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| O presidente: Prestes é o escolhido |
A apenas cinco meses da eleição para presidente
e vice-presidente da República, a chapa oposicionista formada
pelos candidatos Getúlio Vargas e João Pessoa vai ganhando alma
e corpo no cenário político brasileiro. A recém-criada
Aliança Liberal, liderada pelo Partido Republicano Mineiro
e pela Frente Única Gaúcha (composta pelos partidos
Libertador e Republicano Rio-Grandense), já espalha suas
tenazes contestadoras por todo o país. Além do apoio vindo de Minas
Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, o movimento já
recebeu adesão da maioria das oposições estaduais,
incluindo o Partido Democrático de São Paulo e o
Partido Democrático do Distrito Federal, e promete uma
reviravolta na eleição de 1º de março de
1930. Já o presidente Washington Luís mantém
firme a indicação do presidente de São Paulo,
Júlio Prestes, para sua sucessão no ano que vem– indicação
essa, justamente, a causadora de toda a celeuma que hoje anima
a política naciona e a contagem regressiva paa a eleiçãol, por romper subitamente a política do café
com leite e conclamar mineiros e gaúchos contra os paulistas.
No final do mês passado, em convenção no
Rio de Janeiro, os articuladores das candidaturas Vargas e Pessoa
homologaram a chapa e aprovaram seu programa de governo, preparado
e redigido pelo republicano gaúcho Lindolfo Collor – que
também é diretor do jornal A Pátria,
porta-voz oficial da coligação. Entre as principais
diretrizes aliancistas estão a criação de
uma Justiça Eleitoral, a representação popular
pelo voto secreto, a independência do Judiciário
e a anistia para os revolucionários de 1922 e 1924. A plataforma
prevê também uma ampliação das medidas
protecionistas para bens de exportação para além
do café. Além disso, traz uma série de regulamentações
para proteger e beneficiar os trabalhadores, como regras para
trabalho do menor e da mulher, uma lei de férias e a extensão
do direito à aposentadoria.
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| Getúlio e Pessoa: a chapa está formada |
Em meio ao fogo cruzado, contudo, Getúlio Vargas e Washington
Luís estabeleceram nos bastidores um acordo de cavalheiros.
Foi acertado que, em caso de derrota da oposição,
o gaúcho aceitaria o resultado e apoiaria o novo governo
de Júlio Prestes. Em contrapartida, o governo federal assumia
o compromisso de reconhecer a vitória dos candidatos aliancistas
na eleição para a Câmara dos Deputados e não
apoiar a oposição gaúcha. Mas não
são todos os integrantes da Aliança Liberal que
comungam dessa idéia. Uma corrente mais radical do movimento,
que conta com políticos como Oswaldo Aranha, Virgílio
de Melo Franco e João Neves da Fontoura, já começa
a alardear que, na hipótese fatídica de derrota
nas urnas, um movimento armado seria a solução.
Já teria sido feito até um contato com os tenentes,
que ainda gozam de prestígio nas fileiras do Exército
e que têm em seu histórico notório pendor
às revoluções. Novidades poderão surgir
a qualquer momento.