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Estimativa da área
protegida
Essa estimativa conservadora de nossa área protegida
é obtida da seguinte maneira: a área total
é resultado da soma das áreas de floresta
com as áreas de reserva legal, prevista por lei.
As áreas de floresta foram obtidas através
de levantamento do Serviço Florestal Brasileiro
publicado pela Folha
de S. Paulo em 9 de julho de 2007. Segundo
esse levantamento, há 193,8 milhões de
hectares (1,938 milhões de km2) de florestas
federais no país. Destes, 94% na Amazônia
Legal - 1,822 milhões de km2. Os outros 6% -
116.301 km2 - de florestas federais estão em
outras áreas do país.
A Amazônia Legal, área que ocupa 5,217
milhões de km2, abrange os estados do Acre, Amapá,
Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e partes
de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
Subtraindo os 1,822 de milhões de km2 de florestas
federais da área da Amazônia Legal, temos
3,395 milhões de km2 que não são
de florestas na Amazônia Legal. Supondo que toda
essa área fosse privada - e certamente não
é, já que há áreas de reserva
indígena, parques e unidades de conservação
que estão fora da área de floresta - 80%
dela deveria ser preservada. De acordo com o código
florestal brasileiro, 80% das terras dentro da Amazônia
Legal deve ser preservada. Isso significa mais uma área
protegida de 2,716 milhões de km2. Segundo Fabio
França, gerente de projetos das Unidades de Conservação
do Ministério do Meio Ambiente, há poucos
anos foi criado um programa através do qual o
dono de terras pode comprar uma área e doa-la
ao poder público ao invés de manter os
80% de reserva legal dentro da sua propriedade. O número
de hectares de terras públicas que chegou ao
domínio público através desse mecanismo
é, segundo França, irrisório, aparecendo
só na "quinta casa depois da vírgula"
no cálculo da área pública total.
Há, é certo, áreas urbanas no perímetro
da Amazônia Legal, que não estão
sujeitas às exigências da reserva legal.
Mas nesse território os conglomerados urbanos
são tão escassos, e a área ocupada
por outras unidades de conservação que
não foram incluídas nesse cálculo
é tão grande, que o resultado líquido
da inclusão de áreas urbanas e áreas
protegidas seria certamente de aumentar a área
protegida total, não de diminuí-la. A
única atividade econômica permitida nas
áreas de reserva legal é aquela que não
desvirtue a sua composição original -
uma área de floresta, mata ou cerrado não
pode, por exemplo, dar lugar ao pasto ou à plantação,
nem virar área urbana, nem ter uma indústria
ali instalada. Pode-se apenas cortar madeira, e ainda
assim de forma bastante controlada: é proibido
o corte raso e é proibido o corte que impeça
a área como um todo de manter as suas características
originais.
Na Amazônia Legal, portanto, temos um total de
4,538 milhões de km2 protegidos - 2,716 oriundos
de reserva legal e 1,822 de florestas federais.
Fora da Amazônia legal, temos três categorias
de preservação. Em primeiro lugar, as
florestas federais, que representam 116.301 km2. Em
segundo, a área de reserva legal, de 20%. Aplicado
ao total de propriedades agrícolas registradas
no censo agrícola 2006 do IBGE , essa área
corresponde a 278 mil km2. Há ainda uma área
de 455 mil km2 registrada no censo como sendo de matas
e florestas. Estima-se que a maior parte dessa área,
aproximadamente 400 mil km2, seja da área de
preservação da Mata Atlântica, mas
é possível que haja uma pequena sobreposição
deste último item com a área de florestas
federais. Somando as três fontes, temos uma área
protegida de 849 mil km2 - novamente uma estimativa
bastante conservador, mesmo se considerando a possibilidade
de sobreposição de florestas federais,
já que não computa as áreas protegidas
de estados e municípios, nem áreas protegidas
como as margens de rios, topos de morros, áreas
de altitude superior a 1.800 metros etc. - todas áreas
de preservação permanente segundo o código
florestal brasileiro (lei federal número 4.771).
Somando os 849 mil km2 da área brasileira protegida
fora da Amazônia Legal aos 4,538 milhões
de km2 desta, temos uma área total protegida
de 5,387 milhões de km2, ou o equivalente a 63%
do território brasileiro.
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