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Aviação
VEJA, outubro
de 1929
Na esteira do sucesso do vôo ao redor do
mundo, empresa
alemã
anuncia linhas comerciais com o fabuloso Zeppelin. Brasil será
um dos destinos, mas o preço é para poucos: mil dólares
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| Um meio de transporte espetacular: com 213 metros de comprimento, o Graf Zeppelin já realizou um vôo ao redor do mundo |
Parece interminável a estupefação internacional
com a façanha do Graf Zeppelin LZ 127 no último mês
de agosto. O colosso alemão de 213 metros de comprimento,
com formato que lembra os salsichões típicos de seu
país de origem, tornou-se a primeira nave da história
da humanidade a realizar um vôo ao redor do planeta, epopéia
de 21 dias e 34.600 quilômetros. Com escalas nos Estados Unidos,
Alemanha e Japão, o dirigível arrastou multidões
em suas paradas, despertando admiração e curiosidade
generalizadas. Aproveitando o sucesso de sua empreitada, o comandante
Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin, empresa alemã
que fabricou a aeronave, apresentou os novos planos envolvendo o
gigantesco cilindro mais leve que o ar. E, para júbilo dos
fãs nacionais, muito em breve o Zeppelin poderá ser
visto nos céus brasileiros.
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| Mais leve que o ar: funcionários e curiosos recebem o 'salsichão' em mais um pouso |
A companhia tedesca pretende implantar linhas comerciais entre
a Europa e as Américas –num primeiro momento, com destino
aos Estados Unidos; posteriormente, rumo ao Brasil e à Argentina.
Para isso, deverá construir quatro novos dirigíveis
por conta própria. Além disso, estão previstos
mais um ou dois em sua parceria com a empresa americana Goodyear
– eles farão a travessia entre a costa oeste dos Estados
Unidos e o Havaí e as Filipinas. Os cilindros voadores deverão
também transportar correspondências e encomendas. Um
contrato com o correio alemão já é dado como
certo, e nos Estados Unidos os representantes da companhia já
se mobilizam para acertar acordo semelhante. O dinheiro advindo
desses contratos deverá ser investido na construção
de novas aeronaves.
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| Só para demonstrações: Graf não voará |
Apesar de toda a aclamação, Eckener diz que o Graf
Zeppelin que desfilou pelo mundo não será usado nos
vôos comerciais – foi construído para demonstrações
e ficará reservado para tanto. De acordo
com ele, o melhor produto da empresa é ainda o LZ 126, batizado
Los Angeles, de 200 metros, aerodinamicamente perfeito.
A partir do ano que vem, a empresa pretende realizar quatro
viagens transatlânticas por semana, duas em cada sentido.
Nos EUA, os dirigíveis deverão fazer pousos em Baltimore,
Washington ou Richmond; no lado europeu, serão estações-base
Friedrichshafen (sede da empresa, onde até o final do ano
será inaugurado um moderníssimo hangar) e Berlim,
além de uma cidade na região central da França,
ainda indefinida. A fantasia de se embarcar no Zeppelin,
porém, será para poucos, muito poucos.
As tarifas, de acordo com as estimativas iniciais, custarão
uma pequena fortuna: mil dólares por passageiro. Sorte que
olhar o vôo elegante dessa majestosa invenção
não custa nada.
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