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Notas
Samba e Educação
Folha Imagem
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Confesso não me interessar por Carnaval desde
os 15 ou 16 anos, de modo que não posso tecer
elogios ao enredo ou qualidade do desfile da Vai-Vai,
campeã de São Paulo. Mas o fato de que
o tema da escola de samba tenha sido a educação
e sua importância é mais um indício
de que a hora da mudança educacional do Brasil
está chegando.
Quando eu comecei a pesquisar o assunto, há
dez anos, ainda na faculdade, ficava absolutamente impressionado
com a ausência de vozes demonstrando o descalabro
da educação brasileira e as conseqüências
que essa omissão tinha e continuaria tendo para
o país. O quadro se manteve basicamente inalterado
quando lancei meu último livro, em fins de 2004.
De lá para cá, porém, muito mudou.
Grupos sociais normalmente refratários ao tema,
como o empresariado, passaram a se preocupar com o tema.
Os resultados do PISA, antes escondidos, hoje ganham
as manchetes de jornais. Mais e mais empresas direcionam
suas ações filantrópicas para o
setor. Novas ONGs surgem a cada dia. O discurso das
lideranças políticas começa a mudar,
saindo um pouco um pouco da quantidade
(cifras, matrículas, investimentos etc.) para
a temática que realmente importa, a qualidade.
As corporações retrógradas começam
a ser confrontadas. Ainda falta muito, muitíssimo,
mas pelo menos agora o otimismo começa a ser
justificado.
Gaza, de novo
Aba Ebban, ex-ministro das Relações Exteriores de Israel,
certa vez disse de Yasser Arafat que "ele não perde
uma oportunidade de perder uma oportunidade". O mesmo
pode ser dito de seus sucessores. O Hamas obteve uma
inédita onda de simpatia internacional com o bloqueio
imposto por Israel à Gaza. Como conseqüência, a fronteira
entre Gaza e Egito foi aberta para o livre trânsito
de moradores daquele território – que eu me lembre,
pela primeira vez. Eis o resultado: junto com os civis
procurando mantimentos, dois militantes do Hamas se
utilizaram da oportunidade para infiltrar Israel através
do Egito e causar um atentado suicida na cidade israelense
de Dimona. Resultado: a fronteira entre Israel e Egito,
pacífica desde a guerra de 1973, agora será cercada
e terá controle mais rígido. Imagino que o Egito não
voltará a abrir a fronteira com Gaza. Todos perdem,
especialmente os palestinos.
Falando em terrorismo
Li há pouco o livro The Looming Towers,
de Lawrence Wright (há uma versão brasileira,
chamada O Vulto das Torres). É um relato muito
bem montado do caldo de cultura que levou ao atentado
de 11 de setembro. A conclusão inescapável
da leitura é de que lidaremos com o terrorismo
niilista da Al Qaeda por muito tempo. É um conglomerado
de pessoas e organizações de vários
países, que já penetrou em vários
cantos do planeta e tem grande habilidade de recrutar
mentes incautas e financiadores. É extremamente
fácil e barato, atualmente, se criar um atentado
de grandes proporções.
Fico surpreso que Bin Laden e seus asseclas não
tenham voltado a atacar os EUA. Relatório da
inteligência americana divulgado essa semana indica
que a organização está fortalecida
e com capacidade de ataque. Talvez eles estejam esperando
algum momento espetacular para voltar à carga.
Às vésperas das eleições
americanas seriam exatamente esse momento. Com uma vantagem
adicional: com exceção de um enorme vacilo
do candidato democrata, creio que um ataque em solo
americano seria o único evento capaz de dar a
vitória eleitoral a John McCain. Para a Al Qaeda,
essa vitória seria um bônus. O senador
do Arizona já declarou que pretende ficar no
Iraque até que a guerra seja vitoriosa, nem que
seja por cem anos. Como parece, para mim e a torcida
do Flamengo, que essa guerra não é militarmente
vencível, teríamos a presença americana
no Iraque por tempo indeterminado. Como causa para motivar
os "shahid" (mártir), nada poderia
ser melhor.
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