Sob pressão, Fifa assiste a fuga de grandes patrocinadores

Emirates já decidiu não renovar contrato e Sony ensaia fazer o mesmo. As duas gigantes haviam criticado a suspeita de corrupção na escolha da sede da Copa

Depois de uma Copa do Mundo que bateu recordes de audiência e receita, a Fifa pode encerrar 2014 sem dois de seus seis principais patrocinadores. Na segunda-feira, um deles, a companhia aérea Emirates, anunciou que decidiu não renovar seu contrato comercial com a entidade. Ao mesmo tempo, a gigante japonesa de eletrônicos Sony informou que estuda não prorrogar o atual compromisso para os próximos Mundiais. A cada ciclo de Copa, que dura quatro anos, a Fifa arrecada cerca de 2,8 bilhões de reais com patrocínios. Seis deles formam o primeiro escalão de parceiros comerciais da entidade – na Copa do Brasil, além de Emirates e Sony, eles eram Adidas, Coca-Cola, Hyundai/Kia e Visa. A falta de interesse na renovação dos contratos da companhia aérea e da empresa de eletrônicos foi revelada apenas quatro meses depois que elas manifestaram publicamente sua preocupação com o impacto negativo das suspeitas de corrupção na Fifa.

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De acordo com o comando da entidade, a Fifa sabia desde 2012 que a Emirates não renovaria seu contrato. Acredita-se que a Qatar Airways, empresa estatal do país-sede da Copa de 2022, o Catar, esteja interessada em substituir a concorrente. O processo de escolha do Catar, aliás, é a grande dor de cabeça da Fifa no momento – além das denúncias sobre compra de votos na eleição, há duras críticas de clubes e federações sobre o problema criado pela necessidade de mudar o período de disputa do Mundial para o inverno do Hemisfério Norte. Em comunicado, a Fifa informou ainda que o contrato com a Sony só termina em 31 de dezembro e uma renovação ainda está sendo discutida. No mercado, porém, muitos dão como certo o fim da parceria. Há alguns meses, a Sony divulgou nota dizendo que as suspeitas de corrupção na Fifa “precisam ser devidamente investigadas” e que a entidade deveria “observar seus princípios de integridade, ética e fair play”.