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COLUNISTAS
dubitandum
Gustavo Ioschpe
Economista, especialista em educação “de omnibus dubitandum est”
(duvide de tudo)

DICAS
Livro
Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever.
Vera Ireland (coord.), Unesco/INEP.
Uma excepcional pesquisa com alunos da 4ª série do nosso ensino fundamental que joga luz sobre muitos dos problemas do ensino no país.
 
Site
Centre for the Economics of Education, London School of Economics.
Para quem me escreve perguntando que diabos é a economia da educação, o que economia tem a ver com a área etc., o trabalho desse centro é um bom exemplo. Em inglês.
ARQUIVO
18/02/2009: Falência educacional: complô ou lógica?
03/12/2008: Violência escolar: quem é a vítima?
01/10/2008: Dinheiro não compra educação de qualidade
8/9/2008: Dever do próximo presidente: vetar a expansão curricular
29/8/2008: Preparados para perder
27/8/2008: Cegueira e Comunismo
18/8/2008: A neutralidade como dever
25/7/2008: Assim não, ministro!
05/7/2008: De pais e professores
06/6/2008: Emenda 29 e CSS: não e não
14/5/2008: Educação e capitalismo: aliados ou inimigos?
24/4/2008: Método de alfabetização: o experimento gaúcho
20/3/2008: E se plantássemos cérebros?
21/2/2008: Pesquisa livre e arejamento mental
19/2/2008: Educação é o legado mais duradouro de Cuba
14/2/2008: Errata e honestidade intelectual
13/2/2008: Pelo direito à ruindade
31/1/2008: Gustavo Ioschpe responde aos leitores
17/1/2008: Educação sem povo
15/1/2008: Educação de quem? Para quem?
2/1/2008: Os professores e a "frieza das estatísticas"
20/12/2007: Opinião dos leitores
10/12/2007: O professor desvalorizado
7/12/2007: Professor não é coitado
26/11/2007: Vestiburrar
9/11/2007: O caminho passa por consertar a escola pública
1/11/2007: Preocupe-se. Seu filho é mal educado
19/10/2007: Os leitores e a gratuidade do ensino universitário público
16/10/2007: Opinião dos leitores
05/10/2007: Contra a gratuidade nas universidades públicas
20/09/2007: Educação e a incomunicabilidade dos Brasis
29/08/2007: Quem sou, de onde vim e por que estou aqui

NOTAS
26/9/2008
23/9/2008
17/9/2008
16/9/2008
18/8/2008 - 20/8/2008
12/8/2008 - 13/8/2008
4/8/2008
15/7/2008 - 21/7/2008
14/7/2008
11/7/2008
2/7/2008
30/6/2008
25/6/2008
23/6/2008
18/6/2008
16/6/2008
02/6/2008
26/5/2008
19/5/2008
14/5/2008
07/5/2008
05/5/2008
02/5/2008
17/4/2008
11/4/2008
9/4/2008
7/4/2008
31/3/2008
25/2/2008 - 18/3/2008
22/2/2008
07/2/2008
24/1/2008
23/1/2008
 
 Quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
 

Notas

Samba e Educação

Folha Imagem

Confesso não me interessar por Carnaval desde os 15 ou 16 anos, de modo que não posso tecer elogios ao enredo ou qualidade do desfile da Vai-Vai, campeã de São Paulo. Mas o fato de que o tema da escola de samba tenha sido a educação e sua importância é mais um indício de que a hora da mudança educacional do Brasil está chegando.

Quando eu comecei a pesquisar o assunto, há dez anos, ainda na faculdade, ficava absolutamente impressionado com a ausência de vozes demonstrando o descalabro da educação brasileira e as conseqüências que essa omissão tinha e continuaria tendo para o país. O quadro se manteve basicamente inalterado quando lancei meu último livro, em fins de 2004. De lá para cá, porém, muito mudou. Grupos sociais normalmente refratários ao tema, como o empresariado, passaram a se preocupar com o tema. Os resultados do PISA, antes escondidos, hoje ganham as manchetes de jornais. Mais e mais empresas direcionam suas ações filantrópicas para o setor. Novas ONGs surgem a cada dia. O discurso das lideranças políticas começa a mudar, saindo um pouco – um pouco – da quantidade (cifras, matrículas, investimentos etc.) para a temática que realmente importa, a qualidade. As corporações retrógradas começam a ser confrontadas. Ainda falta muito, muitíssimo, mas pelo menos agora o otimismo começa a ser justificado.

Gaza, de novo

Aba Ebban, ex-ministro das Relações Exteriores de Israel, certa vez disse de Yasser Arafat que "ele não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade". O mesmo pode ser dito de seus sucessores. O Hamas obteve uma inédita onda de simpatia internacional com o bloqueio imposto por Israel à Gaza. Como conseqüência, a fronteira entre Gaza e Egito foi aberta para o livre trânsito de moradores daquele território – que eu me lembre, pela primeira vez. Eis o resultado: junto com os civis procurando mantimentos, dois militantes do Hamas se utilizaram da oportunidade para infiltrar Israel através do Egito e causar um atentado suicida na cidade israelense de Dimona. Resultado: a fronteira entre Israel e Egito, pacífica desde a guerra de 1973, agora será cercada e terá controle mais rígido. Imagino que o Egito não voltará a abrir a fronteira com Gaza. Todos perdem, especialmente os palestinos.

Falando em terrorismo

Li há pouco o livro The Looming Towers, de Lawrence Wright (há uma versão brasileira, chamada O Vulto das Torres). É um relato muito bem montado do caldo de cultura que levou ao atentado de 11 de setembro. A conclusão inescapável da leitura é de que lidaremos com o terrorismo niilista da Al Qaeda por muito tempo. É um conglomerado de pessoas e organizações de vários países, que já penetrou em vários cantos do planeta e tem grande habilidade de recrutar mentes incautas e financiadores. É extremamente fácil e barato, atualmente, se criar um atentado de grandes proporções.

Fico surpreso que Bin Laden e seus asseclas não tenham voltado a atacar os EUA. Relatório da inteligência americana divulgado essa semana indica que a organização está fortalecida e com capacidade de ataque. Talvez eles estejam esperando algum momento espetacular para voltar à carga. Às vésperas das eleições americanas seriam exatamente esse momento. Com uma vantagem adicional: com exceção de um enorme vacilo do candidato democrata, creio que um ataque em solo americano seria o único evento capaz de dar a vitória eleitoral a John McCain. Para a Al Qaeda, essa vitória seria um bônus. O senador do Arizona já declarou que pretende ficar no Iraque até que a guerra seja vitoriosa, nem que seja por cem anos. Como parece, para mim e a torcida do Flamengo, que essa guerra não é militarmente vencível, teríamos a presença americana no Iraque por tempo indeterminado. Como causa para motivar os "shahid" (mártir), nada poderia ser melhor.

 
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