| Notas UnB Os
alunos da UnB mantêm a invasão da reitoria da instituição, exigindo a renúncia
de seu reitor, envolvido com o escândalo de gastos de cartões de crédito y otras
cositas más. Apóio a sua causa – o reitor Timothy Mulholland efetivamente não
tem mais condições de permanecer no cargo. Mesmo que seja inocente das acusações
que lhe são feitas, deveria se licenciar e responder por elas longe da instituição
que agora prejudica. Não posso concordar, porém, com os métodos dos manifestantes.
Invasão de prédio é ilegalidade. Não se combate uma suspeita de ilegalidade cometendo-se
outra. Há uma série de maneiras democráticas, legítimas de protestar. Infelizmente
a invasão da USP do ano passado, e o tratamento leniente que os invasores receberam
por parte das autoridades competentes, está fazendo escola. Refugiados judeus O Congresso americano aprovou, dia primeiro, uma resolução
instando os EUA a, em todos os seus tratamentos da questão israelo-palestina,
tratar de maneira igual os refugiados judeus e palestinos resultantes da criação
do Estado de Israel e das guerras subseqüentes da região. Essa resolução abrange
não apenas a relação direta dos EUA com israelenses e palestinos, mas também o
representante americano no Quarteto – o grupo composto por EUA, Rússia, União
Européia e Nações Unidas. É um reconhecimento tardio de mais uma
leitura parcial (pró-palestina) do tema, que vinha predominando há anos. Sempre
que se fala do problema dos refugiados, se menciona apenas os refugiados palestinos,
que fugiram de suas casas ou foram expulsos delas quando da guerra de independência
de Israel (1948). Segundo a UNRWA, agência da ONU que cuida do assunto, há atualmente
4,4
milhões de refugiados palestinos – número que inclui os refugiados
originais e seus descendentes. É um problema que parecia intratável, já que se
trata do direito de retorno de centenas de milhares de palestinos à terras que
hoje são de Israel. Se a totalidade dos refugiados voltasse a Israel, o país deixaria
de ser o Estado Judeu e passaria a ter uma maioria árabe, o que é inaceitável
para os líderes israelenses. Deixar os refugiados de lado, porém, seria inaceitável
para a liderança palestina, e a insistência de Arafat no direito de retorno dos
refugiados para Israel (e não para o futuro estado palestino) foi uma das principais
causas para o fracasso das negociações dos dois lados em Camp David (julho de
2000). A questão é tão sensível que quando um instituto de pesquisas palestino
publicou os resultados de uma sondagem
demonstrando que apenas 10% dos refugiados gostariam de ir morar em Israel, a
instituição foi praticamente destruída
por protestantes irados. Pouco se fala, porém, dos refugiados judeus que
foram forçados a emigrar dos países árabes depois da guerra de 1948. Números da
ONU estimaram essa população em 856 .000
judeus em 1948 – mais do que os 711 mil refugiados palestinos do mesmo ano. A
maioria dos refugiados judeus emigrou para Israel, onde foram recebidos como cidadãos
plenos – ao contrário dos imigrantes palestinos, muitos dos quais ainda hoje vivem
em acampamentos precários em vários países árabes e nos territórios palestinos.
Alguns milhares aportaram no Brasil. A resolução do congresso
americano coloca a questão na agenda internacional. É muito improvável que ela
sirva para que os refugiados judeus obtenham alguma compensação, dos países árabes,
por sua propriedade confiscada – algumas estimativas colocam esse valor em 300
bilhões de dólares . Seu impacto maior é na negociação
com os palestinos. Cria uma reciprocidade que permite às lideranças de ambos os
lados diminuir a importância dos problema dos refugiados. Seria impossível, me
parece, o abandono total do problema dos refugiados palestinos em qualquer negociação,
por pior que tenha sido o problema dos refugiados judeus. Mas o ressurgimento
desse episódio pouco tratado da história regional permite sonhar que soluções
de compromisso mais realistas – fundamentalmente a migração de um número controlado
de refugiados palestinos ao próprio estado palestino – possam ser implementadas
na solução deste conflito aparentemente intratável. |