Rio-2016: COI divulgará recomendações sobre o zika

Surto do vírus na América do Sul preocupa as autoridades esportivas a poucos meses do início dos Jogos Olímpicos no Brasil.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgará nesta semana uma nota com recomendações sobre o vírus zika, em meio ao surto da doença que está se espalhando rapidamente pela América do Sul, meses antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto.

O presidente do COI, Thomas Bach, disse nesta quinta-feira que as orientações serão enviadas aos comitês olímpicos nacionais até sexta-feira. “Vamos fazer tudo para assegurar a saúde dos atletas e de todos os visitantes”, declarou Bach durante visita a Atenas, na Grécia. “Estamos em contato direto com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e também com o comitê organizador e as autoridades brasileiras”, completou o dirigente alemão.

A OMS alertou nesta quinta-feira que a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, ligada a más-formações no nascimento de milhares de bebês, estava se espalhando de maneira “explosiva” e poderia afetar até 4 milhões de pessoas nas Américas.

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Os organizadores da Olimpíada afirmaram em comunicado que os Jogos serão disputados no inverno brasileiro, entre 5 e 21 de agosto, quando “o clima mais seco e menos quente reduz significativamente a presença dos mosquitos”. O Comitê informou que uma reunião está programada na sede do COI, em Lausanne, na Suíça, a partir de 1° e 2 de fevereiro, para que os comitês nacionais discutam o tema.

“Os locais de competição das Olimpíadas e Paraolimpíadas serão inspecionados diariamente durante os Jogos no Rio para assegurar que não haja nenhuma poça de água parada e, assim, minimizar o risco do contato com mosquitos”, afirmaram os organizadores.

O vírus, transmitido pelo mesmo mosquito da dengue e o da chikungunya, causa irritação na pele, febre e olhos vermelhos. Cerca de 80 % dos infectados não apresentam sintomas, tornando difícil para as gestantes determinarem se elas contraíram o vírus. Não há vacina ou tratamento disponível atualmente.

Nesta semana casos de zika foram identificados na Dinamarca e na Áustria em pacientes que haviam retornado de viagem à América Latina. A Nicarágua também registrou seus dois primeiros casos de pessoas infectadas pelo vírus. No entanto, ainda não se sabe se houve transmissão local ou se os casos são importados.

Alerta – O ministro de Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, disse a uma emissora local que os atletas são particularmente vulneráveis a doenças infecciosas, já que treinamento pesado diminui o sistema imunológico. “Nós estamos empregando todas as medidas de proteção”, comentou, em meio aos rumores sobre os perigos do zika vírus.

Autoridades australianas estão alertando atletas em idade para ter filhos sobre a necessidade de estar consciente sobre os riscos específicos da microcefalia para recém-nascidos, e todos os integrantes da equipe estão sendo aconselhados a usar mangas compridas em pontos de água parada e vegetação densa.

A equipe australiana também recomendou que os seus integrantes não deixem portas ou janelas abertas na Vila Olímpica e usem, como alternativa, o ar-condicionado. “A saúde e o bem-estar de todos os integrantes da nossa equipe é primordial, especialmente as mulheres que estão em idade para ser mãe”, disse Kitty Chiller, chefe da delegação australiana.

Diversas outras equipes estão dando conselhos médicos a atletas, recomendações que serão atualizadas constantemente com a proximidade dos Jogos e de acordo com o desenvolvimento do surto de zika.

(com agência Reuters)