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Torcida Jovem Fla está proibida de atuar em estádios

Principais organizadas de Flamengo e Vasco não poderão frequentar jogos oficiais por seis meses. Promotor critica a falta de iniciativa do Ministério do Esporte na identificação de torcedores

“O ministério do Esporte não fez o cadastramento dos integrantes das torcidas. Ele deveria ter colocado catraca eletrônica e instalado aparelho para a identificação biométrica. Enquanto o ministério não fizer isso, não teremos como restringir o acesso do torcedor”, explicou o promotor Pedro Rubim

A torcida Jovem do Flamengo, conhecida como Jovem Fla, está proibida de atuar dentro dos estádios do país durante os próximos seis meses. A decisão foi resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o grupo de torcedores e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através da promotoria de defesa do consumidor. O banimento passa a valer a partir desta terça-feira. Na próxima partida do clube rubro-negro, na quinta-feira, em Volta Redonda, a Jovem Fla não poderá entrar no estádio. O mesmo é válido para a Força Jovem do Vasco, que assinou o TAC e está suspensa desde segunda-feira. Os dois grupos mataram, cada um, um torcedor rival este ano. Em maio, a torcida organizada do Vasco espancou Bruno Saturnino, integrante da organizada do Flamengo, que acabou morrendo. Como represália, um grupo da Jovem Fla matou, neste mês de agosto, o vascaíno Diego Martins Leal.

Inquéritos policiais abertos investigam as duas mortes, para encaminhamento ao Minsitério Público e, espera-se, denúncia à Justiça contra os culpados. A pribição de participação nos estádios é contra as torcidas como instituições, algo que, por enquanto, não resolveu o problema. Prova da insistência desses grupos em promover badernas e ataques foi a confusão que deixou dois vascaínos espancados, na tarde de sábado. Integrantes de outra organizada, a Young Flu, do Fluminense, foram mandados para o presídio de Bangu 2, acusados de lesão corporal, formação de quadrilha e outros delitos.

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“Ambos os casos envolvem vingança, atuação mediante emboscada e prática de homicídio. Há uma simetria”, disse o promotor de Justiça Pedro Rubim para explicar o porquê de penalizações semelhantes para os grupos do Flamengo e do Vasco.

As duas torcidas não poderão entrar com faixas, bandeiras, camisas da organizada e instrumentos musicais. A assinatura do acordo isenta as duas torcidas de enfrentar uma ação civil pública. “Se houvesse um processo judicial, poderia existir o risco de demora e incerteza da punição”, afirma. “Tentamos, assim, controlar a crise de violência que começou com a morte de Bruno Saturnino e foi até o fim de semana passado”, disse Rubim.

Apesar de defender o Termo de Ajustamento de Conduta com as organizadas, o promotor destacou que a suspensão tem “eficácia relativa”. Os grupos continuam a poder entrar nos estádios, mas não estão permitidos a se manifestar como torcida organizada. “Esse torcedor deixa de poder usar o símbolo dele, o instrumento musical. Existe a chance de a torcida perder patrocínios. É um prejuízo relativo, um meio-termo”, afirmou.

Ministério do Esporte – Em junho de 2011, foi assinado o TAC das Torcidas Organizadas e o ministério do Esporte se comprometeu a controlar a segurança nos estádios através do cadastramento dos torcedores. O programa, chamado Torcida Legal, chegou a ser iniciado no Paraná. O segundo estado a receber seria o Rio de Janeiro. Mas, segundo o promotor, o projeto está paralisado e, sem ele, não é possível fazer a identificação individual do integrante da organizada. Ou seja, enquanto não for posto à prova, não é possível barrar a entrada do torcedor.

“O ministério do Esporte não fez o cadastramento dos integrantes das torcidas. Ele deveria ter colocado catraca eletrônica e instalado aparelho para a identificação biométrica. Enquanto o ministério não fizer isso, não teremos como restringir o acesso do torcedor”, explicou o promotor.

Desde a assinatura do TAC das Torcidas, 22 delas sofreram suspensões. As principais organizadas dos times do Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo foram banidas mais de uma vez, por períodos de até seis partidas- prova da falta de eficácia da medida. Se o prazo for desrespeitado, a torcida pode ficar suspensa por mais tempo e poderá ter de pagar multa de cinco mil reais.

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