Neymar chuta, Messi passa. E quem está melhor?

Faltando apenas quatro partidas para a conclusão da fase de grupos, a Copa do Mundo já apresenta dois candidatos extraordinários ao título de melhor jogador da competição. Ainda é muito cedo, obviamente, para tentar eleger um vencedor – de pouco terá adiantado uma performance magnífica nos três primeiros jogos se suas seleções caírem logo na primeira partida eliminatória. Mas é inegável que as atuações incríveis de Neymar e Lionel Messi – somadas à rivalidade entre Brasil e Argentina, ao fato de serem colegas de clube e à expectativa por um duelo direto entre eles numa possível final – colocam os craques no topo da lista de destaques do torneio. Antes da estreia na segunda fase, em que o Brasil pega o Chile em Belo Horizonte e a Argentina enfrenta a Suíça em São Paulo, os números da dupla mostram equilíbrio numa comparação direta de seus desempenhos individuais. Conforme as estatísticas, Neymar, de 22 anos, em sua primeira Copa, parece estar praticando um jogo mais contundente e direto, enquanto Messi, que completou 27 anos na segunda-feira e está no seu terceiro Mundial, participa mais da articulação de jogadas de sua equipe. Cada um à sua maneira, ambos foram absolutamente decisivos para a classificação de suas seleções às oitavas de final.

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Cada um tem quatro gols, mas Neymar jogou alguns minutos a mais: 249 contra 243. O brasileiro marca um gol a cada 62,3 minutos, em média, enquanto o argentino balança as redes a cada 60,8 �minutos. Cada um tem um gol de bola parada: Neymar de pênalti, Messi de falta. No registro das tentativas de gol, o brasileiro arrisca mais e melhor: são oito arremates que acertaram o gol contra cinco de Messi, com uma precisão de chute bem maior do brasileiro (Neymar só mandou para fora uma vez, e sua taxa de acerto foi de 88%; no caso do colega de Barcelona, foram seis arremates que saíram pela linha de fundo, só 45% de precisão). Messi distribuiu mais passes (138 a 102), e de forma mais precisa (85% de acerto contra 82%). Também criou mais oportunidades de gol para os companheiros (dez a seis), ainda que nenhum deles tenha completado uma assistência até agora. O argentino ganhou 24 disputas de bola contra 21 do brasileiro. Neymar, porém, é bem melhor nas recuperações de bola, dezenove a cinco. Ele sofreu mais faltas (nove a seis) e também cometeu mais infrações (três contra uma), inclusive levando um cartão amarelo. Que o camisa 10 do Brasil, pendurado, passe sem nova punição pelas oitavas, em caso de vitória do Brasil contra o Chile – afinal, o duelo para ver quem é o melhor da Copa precisa continuar.

(Giancarlo Lepiani, de Belo Horizonte)

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