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Notas
Gaza
Reuters
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Assistimos agora a mais um capítulo do esfacelamento
da faixa de Gaza e seu mais de 1 milhão de habitantes.
Israel meteu os pés pelas mãos ao cortar
o suprimento de energia à região. Apesar
de estar no seu direito de reagir a infindáveis
ataques de foguetes Qassam disparados pelo Hamas, um
Estado democrático não pode infligir punição
coletiva a uma população civil, por pior
que seja sua liderança e poucas são
piores do que aquela exercida pelo grupo terrorista
Hamas.
Gaza deveria ter virado um oásis de paz e prosperidade
depois do fim da ocupação israelense,
em 2005. Ao contrário, se transformou em reduto
de terroristas. A única maneira de se evitar
um desfecho trágico uma reocupação
israelense ou uma escalada das operações
de assassinatos preventivos no local é
que os próprios palestinos acabem com o Hamas.
É bastante simples: não é possível
haver um Estado palestino enquanto houver um grupo terrorista
dominando parte de seu território, armado até
os dentes, atirando centenas de foguetes em direção
ao país vizinho. Os palestinos precisarão
de seu momento Altalena.
Em 1948, logo depois da independência israelense,
o futuro primeiro-ministro e então terrorista
Menachem Begin enviou para o Estado nascente um navio,
chamado Altalena, com quase mil militantes e um grande
carregamento de armas e munições. O navio
chegou a Israel em junho daquele ano, um mês depois
de sua proclamação da independência,
em um momento em que o país se via cercado por
inimigos hostis, determinados a jogar os judeus
ao mar. Begin queria que uma parte dos armamentos
fosse dirigida à organização paramilitar
Irgun. O primeiro-ministro israelense, David Ben-Gurion,
negou essa concessão: ou as armas iriam ao recém-formado
Exército israelense e os membros do Irgun se
juntariam a este, encerrando terminantemente suas atividades,
ou o navio seria afundado. Begin insistiu, trazendo
o navio até a praia de Tel Aviv. O exército
de Israel, em ação comandada por Yitzhak
Rabin, bombardeou o navio, que afundou. Toda a munição
e armamentos foram perdidos, dezesseis membros do Irgun
morreram, mas o Irgun acabou, o Exército se consolidou
e Israel conquistou sua independência. Enquanto
os palestinos não fizerem o mesmo, seu Estado
não nascerá.
Talvez o êxodo de habitantes de Gaza rumo ao Egito
faça com que Mubarak pressione os membros da
Autoridade Palestina a partir para o confronto com o
Hamas, mas não há muita razão para
otimismo.
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