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 CRASH DA BOLSA
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Entrevista: Herbert Hoover
Gente: Groucho Marx, Diego Rivera, Frida Kahlo, Jimmy Doolittle, Francisco Alves
Holofote: Enzo Ferrari, Henry Ford, Giuseppe Martinelli, Joe Kennedy
Datas: Rockefeller Center, Norman Pritchard, Convenção de Genebra, NYRBA Line
  Ponto de Vista: Mahatma Gandhi
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Pânico na Bolsa de Nova York
  A aposta de Rockefeller e Durant
  Babson, o oráculo do apocalipse
  Efeitos no Brasil: café em crise
  Em imagens: 'Roaring Twenties'
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A chapa Getúlio-Pessoa para 1930
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Vaticano, o menor país do mundo
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Sonegação pode pegar Al Capone
  Futebol terá uma Copa do Mundo
  Zeppelin vai fazer vôo comercial
ARTES E ESPETÁCULOS
Um novo romance de Hemingway
  Cinema e televisão agora em cor
  Nova York: inauguração do MoMA
Índice
Artes e espetáculos | Exposição
VEJA, outubro de 1929
Turbulência econômica ainda não afeta a inauguração
do novo Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, que abre suas
portas em Manhattan na primeira semana de novembro
As luzes do modernismo: a tela 'Noite Estrelada', do holandês Van Gogh, artista que será destaque da inauguração do museu

 

Assim que as carregadas brumas da tormenta financeira cobriram os telhados de Wall Street, dez entre dez membros da alta-roda local procuraram madame Abby Aldrich Rockefeller para saber se a crise na Bolsa afetaria o generoso investimento familiar no projeto do futuro Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA, na sigla em inglês). E, a cada contato, a esposa de John D. Rockefeller Jr. não se furtava a um sorriso irônico. Afinal, desde que, no ano passado, em parceria com suas amigas Lillie P. Bliss e Mary Queen Sullivan, Abby teve a idéia de montar um museu dedicado à arte moderna na cosmopolita cidade americana, ela jamais pôde contar com o apoio, moral ou financeiro, do marido, para quem a arte moderna é simplesmente desprezível. Será preciso, portanto, muito mais que o crash ou a mão cerrada do cônjuge endinheirado para impedir as três damas de abrir, no próximo dia 7 de novembro, conforme anunciado com pompa ao high society nova-iorquino, seu templo dedicado ao modernismo.

Sede provisória: torre na Quinta Avenida

A aguardada soirée deve inaugurar oficialmente o segundo museu de arte de Nova York – atualmente, a cidade conta apenas com o Museu Metropolitano de Arte. Este, no entanto, é visto por muitos locais e artistas como um verdadeiro mausoléu. Mesmo contando com uma rica miríade de peças que vão de múmias de faraós egípcios a telas belíssimas de Botticelli e Rembrandt, a instituição congelou no tempo, e hoje é mais visitada por babás em busca de refúgio da chuva e turistas desavisados do que habitantes da rica fauna cultural da cidade. Agitadores culturais já desistiram de tentar montar exposições de arte moderna no "Met". Com isso, Nova York vinha ficando para trás na corrida contra cidades americanas e européias bem menos cosmopolitas, como Cleveland, Worcester e Roterdã, que já têm seus museus de arte moderna e contemporânea. A iniciativa das beneméritas fundadoras, assim, foi bem recebida na cidade, rapidamente amealhando adeptos amantes das belas-artes.

Inicialmente, o Museu de Arte Moderna funcionará em algumas salas alugadas no décimo segundo andar do Heckscher Building, na esquina da Quinta Avenida com a Rua 57. Há planos para, dentro de dois anos, a instituição mudar-se para um prédio próprio. O acervo fixo do estabelecimento conta, por enquanto, com apenas oito quadros e um desenho, todos doados por amigos da causa ao museu. Para a inauguração, o conselho – presidido por Anson Conger Goodyear, antigo presidente da galeria de arte Albright, em Buffalo – preparou uma exposição de luminares da arte moderna: Cézanne, Gauguin, Van Gogh e Renoir, com obras emprestadas de coleções particulares e outros museus. Uma excelente oportunidade para ver os mestres europeus reunidos na América.

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