Seleção se reúne no Rio, e ônibus é alvo de manifestantes

Jefferson foi primeiro a chegar; depois, vieram Fred, Dante, David Luiz, Daniel Alves e Júlio César. Professores em greve tentaram bloquear a saída do grupo

No início da tarde, os jogadores seguem rumo à Granja Comary – reformada para receber a equipe -, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, onde ficarão concentrados durante toda a Copa

A Copa do Mundo começou na manhã desta segunda-feira para os integrantes da seleção brasileira, que se apresentam no Rio de Janeiro para dar início aos preparativos para o torneio. Antes mesmo das 9 horas, seis jogadores já haviam chegado a um hotel próximo ao Aeroporto do Galeão, marcado como ponto de encontro dos atletas pela CBF. O local estava com a segurança reforçada desde o início da manhã. O goleiro reserva Jefferson foi o primeiro a chegar, por volta das 7h15 – o jogador do Botafogo mora na cidade, se disse preocupado com o trânsito e chegou quase três horas antes do esperado. Fred chegou em seguida. “Estou realizando um sonho de infância”, disse ele. “E, como brasileiro, é uma honra defender o meu país em casa. Agora, começa o trabalho duro para trazer o hexa”, comentou o atacante às dezenas de jornalistas que se aglomeravam na entrada. Aproveitando as atenções em torno da seleção, professores em greve realizaram uma manifestação na porta do hotel, chegando inclusive a cercar o ônibus da equipe. Entre os manifestantes, alguns fizeram gestos obscenos na direção do ônibus e pelo menos um gritou o nome da seleção arquirrival do Brasil, a Argentina.

A maioria dos atletas não quis falar com a imprensa. Depois de Jefferson, David Luiz e Dante foram dois dos mais adiantados na apresentação. Daniel Alves chegou no banco traseiro de um automóvel com os vidros escuros e passou despercebido, logo atrás do veículo que levava o goleiro Júlio César, o mais experiente do grupo – que se limitou a dizer que a expectativa está “enorme” para o Mundial. Thiago Silva chegou às 9h20, no banco do carona de um carro que acelerou para desviar dos jornalistas. Além da multidão de jornalistas, há poucos fãs no local – e eles comemoram a baixa concorrência de outros torcedores, aumentando a chance de ver seus ídolos. A estudante Gabriela Fernandes, de 17 anos, esperava pelo capitão da seleção. “Gosto do futebol dele desde quando jogava no Fluminense. Não podia perder essa chance de vê-lo mais de perto. Vou esperar o ônibus passar pelo menos pra ver se ganho um tchauzinho”.

Faltando cinco minutos para as 10 horas, horário marcado para a saída do ônibus da seleção, cerca de cinquenta professores em greve chegaram ao hotel para chamar a atenção da multidão de jornalistas que aguardava a chegada dos jogadores. “Da Copa eu abro mão, eu quero mais dinheiro para saúde e educação”, gritavam, enquanto se posicionavam bem no portão de entrada e saída de veículos. Policiais militares se posicionaram ao redor do grupo, acompanhando a movimentação. Os manifestantes tentaram bloquear o acesso ao hotel, mas foram impedidos pela PM, que formou um cordão de isolamento. Com tambores e buzinas, os professores cantavam: “Pode acreditar, educação vale mais do que o Neymar”. Dentro do hotel, a segurança era feita por policiais federais. Às 10h29, o ônibus da seleção começou a deixar o local, acompanhado por mais de dez batedores em motos e duas viaturas da PF. Os professores chegaram a cercar o veículo, batendo na lataria e forçando o motorista a reduzir a velocidade. Ainda que lentamente, o ônibus conseguiu deixar o grupo para trás cerca de dez minutos depois – sob vaias dos manifestantes e gritos de “vergonha”.

Leia também:

Os 23 escolhidos por Felipão, um Brasil que sabe vencer

Saiba quais são os confrontos mais frequentes das Copas

Daniel Alves diz que sonha com a final Brasil x Argentina

Os craques que carregaram o peso de um país nas costas

​Olho neles: coadjuvantes podem roubar a cena no Mundial

No início da tarde, os jogadores seguem rumo à Granja Comary – reformada para receber a equipe -, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, onde ficarão concentrados durante toda a Copa (com exceção, é claro, dos deslocamentos para os nove jogos que separam a equipe da sonhada conquista do hexa). O técnico Luiz Felipe Scolari já estava na concentração do Brasil: a comissão técnica se reuniu no local na véspera. A primeira viagem do grupo está marcada para a próxima semana, quando a equipe desembarca em Goiânia para disputar o primeiro amistoso da preparação, contra o Panamá, no dia 3 de junho, e no dia 6, em São Paulo, o jogo é contra a Sérvia, último ensaio do time antes da estreia no Mundial, em 12 de junho, contra a Croácia, também em São Paulo. A única ausência prevista na apresentação desta segunda é Marcelo, que deverá se apresentar na própria Granja Comary – ele chegará depois porque participou – e de forma destacada -, da final da Liga dos Campeões, vencida pelo Real Madrid no sábado, em Lisboa.