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 CRASH DA BOLSA
NESTA EDIÇÃO
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Entrevista: Herbert Hoover
Gente: Groucho Marx, Diego Rivera, Frida Kahlo, Jimmy Doolittle, Francisco Alves
Holofote: Enzo Ferrari, Henry Ford, Giuseppe Martinelli, Joe Kennedy
Datas: Rockefeller Center, Norman Pritchard, Convenção de Genebra, NYRBA Line
  Ponto de Vista: Mahatma Gandhi
ESPECIAL
Pânico na Bolsa de Nova York
  A aposta de Rockefeller e Durant
  Babson, o oráculo do apocalipse
  Efeitos no Brasil: café em crise
  Em imagens: 'Roaring Twenties'
BRASIL
A chapa Getúlio-Pessoa para 1930
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Vaticano, o menor país do mundo
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Sonegação pode pegar Al Capone
  Futebol terá uma Copa do Mundo
  Zeppelin vai fazer vôo comercial
ARTES E ESPETÁCULOS
Um novo romance de Hemingway
  Cinema e televisão agora em cor
  Nova York: inauguração do MoMA
Índice
Especial: PERSONAGENS
VEJA, outubro de 1929
Campeões do capitalismo se arriscam na bolsa e tentam
devolver otimismo ao mercado de ações. Rockefeller, o homem mais
rico de todos os tempos, promete continuar comprando
O pânico dos operadores em meio à queda: à espera de sinais positivos dos grandes magnatas americanos

 

Na contramão do mercado e até do bom-senso, alguns figurões que já inscreveram seu nome na história do capitalismo americano entraram na linha de frente contra a crise para tentar chacoalhar a economia nacional. Declarações, investimentos, promoções: vale tudo no apoio organizado para a reestruturação financeira da ainda baratinada Wall Street. Como o presidente americano, Herbert Hoover, ainda se mantém parcimonioso em seus comentários sobre o mercado de ações, ressaltando apenas o que chama de "solidez econômica", a Bolsa encontrou dois porta-vozes de peso nos últimos dias.

John D. Rockefeller: investimento sólido

O primeiro deles, o magnata filantropo John D. Rockefeller, 90 anos, da Standard Oil, saiu de um silêncio de décadas ao emitir uma reconfortante mensagem diretamente de sua majestosa propriedade de Pocantico Hills, em Nova York. "Como acreditamos que as condições fundamentais do país são sólidas e que não há nada na situação financeira que garanta seqüência da queda de preços verificada nas bolsas na semana passada, meu filho e eu estamos há alguns dias adquirindo ações ordinárias de firmas sólidas", disse o homem mais rico do mundo em todos os tempos. "Continuamos e continuaremos nossas compras em quantias substanciais em níveis que, acreditamos, representem investimentos sólidos", avisou o primeiro bilionário americano. A declaração levou o famoso comediante Eddie Cantor, apelidado "olhos de banjo", a retrucar, de bate-pronto, apresentando-se como "cômico, escritor, estatístico e vítima": "É claro, quem mais tem dinheiro neste país?"

A dupla de defesa convocada para transmitir calma nestes momentos iniciais é completada pelo admirado William "Billy" Durant, de 67 anos, fundador da General Motors. O visionário e criativo homem de negócios, desde 1920 afastado do comando da montadora, já anunciou que pretende investir em ações neste momento de baixa. O agora proprietário da Durant Motor Co. tentará usar seu prestígio - e especialmente sua fortuna, estimada em 120 milhões de dólares - para levantar o mercado. Se quiser, Durant poderá começar o resgate pelos papéis de sua antiga companhia: cotados a 73 dólares em setembro, fecharam o mês de outubro a 36 dólares. Curiosamente, Alfred P. Sloan Jr., o atual presidente da GM Corporation, é outro que repete que os negócios estão "sólidos". A entrada de Durant nesse front, porém, é mais emocional do que racional.

Billy Durant: um fascínio incurável pelos mistérios da Bolsa de Valores

O veterano, para quem grandes fortunas parecem ser feitas para ser perdidas, não esconde um trágico encanto pelos mistérios do mercado financeiro. Sua experiência como investidor na Bolsa não lhe traz boas recordações. Em 1918, tentando alavancar as ações da General Motors em um momento de crise automobilística, Durant perdeu 12 milhões de dólares do próprio bolso. Desta vez, a aposta deve ser ainda maior.

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