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Entretenimento
VEJA, outubro
de 1929
Num salto tecnológico notável, as salas de cinema nos
Estados
Unidos exibem o primeiro filme totalmente colorido e falado.
Cores também chegam ao projeto da televisão elétrica
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| Cenas da película pioneira, dos estúdios Warner Bros: em Technicolor, com falas e músicas perfeitamente sincronizadas |
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| Cartaz do novo filme: 'eficiente e bonito' |
Dois espetaculares avanços registrados nos últimos
meses prometem dar um grande impulso ao mundo da comunicação
e do entretenimento num futuro bastante próximo. O cinema
e a televisão agora podem ganhar realces especiais com
a aplicação de cores. A novidade está mais
próxima dos filmes, que já estão se utilizando
desse progresso aliado a outra inovação igualmente
fabulosa. Trata-se do uso do som numa apresentação
de diálogos perfeitamente sincronizados com as imagens,
de forma nunca antes vista em outro meio. Lançado em maio
nos Estados Unidos, o filme On With The Show une essas
duas novidades: é a primeira obra filmada inteiramente
em Technicolor combinada com uma sonorização das
falas e músicas. A trama da película, um musical
da Broadway que sofre uma série de revezes, não
tem exatamente empolgado a crítica. Todos, porém,
foram unânimes em apontar o sucesso dos novos efeitos técnicos
– não à toa, o filme lotou cinemas em Nova York
e Los Angeles por esse aspecto vanguardístico.
Alan Crosland, diretor de On With The Show, compensou
o roteiro fraco com as vozes da famosa cantora Ethel Waters em
dois números musicais, que são considerados o ponto
alto da obra. O crítico Maurice Kann, editor da gazeta
especializada Film Daily, de Nova York, apontou a introdução
da música dentro da narrativa como o futuro do gênero.
"É eficiente, bonito e uma demonstração
clara de como o filme sonoro de amanhã será",
garantiu. Com o êxito de bilheteria, a Warner Bros, produtora
do filme, já aprovou a confecção de novos
filmes com a mesma dobradinha Technicolor e talkie, como
os americanos estão se referindo aos diálogos sincronizados.
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| Experimento com os novos televisores em laboratório americano: uma revolução |
Já aqueles que acompanham o desenvolvimento da televisão
tiveram, em junho último, uma excelente notícia com
o relato da demonstração, também nos EUA, da
possibilidade real de transmissões e recepções
em cores. A proeza, ainda apenas realizada em laboratório
e um tanto complicada de se explicar em vocabulário leigo,
se dá por meio da utilização de três
sistemas de células fotoelétricas, amplificadores,
tubos catódicos e filtros de cores, cada um com uma tela
– vermelha, azul ou verde – em sua extremidade. Um sistema de espelhos,
então, sobrepõe as três imagens monocromáticas
e as transforma em apenas uma, colorida. A demonstração
foi realizada nos laboratórios Bell por Herbert E. Ives,
diretor de pesquisa eletro-ótica da instituição,
e reverberou com vigor no universo científico. Trata-se de
mais um indício das enormes possibilidades desse meio de
comunicação elétrica. É a evolução
da televisão mecânica, que, esperamos, prossiga nessa
toada de avanços.
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