A instável
princesa só dá motivos de preocupação.
Casada com Felipe, o Belo, filho do imperador germânico
Maximiliano I, ela ficou famosa pelo ciúme doentio
que demonstra em relação ao marido. Seus escândalos
já lhe valeram o apelido de "a louca", referência
nada sutil aos perceptíveis sinais de insanidade. Seus
empregados temem que Joana, já surpreendida falando
sozinha no meio da noite, venha a ter idéias suicidas.
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