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Artes e Espetáculos
VEJA, outubro de 1962
Vinícius de Moraes sobe ao palco pela primeira vez e faz
uma temporada
consagradora – foram quarenta shows no Rio de
Janeiro ao
lado de Jobim,
João Gilberto e Os Cariocas
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| Entre amigos, com o copo na mão: Vinícius com Baden Powell (à esq.) e Antonio Carlos Jobim (no piano) |
Como se as carreiras de poeta, jornalista, dramaturgo, letrista, compositor e diplomata não fossem o bastante, Vinícius de Moraes revela agora uma nova faceta – na flor de seus 49 anos, o consagrado artista carioca decidiu subir ao palco e soltar a voz. No mês passado, Vinícius encerrou uma temporada de êxito estrondoso no Rio de Janeiro, dividindo o palco com alguns dos principais nomes da nova música brasileira. Suas composições, principalmente as parcerias com Antonio Carlos Jobim, foram o grande assunto da cidade nas últimas semanas. As canções mais aplaudidas do espetáculo, como Garota de Ipanema, Ela é Carioca, Insensatez, Samba do Avião e Só Danço Samba – todas apresentadas pela primeira vez durante essa consagradora temporada carioca –, agora serão gravadas por diversos artistas, incluindo o próprio Jobim (e talvez com o poeta se arriscando de novo como intérprete). Em breve, o Brasil todo deverá conhecer as novas composições de Vinícius e companhia – afinal, quem conseguiu lugar numa das disputadas apresentações da turma do poeta garante que as canções da nova safra do compositor são as melhores de sua carreira. Têm tudo para fazer grande sucesso país afora.
O belíssimo show, intitulado "O Encontro", movimentou a cidade por quarenta dias, tempo que durou a temporada de estréia de Vinícius como cantor (antes disso, ele só tinha cantado em estúdio, no ano passado, nas gravações de Água de Beber e Lamento no Morro, compostas com Jobim). O poeta pode não ter um timbre aveludado ou uma afinação impecável, mas não fez feio entre os músicos espetaculares com quem dividiu o palco. Além do pianista e cantor Tom Jobim, participaram da temporada o grupo Os Cariocas e o violonista João Gilberto. Milton Banana foi o baterista e Otávio Bailly ficou no contrabaixo. Com essa verdadeira constelação de novas estrelas – a nata da bossa nova –, a boate Au Bon Gourmet, na rua Barata Ribeiro, ficou lotada a cada noite de espetáculo.
Lugar da moda no Rio de Janeiro, a casa ficou ainda mais prestigiada com a realização do show, produzido por Aloísio Oliveira. Vinícius, que neste ano já tinha arrumado tempo para publicar um livro de crônicas e poemas (Para Viver Um Grande Amor), continua prolífico como sempre, apesar de nunca dispensar as longas noitadas cercado dos numerosos amigos, de lindas musas, de boa comida e de ótima bebida. Autor da peça teatral Orfeu da Conceição, o artista também já carrega no currículo várias composições de peso, como Chega de Saudade (com Jobim), Bom Dia, Tristeza (com Adoniran Barbosa) e Eu Sei Que Vou Te Amar, samba-canção de romantismo dilacerante, que foi gravado em mais de vinte versões diferentes só no ano de 1959. Quem sabe Garota de Ipanema e Ela é Carioca sejam capazes de repetir tamanho sucesso.
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