Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Para entender Muhammad Ali

FILMES

Quando Éramos Reis

O documentário premiado com o Oscar em 1997 retrata os bastidores da luta entre Muhammad Ali e George Foreman no Zaire, em 1974. Foreman, um monstro de força e violência, então com 22 anos, era o dono do título mundial. Ali, aos 32 anos, era o desafiante. Contra todos os prognósticos, Ali venceu por nocaute, no 8º assalto. Para muito além das magistrais cenas de boxe, Quando Éramos Reis é um filme de cultura: tem música (B.B. King e Miriam Makeba), tem política (o ditador Mobutu), tem literatura (Norman Mailer) e todas as cores dos anos 70, quando Ali de fato era rei.

Thrilla in Manila

O nome deste documentário, produzido pela emissora de televisão HBO, faz referência à alcunha da terceira luta entre Muhammad Ali e Joe Frazier, em 1° de outubro de 1975, nas Filipinas de Imelda e Ferdinando Marcos. O filme mostra a essência do combate, sangrento, visceral, mas exibe também os bastidores de uma disputa ainda mais cruel: o da unanimidade ao redor de Ali, falastrão, que então se arvorava como líder dos negros humilhados, contra Frazier, injustamente tratado como herói da elite branca americana. É inevitável, ao final do documentário, a sensação de desconforto com a agressividade de Ali.

LIVROS

A Luta

A Luta (VEJA)

A Luta, de Norman Mailer, Cia das Letras, 224 páginas, lançado em dezembro de 2011 (bolso)

Norman Mailer escrevia sobre boxe como quem soltava rápidos jabs. Seu relato sobre a luta entre Muhammad Ali e George Foreman no Zaire, em 1974, virou um clássico instantâneo da literatura esportiva. Mailer acompanha os treinos dos dois pugilistas, descreve com precisão e pena refinada o combate encerrado no 8º assalto, com uma improvável vitória de Ali, mas consegue também capturar o clima daquele tempo na África do ditador Mobutu e no mundo. O livro ajudaria a construir o roteiro do documentário Quando Éramos Reis, lançado em 1996.

O Rei do Mundo

O Rei do Mundo (VEJA)

O Rei do Mundo, de David Remnick, Cia das Letras, 376 páginas, lançado em junho de 2011

Editor da revista americana New Yorker, Remnick conta como Cassius Marcellus Clay, um menino obsessivo de Louisville, ganhou a medalha de ouro na Olimpíada de 1960, em Roma, e a partir dali ganhou o mundo como Muhammad Ali. A mudança de religião – ao adotar o islamismo – pontua a construção de um mito embalado pela ascensão política dos negros, pela disseminação de organizações radicais como a Nação do Islã e pelos desconfortos éticos erguidos com a Guerra do Vietnã.

Leia também

O tempo de Muhammad Ali

Gênio das luvas e da autopromoção, ele foi contraditório como o século XX que ajudou a moldar – e por quem foi moldado

Ali x Frazier: lições de uma trilogia

As três lutas contra Joe Frazier são o caminho mais curto para entender Ali dentro das quatro cordas

Blog Sobre Imagens

Fotos escolhidas entre 5.000 imagens dos arquivos da Getty Images, com Ali no auge de sua carreira.