Os incríveis surfistas do inverno da Sibéria

Grupo desafia o mar congelante e atrai adeptos na região russa de Kamchatka

A temperatura na praia de Khalaktyrsky, na região de Kamchatka, gira em torno de – 15° C em janeiro, durante o inverno russo. Distante 6.800 quilômetros da capital Moscou, o local é cercado por colinas e vulcões nevados e impressiona por sua beleza. É lá que um grupo de amantes do surfe desafia o inóspito e congelante inverno da Sibéria com suas pranchas e roupas grossas, que deixam apenas os rostos à mostra. A equipe “Surf in Siberia” passa o ano viajando em busca das melhores ondas geladas e vem atraindo cada vez mais adeptos ao esporte que antes parecia impossível de ser praticado.

O grupo já havia causado alvoroço há cerca de dois anos ao lançar um filme sobre a aventura pelas ondas da Sibéria. Nesta semana, os esportistas voltaram a ganhar destaque na Europa, justamente durante o tenebroso inverno na região de Kamchatk. Ao jornal russo The Moscow Times, o time revelou que pretende transformar a praia em uma Meca do surfe.

Anton Morozov, de 33 anos, um dos líderes do grupo e proprietário da escola “Snowave”, que ensina jovens surfistas a encarar o mar gelado, conta que até bem pouco tempo atrás a praia de Khalaktyrsky estava sempre vazia. “Há pessoas jovens que viveram suas vidas inteiras aqui e nunca tinham visto o mar”, disse ao jornal. Ele considera, no entanto, que o sucesso dos filmes, vídeos e do site do grupo começou a atrair turistas e clientes para sua escola. “As pessoas têm vindo conhecer os vulcões e o mar, e acho que contribuímos um pouco para isso.”

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Natural de Moscou, Konstantin Kokorev é fundador do grupo e diretor do filme Surf In Siberia, e diz ter se apaixonado pelo esporte. “Para mim, o surfe de inverno é muito mais brilhante e emocionante. É muito mais difícil e perigoso, é atraente por causa disso”, disse Kokorev. A dupla diz ter se encorajado a surfar nas águas geladas – que beiram os 2° C – ao ver vídeos de pessoas surfando durante o inverno no Canadá, Noruega e Islândia, mas admite que o começo não foi nada fácil.

“Embora eu estivesse usando dois pares de luvas, minhas mãos ficaram dormentes rapidamente. Eu corri para fora do oceano gritando de dor e estava com medo que eu não fosse capaz aquecê-las novamente”, contou Morozov. Este será o quinto inverno esportivo do grupo, que recentemente recebeu ajuda do governo local e de uma grande marca de surfe, que fornece os uniformes feitos de neoprene e que cobrem todo o corpo, com exceção do rosto – os surfistas ainda utilizam uma espécie de bota para não congelar os pés.

O professor Morozov conta que recebe alunos de todas as idades e nacionalidades em sua escola, especialmente no verão, quando acampamentos são montados na praia. Uma aula de duas a três horas custa 2.500 rublos (cerca de 130 reais) no verão e 3.000 rublos (160 reais) no inverno. Ele, no entanto, faz um alerta: é preciso ter paciência e força de vontade. “O surfe em geral é um esporte difícil, e no inverno fica duas vezes mais complicado.” Abaixo, um trecho do filme do grupo:


(Da redação)