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VEJA, outubro
de 1929

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| Chico, Groucho, Harpo e Zeppo (a partir da esq.): o mais bigodudo dos irmãos Marx ficou com um buraco na carteira |

Se as coisas vão
bem para os irmãos Marx no cinema – o sucesso do recém-lançado
The Cocoanuts já garantiu a Groucho, Chico, Harpo e Zeppo o contrato
de mais uma produção com a Paramount –, o mesmo não se pode
dizer das finanças do mais bigodudo de seus integrantes. O crash de Wall
Street levou à bancarrota o nova-iorquino JULIUS HENRY "GROUCHO"
MARX, notório pão-duro e investidor noviço na Bolsa.
Na tentativa de salvar suas ações, compradas "na margem"
– por empréstimo –, o comediante de 39 anos não apenas entregou
ao corretor todas as economias que mantinha escondidas no colchão como
também hipotecou sua casa. Ainda assim, o esforço foi em vão.
Os papéis acabaram vendidos e abriram um buraco negro na carteira de Groucho.
Resignado, ele comentou com bom humor a situação. "Alguns de
meus conhecidos perderam milhões. Eu tive mais sorte. Tudo que perdi foram
240.000 dólares. Teria perdido mais, mas esse era todo o dinheiro que eu
tinha."
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| Rivera com Kahlo: o amor não tem lógica |
Segue fazendo sucesso entre
as mulheres o pincel do pintor mexicano DIEGO RIVERA. Galanteador nato,
pai de quatro crianças com três mulheres diferentes, o volumoso muralista
de 42 anos adicionou uma nova beldade à sua aquarela de conquistas. Em
agosto, Rivera desposou a jovem pintora mexicana FRIDA KAHLO, de 22 anos,
que conheceu ainda durante seu casamento com a modelo Guadalupe Marín.
Dona de uma exótica beleza, Kahlo é considerada uma artista fora-de-série,
que une em seus retratos e auto-retratos a tradição local a toques
do surrealismo. Além da paixão pelas tintas, ambos dividem o suporte
entusiástico ao comunismo e às idéias revolucionárias
– a admiração por Leon Trotski é notória. Muito celebrado
no meio artístico mexicano, o matrimônio, porém, não
foi aprovado pela família da noiva. O pai de Frida, o fotógrafo
alemão Wilhelm Kahlo – que depois de chegar ao México, em 1891,
passou a assinar Guillermo –, afirmou que a união era simplesmente ilógica.
"É como o casamento de um elefante com uma pomba", lamentou.
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| O destemido Doolittle: sem visão do que acontecia fora da cabine |

O céu parece
não ser o limite para o célebre aviador americano JAMES "JIMMY"
DOOLITTLE, de 32 anos. No mês passado, o veterano da Força Aérea
Americana, que já assombrava o mundo com suas arrojadas manobras como a
pirueta inversa, realizou o que para muitos parecia impossível: um vôo
cego, baseado apenas em instrumentos de navegação. Doolittle decolou,
manteve seu avião no ar por alguns minutos e depois aterrissou em segurança
– tudo isso sem visão do que acontecia fora da cabine. O feito é
considerado desde já um divisor de águas na história da engenharia
aeronáutica, pois poderá, no futuro, permitir viagens aéreas
em qualquer condição meteorológica. Depois da pioneira experiência,
o americano retornou ao conselho de testes navais, em Mitchel Field, Nova York,
para prosseguir em suas pesquisas. Além de ás no manche, Doolittle
é também um extraordinário engenheiro. Dois dos instrumentos
de navegação aérea que permitiram o vôo cego (o horizonte
artificial e o giroscópio direcional) são engenhocas de sua criação.
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| O 'Príncipe' em ação: voz inconfundível |
Provavelmente não
há, no Brasil, vitrola que jamais tenha tocado um disco de FRANCISCO ALVES. O cantor carioca, que em 1927 colocou sua voz no primeiro disco elétrico
brasileiro – com a marcha Albertina, composta por Duque –, é disparado
o maior fenômeno da indústria fonográfica nacional. Contratado
pela Odeon, Chico Viola caminha célere para o final de 1929 bem perto de
chegar a incrível marca de 300 canções gravadas em disco
nos últimos dois anos. Isso sem contar os registros mecânicos na
Odeonette e Popular. Sambas, toadas, canções, marchas, valsas, hinos,
tangos, paródias, não importa: a inconfundível voz do "Príncipe
dos Cantores Brasileiros" topa qualquer parada, tornando qualquer composição
mixuruca uma deleitosa audição. Não por coincidência,
suas cordas vocais estão sendo muito solicitadas pelas campanhas políticas
visando à eleição de março próximo. Francisco
Alves já gravou a marcha Seu Julinho Vem (Freire Júnior)
e o samba É no Toco da Goiaba (Eduardo Souto e José Jannyni),
ambos para colocar lenha na candidatura de Júlio Prestes. |