Especial:
PERSONAGENS VEJA, outubro de 1929 Campeões
do capitalismo se arriscam na bolsa e tentam devolver otimismo ao mercado
de ações. Rockefeller, o homem mais rico de todos os tempos,
promete continuar comprando
 |
| O pânico dos operadores em meio à queda:
à espera de sinais positivos dos grandes magnatas americanos |
Na contramão do mercado e até do bom-senso, alguns
figurões que já inscreveram seu nome na história do capitalismo
americano entraram na linha de frente contra a crise para tentar chacoalhar a
economia nacional. Declarações, investimentos, promoções:
vale tudo no apoio organizado para a reestruturação financeira da
ainda baratinada Wall Street. Como o presidente americano, Herbert Hoover, ainda
se mantém parcimonioso em seus comentários sobre o mercado de ações,
ressaltando apenas o que chama de "solidez econômica", a Bolsa
encontrou dois porta-vozes de peso nos últimos dias.
 |
| John D. Rockefeller: investimento sólido |
O primeiro deles, o magnata filantropo John D. Rockefeller, 90 anos,
da Standard Oil, saiu de um silêncio de décadas ao emitir uma reconfortante
mensagem diretamente de sua majestosa propriedade de Pocantico Hills, em Nova
York. "Como acreditamos que as condições fundamentais do país
são sólidas e que não há nada na situação
financeira que garanta seqüência da queda de preços verificada
nas bolsas na semana passada, meu filho e eu estamos há alguns dias adquirindo
ações ordinárias de firmas sólidas", disse o
homem mais rico do mundo em todos os tempos. "Continuamos e continuaremos
nossas compras em quantias substanciais em níveis que, acreditamos, representem
investimentos sólidos", avisou o primeiro bilionário americano.
A declaração levou o famoso comediante Eddie Cantor, apelidado "olhos
de banjo", a retrucar, de bate-pronto, apresentando-se como "cômico,
escritor, estatístico e vítima": "É claro, quem
mais tem dinheiro neste país?" A dupla de defesa convocada para
transmitir calma nestes momentos iniciais é completada pelo admirado William
"Billy" Durant, de 67 anos, fundador da General Motors. O visionário
e criativo homem de negócios, desde 1920 afastado do comando da montadora,
já anunciou que pretende investir em ações neste momento
de baixa. O agora proprietário da Durant Motor Co. tentará usar
seu prestígio - e especialmente sua fortuna, estimada em 120 milhões
de dólares - para levantar o mercado. Se quiser, Durant poderá começar
o resgate pelos papéis de sua antiga companhia: cotados a 73 dólares
em setembro, fecharam o mês de outubro a 36 dólares. Curiosamente,
Alfred P. Sloan Jr., o atual presidente da GM Corporation, é outro que
repete que os negócios estão "sólidos". A entrada
de Durant nesse front, porém, é mais emocional do que racional.
 |
| Billy Durant: um fascínio incurável pelos
mistérios da Bolsa de Valores | O veterano, para quem
grandes fortunas parecem ser feitas para ser perdidas, não esconde um trágico
encanto pelos mistérios do mercado financeiro. Sua experiência como
investidor na Bolsa não lhe traz boas recordações. Em 1918,
tentando alavancar as ações da General Motors em um momento de crise
automobilística, Durant perdeu 12 milhões de dólares do próprio
bolso. Desta vez, a aposta deve ser ainda maior. |