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Oscar envia carta a Juvenal Juvêncio e rejeita salários do São Paulo

A intenção do São Paulo em reintegrar o meia Oscar ao elenco está cada vez mais difícil. Nesta terça-feira, os advogados que representam o atleta enviaram uma carta à diretoria do clube do Morumbi para confirmar o seu desejo em permanecer no Internacional.

O documento foi endereçado ao presidente Juvenal Juvêncio. No texto, Oscar deixa claro que não quer manter qualquer tipo de vínculo com o São Paulo. Ainda por cima, rejeita o salário pago pelo Tricolor desde que seu vínculo foi recuperado pelo clube paulista.

Oscar está impossibilitado de jogar desde o começo de fevereiro em virtude de uma liminar favorável ao São Paulo. O jogador deixou o futebol paulista no início de 2011 através de uma liminar na Justiça do Trabalho, alegando irregularidades no contrato e no pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

Em função da inatividade nas partidas oficiais, Oscar corre o risco de amargar um grande prejuízo. Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, avisa que quer o jogador em atividade para a disputa dos Jogos Olímpicos. A reportagem tentou um contato com a diretoria do São Paulo, porém o diretor de futebol Adalberto Baptista e o vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes não responderam às ligações.

Acompanhe abaixo o conteúdo da carta;

Prezados Senhores,

1 – Diante da nota oficial divulgada no último dia 18.04.2012 pelo SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE (‘São Paulo’), o atleta OSCAR EMBOABA JUNIOR (‘Atleta’) reafirma, como já o fez inúmeras vezes e inclusive em público, a sua vontade de permanecer no SPORT CLUB INTERNACIONAL (‘Internacional’), não tendo qualquer desejo de restituir ou manter seu vínculo com o São Paulo.

2 – A comunicação do São Paulo de que unilateralmente e por liberalidade passaria a depositar ao Atleta o valor do salário que este percebe no Internacional já é de imediato negada e recusada pelo Atleta, que, repita-se, não deseja manutenção de qualquer vínculo com o São Paulo, tendo inclusive manifestado nos autos do processo em que litiga com o clube, a sua vontade de permanecer no Internacional, ainda que sujeito ao pagamento de cláusula penal contratual, dentro dos limites e calculada pelos parâmetros legalmente previstos.

3 – O ato unilateral por parte do São Paulo de majorar o salário do Atleta sem consentimento deste é inclusive ilícito, tendo em vista que o artigo 468 da Consolidação das Leis do Trabalho veda expressamente a alteração contratual que não ocorra por mútuo consentimento das partes, ainda que benéfica ao trabalhador, quanto mais aquelas que possuem claro objetivo de impor grave prejuízo ao trabalhador, como é o caso.

4 – De fato, a despeito de sugerir que passará a depositar na conta do atleta o mesmo salário que atualmente recebe de seu atual empregador, o Internacional, como forma de livrá-lo de ‘pressões’ e para que não tenha ‘prejuízo patrimonial’, a real intenção do São Paulo Futebol Clube, de forma totalmente abusiva, reprovável e reveladora da mais absoluta má-fé com que age o clube, é forçar uma improvável interpretação jurídica quanto ao aumento da cláusula penal, que seria contabilizada tendo por base os valores percebidos pelo Atleta, o que geraria, unicamente, prejuízo ao trabalhador que deseja unicamente se desligar do São Paulo. Tal comportamento do São Paulo revela, mais uma vez, o abuso praticado pelo clube e o desrespeito ao atleta de futebol, ao trabalhador e ao ser humano Oscar.