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 CRASH DA BOLSA
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Entrevista: Herbert Hoover
Gente: Groucho Marx, Diego Rivera, Frida Kahlo, Jimmy Doolittle, Francisco Alves
Holofote: Enzo Ferrari, Henry Ford, Giuseppe Martinelli, Joe Kennedy
Datas: Rockefeller Center, Norman Pritchard, Convenção de Genebra, NYRBA Line
  Ponto de Vista: Mahatma Gandhi
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Pânico na Bolsa de Nova York
  A aposta de Rockefeller e Durant
  Babson, o oráculo do apocalipse
  Efeitos no Brasil: café em crise
  Em imagens: 'Roaring Twenties'
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A chapa Getúlio-Pessoa para 1930
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Vaticano, o menor país do mundo
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Sonegação pode pegar Al Capone
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  Zeppelin vai fazer vôo comercial
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Um novo romance de Hemingway
  Cinema e televisão agora em cor
  Nova York: inauguração do MoMA
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VEJA, outubro de 1929

Chico, Groucho, Harpo e Zeppo (a partir da esq.): o mais bigodudo dos irmãos Marx ficou com um buraco na carteira




Se as coisas vão bem para os irmãos Marx no cinema – o sucesso do recém-lançado The Cocoanuts já garantiu a Groucho, Chico, Harpo e Zeppo o contrato de mais uma produção com a Paramount –, o mesmo não se pode dizer das finanças do mais bigodudo de seus integrantes. O crash de Wall Street levou à bancarrota o nova-iorquino JULIUS HENRY "GROUCHO" MARX, notório pão-duro e investidor noviço na Bolsa. Na tentativa de salvar suas ações, compradas "na margem" – por empréstimo –, o comediante de 39 anos não apenas entregou ao corretor todas as economias que mantinha escondidas no colchão como também hipotecou sua casa. Ainda assim, o esforço foi em vão. Os papéis acabaram vendidos e abriram um buraco negro na carteira de Groucho. Resignado, ele comentou com bom humor a situação. "Alguns de meus conhecidos perderam milhões. Eu tive mais sorte. Tudo que perdi foram 240.000 dólares. Teria perdido mais, mas esse era todo o dinheiro que eu tinha."

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Rivera com Kahlo: o amor não tem lógica

Segue fazendo sucesso entre as mulheres o pincel do pintor mexicano DIEGO RIVERA. Galanteador nato, pai de quatro crianças com três mulheres diferentes, o volumoso muralista de 42 anos adicionou uma nova beldade à sua aquarela de conquistas. Em agosto, Rivera desposou a jovem pintora mexicana FRIDA KAHLO, de 22 anos, que conheceu ainda durante seu casamento com a modelo Guadalupe Marín. Dona de uma exótica beleza, Kahlo é considerada uma artista fora-de-série, que une em seus retratos e auto-retratos a tradição local a toques do surrealismo. Além da paixão pelas tintas, ambos dividem o suporte entusiástico ao comunismo e às idéias revolucionárias – a admiração por Leon Trotski é notória. Muito celebrado no meio artístico mexicano, o matrimônio, porém, não foi aprovado pela família da noiva. O pai de Frida, o fotógrafo alemão Wilhelm Kahlo – que depois de chegar ao México, em 1891, passou a assinar Guillermo –, afirmou que a união era simplesmente ilógica. "É como o casamento de um elefante com uma pomba", lamentou.

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O destemido Doolittle: sem visão do que acontecia fora da cabine




O céu parece não ser o limite para o célebre aviador americano JAMES "JIMMY" DOOLITTLE, de 32 anos. No mês passado, o veterano da Força Aérea Americana, que já assombrava o mundo com suas arrojadas manobras como a pirueta inversa, realizou o que para muitos parecia impossível: um vôo cego, baseado apenas em instrumentos de navegação. Doolittle decolou, manteve seu avião no ar por alguns minutos e depois aterrissou em segurança – tudo isso sem visão do que acontecia fora da cabine. O feito é considerado desde já um divisor de águas na história da engenharia aeronáutica, pois poderá, no futuro, permitir viagens aéreas em qualquer condição meteorológica. Depois da pioneira experiência, o americano retornou ao conselho de testes navais, em Mitchel Field, Nova York, para prosseguir em suas pesquisas. Além de ás no manche, Doolittle é também um extraordinário engenheiro. Dois dos instrumentos de navegação aérea que permitiram o vôo cego (o horizonte artificial e o giroscópio direcional) são engenhocas de sua criação.

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O 'Príncipe' em ação: voz inconfundível

Provavelmente não há, no Brasil, vitrola que jamais tenha tocado um disco de FRANCISCO ALVES. O cantor carioca, que em 1927 colocou sua voz no primeiro disco elétrico brasileiro – com a marcha Albertina, composta por Duque –, é disparado o maior fenômeno da indústria fonográfica nacional. Contratado pela Odeon, Chico Viola caminha célere para o final de 1929 bem perto de chegar a incrível marca de 300 canções gravadas em disco nos últimos dois anos. Isso sem contar os registros mecânicos na Odeonette e Popular. Sambas, toadas, canções, marchas, valsas, hinos, tangos, paródias, não importa: a inconfundível voz do "Príncipe dos Cantores Brasileiros" topa qualquer parada, tornando qualquer composição mixuruca uma deleitosa audição. Não por coincidência, suas cordas vocais estão sendo muito solicitadas pelas campanhas políticas visando à eleição de março próximo. Francisco Alves já gravou a marcha Seu Julinho Vem (Freire Júnior) e o samba É no Toco da Goiaba (Eduardo Souto e José Jannyni), ambos para colocar lenha na candidatura de Júlio Prestes.

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