Presidente da FPA festeja reabertura do Ícaro e vislumbra futuro nos saltos

O GP de São Paulo, no próximo domingo, marca a reinauguração oficial da pista de atletismo do Ícaro de Castro Mello. Toninho Fernandes, presidente da Federação Paulista de Atletismo (FPA), já festeja a modernização do local após uma longa reforma. Além de convidar o público lembrando que a entrada é gratuita, em entrevista à GE.Net ele falou sobre o futuro da modalidade com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016 como pano de fundo e vislumbrou um caminho prolífico nos saltos.

Veja a programação completa do GP de São Paulo

‘Neste domingo, o público terá uma ótima oportunidade para ver grandes atletas em ação’, afirmou Toninho Fernandes. Em São Paulo, brasileiros como Maurren Maggi, medalha de ouro no salto em distância nas Olimpíadas de Pequim-2008, dividirão espaço com estrangeiros como o britânico Dwain Chambers, campeão mundial indoor nos 100m em Doha-2010, e a cubana Ypsi Moreno, dona de dois títulos mundiais no lançamento do martelo.

Antes da reinauguração, o Ícaro de Castro Mello recebe dois eventos teste a partir das 11 horas (de Brasília) desta sexta-feira, também com entrada franca. Após uma competição paraolímpica com atletas de Brasil e Chile, o Desafio Internacional, com início previsto para as 17 horas, conta com Marilson Gomes dos Santos, tricampeão da Corrida Internacional de São Silvestre. O atleta participa dos 10.000m e, se conseguir índice, deve confirmar sua presença nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara-2011.

Além do Ícaro de Castro Mello, São Paulo conta com o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) e com as instalações montadas pela Rede Atletismo em Bragança Paulista. Em breve, terá a casa da BM&F na cidade de São Caetano do Sul. Ainda assim, Toninho Fernandes vê uma carência para receber as delegações estrangeiras durante a preparação para os Jogos Olímpicos de 2016 e critica a preocupação com obras em detrimento do treinamento de pessoas.

Testes com Marilson

Nesta sexta-feira, vamos ter algumas provas de velocidade, mas o maior foco é um desafio entre Quênia e Brasil nas provas de fundo. O Marilson está disposto a quebrar o recorde e conseguir o índice para o Pan-americano nos 10.000m. Ele está animado, fez uma boa prova em Santos na semana passada [ganhou uma prova de rua de 10 quilômetros] e é hoje o nosso melhor fundista. O evento vai ser bom e com entrada gratuita.

GP de São Paulo

Convido a todos para acompanharem o evento neste final de semana. O piso da pista mudou de marrom para a cor azul e ficou lindo. Foi uma reforma ampla, total, inclusive as cadeiras foram trocadas. A pista já era oficial, com Nível 1 da IAAF. Então, as medidas não foram alteradas, mas ela foi totalmente reformada. O Ibirapuera é o templo do atletismo do Brasil. Todos os atletas do País gostam de competir lá. Ainda estamos terminando os últimos preparativos, mas no domingo vai estar tudo pronto. A nova iluminação, com cerca de 470 refletores, deixará o estádio claro como dia, o que possibilita transmissões em alta definição pela televisão.

Maggi, Chambers, Moreno…

Os grandes nomes chamam a atenção das crianças, dá vontade de começar a praticar o esporte. Na Jamaica, o atletismo é uma paixão nacional. Eles têm grandes campeões, como o Usain Bolt, e param o país para assistir uma competição de atletismo. Essa questão de trazer os grandes atletas para o Brasil é importante para que as pessoas possam ver os ídolos e tomar como exemplos. Além disso, motiva os jovens que já estão no atletismo. No domingo, todos os atletas do nosso Centro de Excelência estarão presentes. Na Olimpíada Juvenil de Cingapura, o Caio Fernandes, que é do Centro de Excelência, foi campeão olímpico [no salto em distância]. Assim como ele, tem outros jovens espalhados pelos núcleos coordenados pela Federação.

A ‘volta’ de Maurren Maggi

A Maurren é uma referencia para nós [recuperada de lesão, foi prata na etapa de Doha da Diamond League]. Eu tive a felicidade de trazê-la para o Projeto Futuro quando ela tinha 16 anos. O antigo Projeto Futuro, que também revelou vários outros atletas, como o Aurélio Miguel, se transformou no Centro de Excelência. A gente transmitiu a ideia para o governo de que era necessário descentralizar com pequenos núcleos pelo interior. Demorou um pouco, mas atualmente isso está muito bem estabelecido. É difícil fazer com muitas modalidades, mas o atletismo é o esporte base para todas as outras modalidades. Tem provas para todos os biotipos do ser humano. Seria importante ter o atletismo como esporte base nas escolas.

Fabiana Murer

A Fabiana [campeã mundial indoor e da Diamong League no salto com vara em 2010] é o maior exemplo do intercâmbio que você pode fazer com outros países. O Élson Miranda e a Fabiana procuraram há alguns anos a orientação e o convívio fora do Brasil com o Vitaly Petrov, ex-técnico do Sergei Bubka e da Yelena Isinbayeva. Houve investimento da BM&F e da Confederação Brasileira de Atletismo. No meu modo de ver, o intercâmbio com técnicos de grandes atletas internacionais é o melhor modelo que podemos seguir. Acho que a Fabiana pode viver seu auge nas Olimpíadas de Londres-2012. Ela tem toda condição de disputar medalha.Ícaro de Castro Mello, COTP, CT da Rede e da BM&F

Há um ano, eu não tinha um lugar para fazer eventos na cidade de São Paulo, já que o Ibirapuera e o Centro Olímpico ainda estavam em obras. Hoje, vivemos uma situação melhor, mas qualquer cidade do mundo tem mais equipamentos. Lisboa, por exemplo, uma cidade muito menor que São Paulo, tem muito mais estrutura. Em São Paulo, a demanda é muito maior. Já enviamos projetos para o governo para tentar fazer outros equipamentos em São Paulo, porque não é só para o o atletismo. Pode ser para os atletas de outras modalidades esportivas e também para a população. A caminhada e a corrida, atualmente, são questões de saúde. A cidade de São Paulo tem potencial para mais alguns equipamentos de atletismo.

O crescimento das Corridas de Rua

Esse é um grande desafio para nós. Atualmente, supervisionamos, em todo o Estado, 400 corridas por ano. Há finais de semana com 15 provas, detectamos um crescimento muito grande nesse sentido. Temos uma população carente de espaços públicos para poder fazer atividade física. A pessoa vai ao médico e vê que precisa fazer atividade física. No custo benefício, a caminhada é a melhor delas. As pessoas começam caminhando e, quando se dão conta, precisam correr todos os dias. É como se fosse um vício positivo.

Corridas de Rua x Pista

Temos muitas Corrida de Rua e isso está tirando um pouco o foco da pista. Talvez a gente tenha que inverter um pouco a coisa. Não temos uma fórmula mágica, temos alguns indícios. Os saltos são muito fortes para a gente. Você tem alguns nichos que pode aperfeiçoar, investir e melhorar. Temos também atletas se destacando nos lançamentos, coisa que não era possível há alguns anos. Já temos uma evolução. Agora, precisamos achar nossa identidade.

O futuro nos saltos

Os atletas do Leste Europeu ganham quase todos os lançamentos. A velocidade está concentrada no Caribe. Nas provas de fundo, ninguém ganha dos africanos. Por que eles investem no atletismo? Porque tem 140 medalhas em jogo. Talvez o salto seja o nosso maior potencial. A gente ainda está escolhendo, mas eu acredito que talvez o salto seja o que devemos investir. Em distância, triplo, com vara, em altura. Temos uma potencialidade para todas as provas, mas nada definitivo. Precisamos procurar nossa identidade definitiva. A gente precisa achar o nosso nicho para se dedicar mais. Sem esquecer do resto, é claro.Olimpíadas do Rio de Janeiro-2016

Tenho uma preocupação em relação a isso desde que o Brasil foi escolhido para receber as Olimpíadas e a Copa do Mundo. As pessoas imaginam que é só o mês da Copa do Mundo e o mês da Olimpíada. Não é nada disso, tem muita coisa por trás. Antes das Olimpíadas, muitos países fazem campings de aclimatação, inclusive o Brasil. Imagine que pelo menos os 50 maiores países do mundo, que têm Comitês Olímpicos com boas condições financeiras, a partir de 2013 vão querer fazer campings no Brasil. São 50 países, multiplicados por 30 modalidades esportivas. Eles vão precisar viajar para o Rio de Janeiro, para São Paulo, para Minas Gerais ou para qualquer lugar que ofereça condições de desenvolvimento. Agora, nós não temos um centro pronto para isso. Na Europa, tem uma pista de atletismo, uma piscina olímpica, um campo de futebol, instalações para tiro, além de restaurante e dormitório. Tudo no mesmo lugar. Estou tentando readequar o Centro Olímpico ou o Ibirapuera para isso. Vamos ter muita dificuldade nesse sentido.

Obras x Pessoas

Todo mundo pensa em construir, mas não estamos dando atenção para o RH (recursos humanos) de tudo isso: os técnicos e os atletas. Tem que investir mais nas pessoas do que em concreto. Não temos a formação de novos técnicos para criar atletas para as Olimpíadas. Agora, nem dá mais tempo para 2016. É para 2020, para 2024. Também sou presidente do Sindicato dos Profissionais de Educação Física. Estamos tentando requalificar o profissional de educação física, que é a base desse movimento de formação de atletas. Temos muita carência em formação profissional. Eu posso falar com propriedade, porque represento a categoria. Atualmente, na faculdade a pessoa é formada em personal-trainer. Não aprende mais vôlei, basquete, atletismo, natação…

Novidade

O Governo de São Paulo lançou recentemente um plano anual envolvendo cerca de 5 mil escolas estaduais – as particulares e municipais também estão convidadas – com algumas modalidades esportivas em competições mais formais, no âmbito federativo. A partir dos resultados, vamos formar uma seleção paulista para participar dos Jogos Brasileiros Escolares, contemplar os Centros de Excelência que temos espalhados pelo Estado de São Paulo e suprir a Bolsa Atleta Estudantil através de um ranking que será criado. O Atletismo, como uma das modalidades mais praticadas no Brasil, está contemplado nesse projeto.

Base

Praticar esporte na faixa etária escolar é muito importante para constituir uma base esportiva no Brasil. A gente faz os projetos, sociais ou de alto rendimento, visando sempre ver se há possibilidade de tirar indivíduos em condições de tornarem-se atletas de alto rendimento no futuro. Mesmo os projetos sociais da FPA, fazemos com o intuito de também formar o cidadão, mas se ele tiver talento esportivo, vai ser cuidado e encaminhado para uma grande equipe. Nakaya dá um padrão de treinamento muito bom.

O doping da Rede Atletismo em 2009

Isso [seis atletas da equipe foram suspensos] foi uma mancha muito grande no atletismo, porque a Confederação Brasileira de Atletismo está preocupada em descobrir os atletas que se dopam e atacar na raiz. Hoje, ainda não temos condições de fazer antidoping em todo mundo. Você precisa fazer por amostragem ou por denúncia. É um custo grande, porque muitas vezes é necessário mandar as amostras para fora do país, já que no Brasil há apenas um laboratório. Não dá para fazer como queríamos, principalmente em Corridas de Rua, que têm prêmios em dinheiro. As pessoas acabam fazendo coisas que não deveriam. O doping é uma atribuição quase específica da Confederação e ela faz tudo o que é possível para combater essa questão.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO GP DE SÃO PAULO

Reformada, pista do Ícaro de Castro Mello recebe o GP de São Paulo neste domingo