| Notas Salário
e qualidade dos professores Sempre que falamos aqui ou nas páginas
da revista da pesquisa empírica que revela não haver relação
entre os salários do professor e a qualidade do ensino que ministram, medido
pelo desempenho de alunos em testes nacionais e internacionais, surge uma contestação
válida (dentre os muitos xingamentos): talvez não haja relação
entre os professores atuais, mas um aumento salarial seria indispensável
para atrair profissionais mais qualificados para a carreira do magistério.
No Brasil, não há evidência que apóie essa hipótese.
O único estudo
que eu conheço que trata do tema no Brasil, de Naercio Menezes-Filho e
Elaine Pazello, demonstra que na maioria dos casos o salário não
tem efeito na rede pública e que, quando ele aparece de maneira significativa
apenas quando se compara o salário de professores da mesma cidade,
mas de redes de ensino diferentes (estadual vs. municipal) - nota-se que os professores
mais jovens que têm salários mais altos têm desempenho melhor.
Não é possível dizer, portanto, se o efeito se deve ao salário
ou à juventude dos professores. Se fosse o salário, seria de se
esperar que pessoas de mais idade, e não apenas os jovens, se sentissem
atraídos a ir para a carreira de professor. Acabo de voltar de um
seminário em El Salvador em que o tema foi discutido em relação
à América Latina como um todo nossos problemas são
bastante parecidos em todo o continente, ainda que o Brasil esteja em posição
pior do que a esperada por seu nível de desenvolvimento. Um dos papers
apresentados, de Daniel Ortega, tratava especificamente dessa questão,
retratando o caso da Venezuela. Lá, há um exame nacional para ingresso
no ensino superior, onde cada aluno deve escolher três opções
de carreira. É possível consultar os dados de desempenho dos alunos
e comparar com as carreiras que escolhem, bem como cruzar esses dados com os salários
de professores por estado. A pergunta que ele busca responder é: nos lugares
de maior salário de professor, aumenta o número de pessoas mais
qualificadas (que tiram notas melhores no exame nacional) que procuram a carreira
do magistério? A resposta, como pode se ver, é negativa. Seria
interessante replicar essa mesma metodologia para o Brasil, talvez com os dados
do Enem ou, melhor ainda, da última série do SAEB. Seria necessário
adicionar a esses testes uma pergunta sobre a carreira que o candidato pretende
seguir. Fica a idéia. |