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Pan-2015: Isaquias conquista medalha de ouro na canoagem

Fenômeno da modalidade, atleta de 21 anos confirmou a boa fase em Toronto

O canoísta Isaquias Queiroz conquistou a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, ao vencer a final da prova de C1 1.000 metros da canoagem nesta segunda-feira. O atleta de 21 anos confirmou sua evolução e finalizou a prova em 4min07s866. Els superou o veterano canadense Mark Oldershaw, medalhista de bronze na Olimpíada de Londres em 2012 e porta-bandeira do país anfitrião na cerimônia de abertura do Pan, que chegou em segundo. O terceiro colocado foi Jose Cristobal, do México.

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Menos de uma hora depois de receber a medalha de ouro, Isaquias voltou a competir e ganhou mais uma medalha, de prata, na categoria C2 1.000 metros, ao lado de Erlon Silva. O atleta baiano é considerado um fenômeno da canoagem e vem conquistando resultados importantes: é bicampeão mundial (2013 e 2014) na categoria C1 500 (que não é olímpica) e conquistou a medalha de bronze no Mundial de Duisburgo, em 2013, na prova de 1000 metros, que será disputada no Rio de Janeiro em 2016.

Ainda nesta segunda-feira, ele vai tentar outra medalha no Pan, ao lado de Erlon Silva, na final do C2 1000 metros. Após a competição no Canadá, Isaquias mira a disputa do Mundial de Canoagem, em Milão, na Itália, entre 19 e 23 de agosto. Este foi quinto ouro do Brasil no Pan – os outros foram com Érika Miranda e Charles Chibana (judô), Felipe Wu (tiro esportivo) e Marcel Stürmer (patinação artística).

Em reportagem especial, VEJA apresentou 11 promessas olímpicas, que devem brilhar nos Jogos do Rio de Janeiro, em agosto do ano que vem. Leia o perfil de Isaquias abaixo ou clique aqui para ler todos os textos.

O Neymar de Ubaitaba

Isaquias Queiroz, 21 anos – Canoagem de velocidade

“A constituição física desses índios (…) é robusta e sua fisionomia muito mais simpática do que a dos sabujás e dos cariris. São bons remadores e nadadores.” A descrição dos brasileiros encontrados entre 1817 e 1820 no sul da Bahia está na Viagem pelo Brasil, de Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptiste von Spix, naturalistas alemães que vieram descobrir por que nesta terra em se plantando tudo dá. Corte para o século XXI e vamos encontrar Isaquias Queiroz, medalha de ouro na prova de velocidade de 500 metros no campeonato mundial de canoagem de Duisburgo, cidade banhada pelo Ruhr. Ele é o índio brasileiro que mostra aos alemães de hoje o que é ficar de joelhos, enfiar os remos na água e zarpar.

Natural de Ubaitaba, na Bahia, lugar de gente robusta, o menino sem um rim (perdido numa queda da mangueira onde buscava uma cobra) começou a remar no Rio das Contas, onde se descobriram dezenas de outros Isaquias bons de canoa. Mas nenhum foi tão longe quanto o Sem Rim, como o apelidaram jocosamente. A glória não lhe subiu à cabeça, ou quase não subiu. Isaquias, de pele e cabeleira agredidas por água e sol, coleciona cortes de cabelo e cremes hidratantes. “Já fiz até escova progressiva. Tenho de me cuidar, senão a namorada me larga”, brinca. Recentemente, Isaquias fez um corte à Neymar. Em tempo, para não restar dúvida: a palavra Ubaitaba, que dá nome à terra natal de Isaquias, é a fusão de três vocábulos indígenas: ubá, canoa pequena; y, rio; e taba, aldeia