Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Parado há quase três meses, Dodô planeja volta e gols pelo Americana

Parte 2: Dodô revela dívida da Lusa e nega rixa com Jorginho

Em entrevista exclusiva concedida à GE.Net na última sexta-feira, quando estava concentrado junto com o restante do elenco do Americana realizando trabalhos de intertemporada no centro de treinamento do ex-jogador Marcelinho Carioca, em Atibaia, Dodô afirmou que não está ansioso pelo retorno aos gramados.

‘Acho que o período que eu fiquei parado por causa da suspensão [de mais de um ano e meio pelo uso da substância fenproporex, considerada dopante, que o jogador alega ter ingerido em pílulas de cafeína concedidas pelo Botafogo] serviu de experiência. Quando a gente fica mais experiente já sabe o que tem que fazer. Então acho que foi melhor do que se eu tivesse 19, 20 anos, quando ficava mais ansioso’, explicou o atacante.

Revelando que planejava encerrar a carreira na Portuguesa, Dodô diz ter recebido nos últimos anos algumas propostas de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, mas afirma que as rejeitou para ficar mais perto da família, que mora em São Paulo.

Sobre o Americana, clube-empresa que mudou de sede neste ano, o atacante diz ter confiança nos dirigentes e na comissão técnica, garante que o acesso para a primeira divisão nacional é possível e traça uma meta de 20 gols para a Série B.

Veja a primeira parte da entrevista do ‘artilheiro dos gols bonitos’ à GE.Net:

GE.Net: Você não joga uma partida oficial desde o dia 27 de fevereiro, quando atuou pela Portuguesa no empate por 0 a 0 com o Bragantino, pelo Campeonato Paulista. Você sente falta do dia a dia dos jogos?

Dodô: É uma coisa difícil [ficar sem atuar]. Eu já tinha praticamente tudo acertado com o Americana e eu não podia jogar mais no Campeonato Paulista. Como o meu desejo era de ficar em São Paulo eu até recusei algumas propostas de outros estados para jogar no Americana, então eu já sabia disso. Por isso eu tirei um mês de férias e agora estou sofrendo na volta aos treinamentos. São coisas que a gente sabe como funciona, mas graças a Deus está indo tudo bem.

GE.Net: Nesse período em que você ficou de férias, você fez algum trabalho físico?

Dodô: Primeiro eu saí de férias por um mês, fui para Nova York para passear, descansar, e quando eu voltei comecei a fazer uns trabalhos que o Walmir [Cruz, preparador físico do Americana] tinha me passado. Eu dei uma desligada, até porque não ia poder jogar o campeonato (Paulista), e agora estou com bateria total para treinar bem e voltar a jogar.

GE.Net: Segundo o preparador físico Walmir Cruz a sua estreia deve ocorrer na terceira rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, ou seja, você vai completar mais de três meses sem realizar uma partida oficial. Você está ansioso pelo retorno?

Dodô: Não. Depois da suspensão que eu tive, quando fiquei bastante tempo sem jogar, apesar de não ter parado de treinar, eu trabalhei duas semanas no time do Vasco e estreei no Campeonato Carioca. Acho que isso serviu de experiência. Quando a gente fica mais experiente já sabe o que tem que fazer. Então acho que foi melhor do que se eu tivesse 19, 20 anos, quando ficava mais ansioso. Claro que o ideal é você estar em atividade, por isso que o Walmir conversou comigo e falou que o seria melhor não apressar a minha volta para o dia 21, porque poderia acontecer alguma lesão. A gente pensou em longo prazo e, como o campeonato é longo, acho que esses dois jogos de descanso são o tempo ideal para que eu possa estrear bem, com condições plenas de jogar os 90 minutos.GE.Net: Depois da saída da Portuguesa, quais foram os times que te procuraram? Houve propostas oficiais?

Dodô: Eu tive conversas com alguns clubes, mas é chato falar quais…

GE.Net: Foram propostas de times do exterior ou do Brasil?

Dodô: Do Brasil, para que eu jogasse campeonatos regionais em outros estados. Eram times da Série A. Desde o ano passado isso aconteceu, mesmo quando eu vim para a Portuguesa eu tinha propostas de clubes da Série A, mas o que me prende muito é o fato de a minha família estar em São Paulo, de eu poder ficar em São Paulo, e por isso que eu estou dando prioridade para eles.

GE.Net: Você rejeitou propostas melhores financeiramente?

Dodô: Eu rejeitei propostas de clubes da Série A para jogar o Campeonato Brasileiro no ano passado, porque na época eu pensei muito em jogar na Portuguesa e talvez encerrar a minha carreira lá. Como não deu certo, e eu conheço o pessoal do Americana, o Neto [diretor de futebol do Americana], o Sony [Douer, dono da equipe], o próprio prefeito de Americana, acabou acontecendo. Desde o final do ano passado eles falavam para eu vim jogar no Americana, que precisa de uma força para jogar a Série B, então acabou ocorrendo aquilo que eles queriam e eu vim jogar aqui. Agora vamos ver como que vai acontecer. Espero poder ajudar a equipe com muitos gols.

GE.Net: O Americana, assim como o Grêmio-SP, é um clube-empresa que foi fundado há pouco tempo, e por isso tem pouca torcida. O Grêmio, que nasceu em Barueri, foi para Presidente Prudente e agora vai voltar para Barueri. Você teme que isso possa acontecer com o Americana ou você tem plena confiança no projeto da equipe?

Dodô: Eu estou aqui porque eu conheço as pessoas do clube. Da comissão técnica eu trabalhei com o Walmir Cruz por muitos anos, no Santos, no Palmeiras e no Japão. Com o Toninho Cecílio [técnico do Americana] eu não tinha trabalhado, mas a gente se conhece, então são pessoas que fazem com que eu posso vir aqui com segurança para ter uma preparação boa. Em qualquer outro time eles não iam planejar isso de eu voltar só na terceira rodada, iam querer que eu estreasse de qualquer forma, então é nesses pontos que você acaba vendo que as pessoas estão indo pelo caminho correto. Acho que se a gente fizer um bom campeonato e subir não vai ter por que mudar de cidade.

GE.Net: A torcida da Portuguesa é pequena, mas cobra muito. A tranquilidade para trabalhar foi um dos pontos que fizeram com que você escolhesse o Americana?

Dodô: Eu nunca tive problema com a torcida da Portuguesa. A Portuguesa sempre foi legal para mim, sempre gostei muito de lá, por estar em São Paulo, por ter um relacionamento muito bom com todos, por ter feito um ótimo número de gols em poucos jogos, e eu não tinha pretensão nenhuma de sair da Portuguesa. Já que aconteceu de eu sair, o Americana virou a continuidade da minha carreira. Eu adoro jogar futebol, então eu acho que é isso que faz com que eu venha com disposição, fique aqui concentrado, treinando, então acho que isso é legal.

GE.Net: Quando o técnico Edinho Nazareth deixou o Americana ele nos deu uma entrevista falando que um dos principais motivos da saída foi a falta de estrutura, que causava lesões nos jogadores. Você acha que o time está evoluindo neste quesito?

Dodô: Me reconhece, porque eu joguei nos grandes clubes daqui de São Paulo. As pessoas cumprimentam, falam que vão no estádio para ver os jogos. Isso é legal. Acho que uma das coisas importantes da minha vinda ao Americana é isso: levar os torcedores para o estádio. Acho que se o time jogar bem e tiver uma boa performance isso vai acontecer.

GE.Net: Como foi a sua apresentação no clube?

Dodô: Na primeira vez foi só aberta à imprensa, mas depois a gente fez uma noite de autógrafos para o pessoal da cidade. As pessoas foram bem receptivas, foi bem legal. Todo mundo está bastante empolgado com o nosso time.

GE.Net: Na Série B deste ano há vários clubes tradicionais, como Vitória, Sport, Goiás, Ponte Preta, entre outros. Como você encara esta nova fase na sua carreira, com o Americana nem mesmo constando entre os favoritos?

Dodô: Como eu falei, eu gosto de jogar futebol e não estou aqui no Americana de graça. Eles me fizeram um contrato muito bom e me deram todas as condições para ajudar o time. A diretoria contratou alguns bons jogadores, o time é bom, e eu tenho certeza que a gente vai brigar para conseguir o acesso.

GE.Net: No grupo de jogadores, que tem muitos jovens, como você foi recebido? Teve algum deles que falou que gostaria de jogar com você, ou algo assim?

Dodô: A molecada gosta, né, porque sempre me viram atuando por outros times pela televisão, em campeonatos importantes, e em entrevistas que eu dei ao longo da carreira. Acho que esse convívio é bom, assim como o respeito que eles têm por mim. Isso traz uma responsabilidade, você tem que ser um cara correto, como eu sempre fui, você tem que fazer um bom ambiente, como eu sempre fiz, então eu acho que isso é legal e traz um peso para que o time seja forte para tentar vencer.

GE.Net: Você se vê como um líder?

Dodô: Desde que eu comecei a jogar eu sempre tive uma importância nos clubes em que passei, e isso é bom. Se você ganha ou não você sempre é um dos jogadores mais visados, mais cobrados, então isso é uma coisa com que eu convivo faz muito tempo, e acho que nunca vai deixar de ser assim. Espero que eu possa contribuir muito jogando, fazendo gols, para que o time possa ter um crescimento bom.

GE.Net: No ano passado você teve uma experiência ruim na Série B, com a Portuguesa não conseguindo o acesso por um ponto. O que você pode tirar de proveito disso para esse ano?

Dodô: Com certeza. O Americana tem que ser um time leve, um time que tem responsabilidade, tem objetivos na competição, mas não tem este peso todo. A gente tem que aproveitar isso para jogar de uma forma muito ofensiva e rápida. Acho que temos tudo para fazer um campeonato leve e aproveitar o peso que os outros times têm para carregar.

GE.Net: Com relação ao elenco atual do Americana, você já tinha atuado com algum jogador, conhecia os nomes, ou são muitos jovens?

Dodô: Conhecia pouco. O Fumagalli, com quem eu joguei no Vasco e no Santos, o Paulo Sergio e o Thiago Gomes, que jogaram comigo na Portuguesa, e o Alê, com quem eu joguei no Botafogo. A maioria eu estou conhecendo agora. Eles são jovens que estão querendo buscar um espaço, e isso é bom. O Americana tem que ser uma ponte para que eles possam jogar nos grandes clubes do Brasil e, quem sabe, do exterior.

GE.Net: Algum dos atacantes tem características que combinam com você?

Dodô: Eu já joguei de todas as formas, com atacantes mais fixos e de mais mobilidade. Acho que depende do que o Toninho quer, mas para mim não tem diferença, é normal.

GE.Net: Você tem uma meta de gols para esta Série B?

Dodô: Eu tiro por base o ano passado, em que eu joguei 14 jogos e fiz 10 gols. Se eu conseguir jogar a maioria dos jogos acho que se eu traçar 20 gols como meta pode ser um bom número.