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Edição Extra: A DELEGAÇÃO
VEJA, Junho de 1962

Para eles, a conquista é uma rotina. Conheça os craques que repetiram 1958 e ampliaram sua extensa e rica galeria de títulos. Eles conhecem de cor o caminho para a glória
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| Campeões: de pé, D. Santos, Zito, Gilmar, Zózimo, N. Santos e Mauro; agachados, Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo |
Nada menos que catorze jogadores brasileiros levantaram a taça Jules Rimet quatro anos atrás e bisaram a façanha no Chile. Para os veteranos da Copa da Suécia, chegar ao topo do mundo era uma sensação já conhecida – e, justamente porque sentiram o gosto doce da conquista, esses mestres da bola queriam repetir a dose. Para completar, muitos dos bicampeões são atletas de clubes "papa-títulos", como Santos e Botafogo. Foi essa experiência ganhadora – aliada, é claro, ao talento extraordinário dos nossos craques – que ajudou o Brasil nos momentos mais atribulados do torneio. Conheça a seguir algumas das histórias desse grupo tarimbado, competente, entrosado e, acima de tudo, vencedor.
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A barulhenta transferência do Corinthians para o Santos, no ano passado, em nada prejudicou a condição de titular absoluto da meta brasileira deste extraordinário arqueiro. Aos 31 anos, quase uma década depois de estrear na Seleção, Gilmar mantém a técnica, a elasticidade e a liderança que o fizeram um dos baluartes do time campeão mundial de 1958. Mais do que nunca, ficou provado que o goleiro tinha pouco a ver com a péssima fase do Corinthians, clube que defendeu com orgulho desde 1951 e que passou recentemente por um de seus períodos mais vexaminosos – o do "faz-me rir". Com mais uma conquista no currículo, agora é Gilmar quem ri daqueles que colocavam em xeque sua forma e seu profissionalismo.
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Nunca os flancos da seleção estiveram tão bem-servidos: do lado direito, Djalma Santos; do lado esquerdo, Nilton Santos. Os "irmãos Santos", como acreditam muitos estrangeiros – sabemos, claro, que não são parentes –, estão ligados fraternalmente pelo fino trato com a bola. Para o carioca e botafoguense Nílton, de 37 anos, qualquer panegírico é insuficiente. Veterano de três Copas, vitorioso em campo e fora dele, é exemplo e conselheiro para os mais jovens. Para o paulistano e palmeirense Djalma, de 33 anos, o torneio do Chile foi a consagração definitiva. Em 1958, começou jogando a finalíssima contra a Suécia e foi eleito – apenas por essa partida, a única que disputou em todo o torneio – o melhor de sua posição no mundial. Agora, Djalma emprestou sua categoria ao Brasil nos seis jogos da campanha do bicampeonato. Um par fenomenal.
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Totalmente renovada em relação ao miolo defensivo titular na Suécia, a dupla de zaga composta por Mauro e Zózimo em nada ficou a dever a Bellini e Orlando Peçanha, os antigos donos da posição. Mauro Ramos de Oliveira, de 31 anos, que herdou o posto e a braçadeira de capitão de Bellini, levantou a Jules Rimet com a mesma elegância com que desfila sua classe na zaga central do Santos – não à toa, é conhecido no meio futebolístico como "Martha Rocha". Seu companheiro, Zózimo, de 29 anos, do Bangu, fez parte do elenco campeão em 1958, mas só sentiu a ação de um Mundial no Chile, cumprindo com galhardia seu papel.
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Um é o pulmão; o outro, o cérebro. No Chile, os experientes Zito e Didi repetiram a parceria – e o sucesso – da Copa do Mundo da Suécia. Os quatro anos que separaram as duas competições em nada afetaram a performance destes senhores da meia cancha brasileira. O santista Zito, que chega neste ano a seus 30 carnavais, extrapola as incumbências defensivas como poucos: não raro, os ataques do Brasil começam dos pés do "gerente", que ainda marca gols importantes, como o da virada na final contra a Tchecoslováquia. Aos 33 anos e de volta à velha forma no Botafogo, Didi superou a traumática experiência no Real Madrid e mostrou a Di Stefano, Puskas e companhia bela, responsáveis pelo boicote covarde ao brasileiro no clube merengue, que uma coisa é ser senhor da Europa – e outra, fora do alcance até mesmo de excelentes jogadores como a dupla madrilenha, é vencer o mundo.
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Diante da resplandescência de nomes como os titulares Pelé e Garrincha – e até do reserva Amarildo, ungido pelos deuses do futebol no Chile –, muitos torcedores se esquecem que há vida além das estrelas no ataque da seleção brasileira. Mas, na batalha acirrada de uma partida de futebol, os coadjuvantes Zagallo e Vavá se revestem de uma importância incomensurável na engrenagem da seleção brasileira. Quando, por uma razão ou outra, os craques engripam, lá estão eles a resolver a parada. Também veteranos da Copa de 1958, o botafoguense Zagallo e o palmeirense Vavá foram titulares absolutos em ambos os torneios – nesta edição do campeonato mundial, o avante do Palmeiras terminou no topo da artilharia da Seleção, com quatro gols, ao lado de Garrincha.
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Ayrton, Zezé e Aymoré: eis o brilhante legado do clã dos Moreira ao futebol brasileiro. Do trio de atletas transformados em treinadores, Aymoré Moreira pode ser considerado, sem nenhum demérito aos manos, como o mais completo. Goleiro que compensava a baixa estatura com uma espantosa agilidade, Aymoré chegou à Seleção aos 20 anos, brilhando no Botafogo e no Palestra Itália. Ainda na década de 1950, já como treinador, esteve à frente do escrete em algumas partidas, e voltou no ano passado com a meta de levar o time ao bi mundial. Com a vitória no Chile, superou o sucesso do irmão Zezé, comandante do Brasil no Sul-Americano de 1952 e na Copa do Mundo de 1954. O correto e estudioso Aymoré, de 50 anos, contornou a ausência de Pelé com a cirúrgica inclusão de Amarildo no escrete – uma transição tão suave que correu o risco de passar despercebida.
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