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  BEATLEMANIA
NESTA EDIÇÃO
O histórico show na TV dos EUA
  Entrevista: 'mentor' Brian Epstein
  Em Liverpool, infância turbulenta
  Quarrymen, onde tudo começou
  Hamburgo, o fim da adolescência
  No topo das paradas americanas
  Um panorama do rock neste ano
  No topo das paradas americanas
  Sucesso com toque de marketing
  Entrevista bem humorada no JFK
  Fãs brasileiros do grupo britânico
  Artigo: o produtor George Martin
VÍDEOS
Índice
O SUCESSO
VEJA, Fevereiro de 1964

Uma espetacular estratégia de propaganda espalhou anúncios, buttons,
adesivos e até perucas dos Beatles pelos EUA. Deu certo: ‘I Want To Hold
Your Hand’ finalmente colocou os ingleses no topo da Billboard.

Ed Sullivan recebe os rapazes em seu palco: o apresentador quis pagar só um cachê simbólico para cobrir despesas da banda

O ano de 1963 já estava quase chegando ao fim. No dia 22 de novembro, os rapazes de Liverpool lançaram no Reino Unido seu segundo LP, With The Beatles, repleto de covers de artistas da Motown. Exatamente no mesmo dia, na distante Dallas, no Texas, o presidente John Fitzgerald Kennedy era assassinado. Depois de um período de luto e confusão, o público precisava de novos heróis – mas nada que fosse pretensioso ou político demais. A Europa tinha caído de paixão por quatro rapazes que pertenciam a um grupo de rock com nome bizarro. Quem sabe a mesma mania não emplacasse na América?

Um pouco antes disso, em 5 de novembro, Brian Epstein, o diligente empresário dos Beatles, desembarcou em Nova York. Ele tinha em mente negócios sérios. Depois de uma certa insistência, convenceu John, Paul, George e Ringo a embarcar para uma turnê promocional pelos Estados Unidos. Mas os Beatles foram firmes: só aceitariam quando tivessem uma música no topo da parada. Na cidade, Epstein se encontrou com o onipotente Ed Sullivan, empresário e apresentador de TV que tinha o poder de construir ou eliminar carreiras artísticas. Sullivan, em visita recente à Inglaterra, tinha visto de perto a histeria da beatlemania.

Sullivan queria os Beatles em seu show dominical na CBS, mas achava que eles ainda não mereciam ser a atração principal do programa. Epstein foi convincente em seus argumentos e Sullivan cedeu, mas com uma condição: os Beatles receberiam apenas um cachê simbólico para cobrir as despesas. A próxima parada de Epstein foi a sede da gravadora Capitol. Com a beatlemania varrendo a Inglaterra e a Europa (e repercutindo em revistas importantes, como a Time e a Newsweek), ele conseguiu fazer com que o single seguinte saísse nos Estados Unidos pela empresa. O acordo foi fechado no dia 13 de dezembro. Assim, I Want To Hold Your Hand foi lançada em janeiro deste ano.

A Capitol havia decidido investir para valer. A idéia era que os nomes de John, Paul, George e Ringo se tornassem conhecidos antes mesmo que eles pisassem em solo americano. Além de publicar fartos anúncios nas revistas de música, a gravadora engendrou uma ambiciosa campanha de marketing. Os vendedores da empresa receberam uma montanha de buttons, todos estampando os rostos e os nomes dos Beatles. Seriam distribuídos por todos os cantos. Também fazia parte do kit promocional perucas que imitavam os cabelos dos garotos e adesivos com a frase "Os Beatles estão chegando!" A campanha da Capitol funcionou como uma máquina perfeitamente azeitada.

No dia 1º deste mês, I Want To Hold You Hand chegou ao primeiro lugar da Billboard, desbancando a antiquada There I’ve Said Again, com o crooner Bobby Vinton. Quando os Beatles desembarcaram nos EUA, uma semana depois, o single já havia vendido 1 milhão de cópias. A imprensa passou a falar do grupo espontaneamente. No geral, as críticas ao disco foram positivas, embora o New York Times achasse pouco provável que a beatlemania fosse exportada com sucesso. Enquanto a Capitol lançava com estardalhaço Meet The Beatles! (uma coletânea produzida sobre fonogramas ingleses), Vee Jay, Swan e MGM entraram na jogada, entupindo o mercado com tudo o que tinham dos Beatles nas mãos. E a mania importada da Inglaterra enfim começava a produzir montes de dinheiro.

Video
'I Want To Hold Your Hand', que chegou ao número um nas paradas americanas

 

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