| Notas PF
terceirizada Passei há pouco pelo controle de passaportes de Guarulhos,
com uma surpresa: não são mais agentes da Polícia Federal
que fazem o serviço, mas funcionárias de uma empresa terceirizada.
Esse país é realmente muito estranho. Tanta autarquia pública
ineficiente e corrupta, atuando em setores muitas vezes desnecessários, clamando
pela privatização ou terceirização, e os burocratas
escolhem para terceirizar uma das poucas instituições públicas
que funcionam (a PF), de uma área que é "imprivatizável"
(a segurança) no controle de fronteiras do aeroporto internacional mais
movimentado do país? Como dizem os irmãos cariocas: fala sério!
Já seria ruim se a terceirização fosse para uma empresa
de nível igual ou superior ao da PF, mas a mocinha que me atendeu, coitada,
trabalhava com uma dificuldade maior do que um atendente de McDonald's. E olha
que só precisava ver a data de validade do passaporte. Ficou ali olhando
pra ele como se fosse uma carta de tarô, cheia de significados ocultos. Interesse Nacional Rogério
Montenegro
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Pra
quem anda cansado de ver apenas as questões medíocres e imediatistas
retratadas no debate nacional (às vezes dá a impressão de
que somos a Suíça, com todas as questões nacionais prementes
resolvidas, faltando apenas saber se foi o pai ou a madrasta a jogar a menina
da janela, não é mesmo?) chegou um raio de luz: a revista Interesse
Nacional, cria do ex-embaixador Rubens Barbosa (foto). Trimestral,
com artigos grandes e aprofundados sobre assuntos relevantes para o longo prazo,
a revista é um deleite. A preocupação inicial de que seria
veículo de reprodução das idéias de pessoas vinculadas
ao governo FHC já é desmontada no primeiro número: junto
de um artigo do próprio Barbosa, sobre relações internacionais,
vai um do assessor para assuntos aleatórios, digo, internacionais, Marco
Aurélio Garcia (sim, aquele dos gestos obscenos); junto a um artigo egótico
de Gustavo Franco vai outro de Luiz Gonzaga Belluzzo fazendo o contraponto, de
forma que há uma pluralidade de visões, como convém. (Leia
reportagem de VEJA) Falando nele... Não
sei se entendi bem o artigo de Marco Aurélio. Espero não ter entendido.
Transcrevo o trecho relevante na íntegra: "O comércio exterior brasileiro
com quase todos os países da região [da América do Sul] é
superavitário. O único país com o qual o Brasil tem déficit
é a Bolívia, o que se explica pelas massivas importações
de gás daquele país. Apesar de iniciativas para corrigir essas
distorções - como o Programa de Substituição Competitiva
de Importações, impulsionado pelo governo brasileiro - os resultados
ainda são insuficientes. A explicação para esse desequilíbrio
está, em boa medida, ligada à diversidade da economia brasileira,
que garante altos níveis de auto-suficiência. Essa assimetria,
que pode comprometer o esforço de integração, se corrige
não só pelo aperfeiçoamento de mecanismos comerciais. Isso
envolve, ao lado da integração energética e de infra-estrutura
física, o estímulo a mecanismos de substituição
de importação em todos os países da região, o
que se dará pelo aumento dos investimentos e com a complementação
produtiva. Em ambas as alternativas, o Brasil poderá ter um papel mais
relevante do que vem tendo." Se entendi bem, temos um assessor direto
da presidência da República do Brasil dizendo, como nunca antes na
história desse país e, creio, de nenhum outro, o seguinte: 1
- O superávit comercial brasileiro, fruto da pujança das nossas
exportações, que traz divisas ao Brasil e aumenta seu PIB, é
uma "assimetria" que deve ser corrigida. 2 - Um membro do governo brasileiro
está encorajando países vizinhos a parar de comprar produtos brasileiros
e substituí-los por produtos fabricados em seu território, dessa
forma prejudicando os produtores brasileiros e auxiliando seus competidores de
outros países 3 - O governo brasileiro está desempenhando
papel ativo nesse ato de lesa-pátria, mas é pouco. Em todas as iniciativas
que desfavorecem nosso PIB, nossas contas externas, nossa captação
de reservas e as empresas nacionais, o governo pode ainda fazer muito mais. Espero
que não seja isso que o nosso assessor quis dizer pois, se for, não
lhe resta outro caminho que não a transferência do nosso governo
para aquele dos nossos vizinhos. Começou mal Como informou
o sempre vigilante Lauro
Jardim em sua coluna desta quarta-feira, a empresa aérea
que o dono da Jet Blue, David Neeleman, pretende abrir no Brasil já começou
mal. Muito mal. Criou um site para que o internauta escolhesse o novo nome da
empresa, chamou o site de www.voceescolhe.com.br
e tudo, mas aí coloca um aviso dizendo que "o nome mais votado não
necessariamente será o nome escolhido". Ah, é? Então pra
que essa patacoada toda? Explica-se: é que para votar o sujeito precisa
se cadastrar. Pra cadastrar, precisa colocar nome, CPF, e-mail etc. E, claro,
no fim do formulário de cadastro já aparece marcada a opção
"desejo receber news emails [sic] ou mensagens sms [apesar de não pedir
o celular da pessoa - estranho] comunicando o lançamento da empresa". Entendeu?
A engabelação do "você escolhe" não passa de armadilha
para gerar o cadastramento de futuros clientes. Até o momento em que escrevo,
quase cem mil tontos já caíram na cilada. Como vítima
constante do nosso duopólio aéreo, fiquei bastante animado com a
chegada de uma empresa à la Jet Blue ao nosso mercado, capaz de abalar
as estruturas. Ledo engano. Fica claro que o Mister Neeleman já aprendeu
rapidinho o modus operandi local. Se é assim, poderia ficar onde está:
de companhias aéreas que fazem o cliente de palhaço, já estamos
bem servidos. |