Promotor pede quebra de sigilo de Adriano

O promotor Alexandre Themístocles, do Ministério Público Estadual do Rio, encaminhou na tarde desta quarta-feira à Justiça um pedido de quebra de sigilo telefônico e bancário do jogador Adriano. O promotor informou, por nota, que são “gravíssimos” os fatos dos quais Adriano é suspeito e que há “fortes indícios” de que ele tenha repassado dinheiro ao traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, chefe do Comando Vermelho.

Acompanhado do advogado Adilson Fernandes, o atacante prestou depoimento hoje no Ministério Público. O pedido de quebra de sigilo foi baseado no inquérito da 38ª DP (Brás de Pina) que investiga uma suposta doação de 60 000 reais feita pelo craque ao bandido.

A investigação da Polícia Civil vai prosseguir pelos próximos 60 dias. Neste intervalo, a 26ª Vara Criminal poderá determinar a quebra do sigilo do jogador. Adriano, no entanto, não está impedido de viajar para a Itália, onde se apresentará ao Roma, seu novo clube. O pedido do MP é para a quebra dos dados cadastrais da conta telefônica do jogador – ou seja, para quem telefonou e de quem recebeu ligações. Já a quebra do sigilo bancário servirá para descobrir se no fim do ano passado Adriano fez saques para entregar a um integrante da quadrilha de traficantes a quantia de 60 000 reais, como suspeita a polícia.

O promotor Alexandre Themístocles quis saber detalhes das relações de Adriano com integrantes da quadrilha, seus hábitos no Complexo da Penha – favela onde o atleta nasceu e foi criado – e sobre o saque dos 60.000 reais. As respostas do jogador não foram informadas. As fotos em que segura uma arma – aparentemente um fuzil – e em que faz o sinal do Comando Vermelho com as mãos também entraram na lista de questionamentos do Ministério Público. Segundo a nota do MP, o promotor perguntou a Adriano que motivos o levaram a posar para fotografias fazendo o gesto “CV” com as mãos.

Além da investigação sobre a doação para traficantes, Adriano tem o nome envolvido em outros dois inquéritos. Um deles foi aberto na terça-feira, para apurar se a arma que segura na foto é verdadeira e se o gesto alusivo ao Comando Vermelho pode ser considerado apologia ao crime, e outro investiga a compra de uma motocicleta, por 35 000 reais, registrada em nome da mãe de outro traficante.