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Índice
Carta ao leitor
VEJA, 1° de julho de 1501

Para ler este especial é preciso entrar no túnel tempo. Imagine-se em Lisboa cinco séculos atrás. O dia é 1º de julho de 1501. A esquadra de Pedro Álvares Cabral acaba de retornar de sua viagem à Índias. E entre os seus relatos extraordinários que ele e seus navegantes trazem da expedição está uma descoberta feita mais de um ano antes. No dia 22 de abril de 1500, ainda no começo de sua empreitada, eles avistaram terras novas a oeste do que na época era chamado de Mar Oceano. Até então, a única notícia que se tinha dessa descoberta era uma carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão da esquadra, despachada imediatamente para a corte. É nessa perspectiva que se deve ler esta edição comemorativa dos 500 anos do descobrimento do Brasil. A viagem de Cabral e os acontecimentos que agitavam o mundo em 1501 são aqui relatados na forma de uma revista semanal de informações - como uma edição de VEJA que tivesse circulado na semana do retorno de Cabral.

Lisboa era então o centro de uma das mais notáveis páginas da história humana. Para ali convergiam marinheiros de toda a Europa, comerciantes, estudiosos das artes náuticas, da astronomia e da geografia. Todos queriam participar da aventura dos descobrimentos e dela tirar o maior proveito possível. Vasco da Gama, sob a mesma bandeira portuguesa, acabara de contornar a África e abrir o caminho para as Índias. Nove anos antes, Cristóvão Colombo, sob contrato dos reis de Espanha, tinha chegado à América. No comércio, nas artes e na cultura o mundo estava em efervescência. Maquiavel alinhava as idéias para escrever O Príncipe, o mais célebre tratado sobre o poder em todos os tempos. Leonardo da Vinci acabara de pintar a Última Ceia. Michelangelo Buonarote deslumbrava a Europa com sua Pietá. O continente era inundado por uma enxurrada de 20 milhões de livros, frutos de uma invenção recente: a prensa de tipos móveis do alemão Johann Gutenberg. Em Roma, a corrupção e fraqueza moral erodiam o poder do Papa. A Inquisão estava no seu auge.

Coordenado pela editora-executiva de VEJA Vilma Gryzinski, que neste projeto chefiou uma equipe de três dezenas de pessoas, de jornalistas a consultores acadêmicos e artistas gráficos, este especial também está sendo publicado em Portugal, pela revista VISÃO, de Lisboa. Os textos das reportagens evitam palavras como Brasil e Oceano Atlântico, que ainda não eram usadas em 1501. No lugar delas, você encontrará termos como Terra de Santa Cruz (nome atribuído ao Brasil na época) e Mar Oceano (o atual Oceano Atlântico). Até a linguagem é temperada com palavras e expressões de cinco séculos atrás. Em lugar de descobrimento, escreve-se achamento - expressão que ainda hoje é usada em Portugal. As ilustrações também são da época, mas para facilitar a compreensão do leitor, os mapas retratam o mundo pela cartografia atual. E, obviamente, os personagens centrais são os portugueses. Por essa razão, encontram-se nas páginas desta edição expressões como "Santa Cruz é nossa" ou "os nossos navios são um prodígio da tecnologia". Portanto, imagine-se em Lisboa cinco séculos atrás - e embarque nessa aventura.

 

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