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Neymar defende Felipão e diz que vai torcer pela Argentina

Atacante chorou ao relembrar a contusão que o tirou do Mundial

O atacante Neymar retornou à Granja Comary, em Teresópolis, nesta quinta-feira e falou publicamente pela primeira vez desde a goleada da Alemanha que eliminou a seleção brasileira da Copa do Mundo. O jogador lamentou o “apagão” no primeiro tempo, mas se disse orgulhoso de seus companheiros. “Seria uma injustiça a gente ficar marcado como o (goleiro) Barbosa em 1950.” Ele chegou a chorar ao relembrar a contusão que o tirou do Mundial e condenou a entrada do colombiano Zúñiga. “Se fosse dois centímetros para dentro, eu poderia estar na cadeira de rodas.”

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Neymar revelou ter recebido um telefonema de Zúñiga logo após a contusão e afirmou não guardar mágoas do colombiano. O atacante do Barcelona ainda surpreendeu aos jornalistas ao dizer que torcerá pela Argentina na final contra a Alemanha, domingo, e ao condenar as palavras de seu empresário, que ofendeu o treinador Luiz Felipe Scolari nas redes sociais. “Existem duas pessoas que respondem pelo que eu falo: eu e meu pai. Mas o que sai da boca do Wagner é a opinião dele e ele tem que responder por seus atos. Não concordo com essa atitude, não aceito. Se eu o encontrar hoje, vou xingá-lo.”

Veja a seguir os principais trechos da entrevista desta quinta-feira:

1950 – “Não é por causa de uma derrota histórica que a gente tem que abaixar a cabeça. É doloroso, vai doer por muito tempo, mas dias melhores virão e a gente vai poder devolver alegria ao povo brasileiro. Hoje faço parte de uma seleção que vai ficar marcada por essa derrota. Acho até que seria uma injustiça a gente ficar marcado como o Barbosa em 1950. Mas não podemos ficar de cara feia, chorando, todos os dias. Já choramos o que tínhamos que chorar.”

Mudanças na seleção – “A gente aprende na derrota também. Não estou falando que não tem que mudar nada. Quando se perde, tem que se corrigir, treinar mais. Corrigindo, trabalhando, você vai evitar outros erros. E isso é mais importante do que mudar qualquer coisa.”

Apoio – “É uma das piores semanas que eu tive na minha vida. Se eu fosse imaginar uma semana ruim, não conseguiria pensar em algo assim. Mas só não está sendo tão horrível pelas mensagens de incentivo que eu venho recebendo, o apoio de família, amigos e principalmente companheiros de seleção. Devo muito a essas pessoas que vêm me ajudando em momentos de luta.”

Pane contra a Alemanha – “Foi uma coisa inacreditável, inexplicável. Foi um apagão difícil de reverter. É muito fácil falar depois que as coisas acontecem. Eu já passei por isso, eu sei como é difícil conviver com um apagão em campo, a gente não consegue acertar um passe simples. Não vim pra explicar o que aconteceu, porque não tem como explicar. A gente só tem que lamentar a derrota.”

Decepção – “Tivemos a chance de ser campeões, de marcar nosso nome na história, mas falhamos. Deixamos a desejar, sabemos que não fizemos uma campanha boa, não mostramos futebol de seleção brasileira. Fomos regulares e por isso chegamos às semifinais, mas não mostramos um futebol superior.”

Fracasso – “Fomos fracassados, sim, perdemos, mas perder e ganhar fazem parte do futebol. Pelo menos meus companheiros não pararam de correr, foram homens, por isso eu admiro cada um deles. Depois de uma derrota dessas, a gente se sente humilhado, envergonhado. Mas não tenho vergonha de ser brasileiro e não tenho vergonha nenhuma de ter feito parte desse grupo. Sinto muito orgulho de ter jogado com Thiago Silva, Júlio César, Fred. Os admiro não só pelo talento, mas como amigos e companheiros.”

Torcida pela Argentina- “Espero que vençam meus companheiros Messi e Mascherano. Acho que, para o futebol, pela história que o Messi tem, ele merece ser campeão. Estou torcendo por ele, porque é um amigo e lhe desejo muita sorte. Pode parecer estranho, mas não estou torcendo pela Argentina, estou torcendo por dois companheiros. Messi é um cara que eu tinha como espelho e, no Barcelona, passei a admirá-lo ainda mais. Minha torcida é sempre por ele, sou Messi Futebol Clube.”

Zúñiga – “Foi um lance que eu não concordo, não aceito. Não vou dizer que foi desleal, que teve maldade, pois não estou na cabeça dele. Mas quem entende de futebol sabe que é uma entrada que não é normal. Quando você quer fazer uma falta para parar o jogo, você chuta o tornozelo, segura, empurra. Muitos de vocês (jornalistas) dizem que eu sou ‘cai-cai’, me põem esse rótulo e eu nem ligo pra isso, porque quando eu estou de frente, eu consigo me proteger. Mas, de costas, eu só posso ser protegido pela regra.”

Lesão mais grave – “Foi por muito pouco, Deus me abençoou naquele lance, se fosse dois centímetros para dentro, eu hoje poderia estar na cadeira de rodas em um momento tão importante da minha carreira.”

Perdão – “Desculparia o Zúñiga, sim, não tenho rancor dele, não sinto ódio, nada. Ele até me ligou no dia seguinte (ao jogo Brasil x Colômbia), pedindo desculpa, dizendo que não queria me machucar, disse um bocado de coisas legais. Espero que ele tenha sucesso na carreira dele.”

Possível participação na final – “Eu não teria chance de jogar a final, não tinha como, o médico da seleção (José Luiz Runco) já tinha dito isso. Por isso fui para casa no Guarujá ficar com minha família. Seria até pior ficar aqui na concentração, porque eu não teria força pra incentivá-los, nem para me incentivar.”

Wagner Ribeiro – “Existem duas pessoas que respondem pelo que eu falo: eu e meu pai. E tudo que a gente falar, a gente vai assumir e explicar. Mas o que sai da boca do Wagner é a opinião dele e ele tem que responder por seus atos. Não concordo com essa atitude, não aceito. Se eu o encontrar hoje, vou xingá-lo, porque eu não concordo e não aceito o que ele disse.”

Objetivos – “Meu sonho é voltar a jogar, voltar a dar alegria aos meu pais, aos meus companheiros, às crianças. Meu sonho não acabou, ele continua. Meu sonho era encantar a todos com meu futebol, por isso sempre treinei, joguei e vim para as coletivas sorrindo.”