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Tropeços reabrem debate sobre treinador, zaga e faixa de capitão na seleção

Pressão sobre Dunga aumentou com más atuações diante de Uruguai e Paraguai. Novamente, Neymar não exerceu o papel de líder do time, assim como David Luiz, que teve atuação desastrosa e foi suspenso

A imagem da seleção brasileira, que já não era nada boa, ficou ainda mais abalada com os empates contra Uruguai e Paraguai, que deixaram o time fora da zona de classificação para a Copa da Rússia em 2018. O técnico Dunga, o zagueiro David Luiz e o astro Neymar foram os principais alvos de críticas. O primeiro foi novamente contestado pela falta de padrão técnico e tático do time; o segundo pela desastrosa atuação diante do Uruguai em Recife; e o último por, mais uma vez, desfalcar a seleção por indisciplina e não exercer o papel que se espera do capitão do time.

O craque do Barcelona já havia prejudicado a seleção com seu destempero na Copa América, quando foi suspenso por quatro jogos pela expulsão contra a Colômbia. Em seus últimos 10 jogos pelo Brasil, Neymar recebeu cinco cartões amarelos e um vermelho. Diante do Uruguai, ele foi suspenso por uma entrada dura e desnecessária em Álvaro Gonzalez. O fato de ter deixado a delegação e ter sido visto farreando em Santa Catarina também não contou a ser favor. É cada vez mais claro que Neymar é o capitão por questões técnicas e não comportamentais (assim como acontece com Lionel Messi na Argentina) – ou, talvez, por falta de opção.

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A faixa de capitão (que, ironicamente, foi vestida com competência por Dunga nas Copas de 1994 e 1998) é um problema antigo da segunda passagem do treinador. A inesquecível cena de Thiago Silva sentado na bola e chorando na decisão por pênaltis diante do Chile em 2014 parece ter sido levada em conta pelo técnico, que não só retirou a braçadeira do zagueiro do Paris Saint-Germain, como deixou de convocá-lo com frequência. Thiago admitiu ter ficado chateado ao ver a faixa passar para os braços de Neymar – o que irritou Dunga ainda mais.

Na ausência de Neymar, o capitão imediato é o zagueiro Miranda, visto como uma liderança silenciosa para as câmeras, mas influente no vestiário. No momento, porém, quem tem exercido melhor a condição de líder é o experiente Daniel Alves, autor do gol de empate diante do Paraguai. Com um discurso bastante lúcido, o jogador do Barcelona admitiu que a equipe precisa evoluir muito. “Temos que melhorar. Mas penso que este não é o lugar para falar disso. É nos bastidores, conversando e colocando a nossa parte, isso é a seleção brasileira. Para que os rivais nos respeitarem, temos que conseguir a base de trabalho e não com as estrelas que temos no peito”, disse Daniel, na zona mista do Defensores del Chaco.

A zaga, antes o setor mais elogiado (ou menos criticado) da seleção de Dunga, também teve problemas nas duas últimas partidas. David Luiz, considerado outra liderança no grupo, teve uma atuação catastrófica diante do Uruguai, quando falhou em dois gols e quase cedeu a virada ao Uruguai em outra bobeada. Para piorar, o zagueiro foi novamente suspenso por cartão – o que, de certa forma, poupou o treinador do constrangimento de ter que decidir por barrá-lo ou mantê-lo. O substituto de David Luiz diante do Paraguai foi Gil, que atualmente joga na China, e demonstrou falta de ritmo de jogo. Miranda e Filipe Luis também não passaram segurança ao setor.

Mas apesar da queda na popularidade de Neymar e David Luiz, o alvo principal da torcida segue sendo o técnico Dunga. Na Arena Pernambuco, o time até começou bem, mas se descontrolou com a reação uruguaia e o treinador não conseguiu alterar o padrão da equipe – ao contrário do técnico adversário, Óscar Tabárez, que com apenas uma substituição tática, aniquilou a seleção brasileira. Diante do Paraguai, novamente o time de Dunga decepcionou, sobretudo com a falta de criatividade e atitude do time na primeira etapa. No fim, o empate veio mais na base do “abafa” do que de uma estratégia organizada. Dunga deve ser mantido pela CBF no cargo, mas sabe que em caso de novos fracassos na Copa América Centenário e na Olimpíada do Rio sua segunda passagem pelo banco da seleção deve ser abreviada.

O atacante uruguaio Edinson Cavani comemora o primeiro gol após falha do zagueiro David Luiz da seleção brasileira

O atacante uruguaio Edinson Cavani comemora o primeiro gol após falha do zagueiro David Luiz da seleção brasileira (VEJA)

(da redação)