Morre operário que caiu no Itaquerão; Copa tem 8 vítimas

Fabio Hamilton da Cruz trabalhava na montagem das arquibancadas provisórias necessárias para a abertura da Copa. Foi a terceira morte em acidentes no local

Além das duas vítimas do outro acidente no Itaquerão, quatro trabalhadores morreram na Arena Amazônia, em Manaus, e um no Estádio Nacional, em Brasília. Nas obras para a África do Sul-2010, dois operários morreram

O operário Fabio Hamilton da Cruz morreu neste sábado, no Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo, depois de sofrer uma queda enquanto trabalhava na montagem das arquibancadas temporárias do Itaquerão. Cruz era funcionário da WDS, subcontratada pela Fast Engenharia para realizar a obra, exigida pela Fifa para que o futuro estádio do Corinthians tivesse a capacidade de público necessária para receber a abertura da Copa do Mundo. O acidente ocorreu pela manhã, quando o operário participava da instalação dos pisos das arquibancadas do setor sul da arena. Socorrido no local, foi levado ao hospital por uma ambulância da Odebrecht, empreiteira responsável pela obra. À tarde, a Fast já havia informado que seu estado era muito delicado. Fabio Hamilton da Cruz é o terceiro operário morto em decorrência de acidentes na construção do estádio que abrirá o Mundial.

Leia também:

Valcke contradiz Blatter – e impasse no Itaquerão continua

Na Fifa, preocupação com entrega do Itaquerão só cresce

Corinthians pretende entregar Itaquerão só no fim do prazo

De acordo com funcionários do hospital, o operário não deu entrada na internação, o que sugere que ele tenha sido levado diretamente para o centro cirúrgico ou Unidade de Tratamento Intensivo. De acordo com os trabalhadores que estavam no canteiro neste sábado, Cruz sofreu a queda quando tentava içar o gancho do mosquetão do cinto se segurança. Ele teria atirado o gancho, que não prendeu, e acabou se desequilibrando com o movimento do corpo. Como não estava preso, caiu. Em nota, a Fast Engenharia corrigiu informação divulgada pelo Corpo de Bombeiros de que o operário teria caído de 15 metros de altura. Segundo a empresa, o operário estava a oito metros do chão quando sofreu a queda. Apesar do acidente, as obras no Itaquerão não foram paralisadas. O Brasil já soma oito mortes nas obras de estádios da Copa. Além das duas vítimas do outro acidente no Itaquerão, quatro trabalhadores morreram na Arena Amazônia, em Manaus, e um no Estádio Nacional, em Brasília. Nas obras para a África do Sul-2010, dois operários morreram.

Leia também:

Itaquerão: a hora de montar as arquibancadas temporárias

Depois de acidente, Valcke evita cobranças no Itaquerão

Últimos guindastes do Itaquerão são liberados para obra

A Fast foi contratada pela Ambev para montar os setores temporários do estádio. A cervejaria aceitou bancar os 38 milhões de reais para colocar as arquibancadas provisórias, que terão capacidade para receber pouco menos de 20.000 torcedores (17.600 cadeiras nos setores sul e norte, 1.200 no leste e outros mil no oeste). O palco da abertura da Copa, em 12 de junho, já teve outro acidente grave, com a queda de um guindaste que matou dois trabalhadores, em 27 de novembro. A obra é uma das principais preocupações da Fifa para o Mundial no país – afinal, a reforma está atrasada e, pelo estádio ser o local da abertura, os requisitos e a complexidade dos preparativos são ainda maiores. Depois do acidente de 2013, a Fifa lamentou o fato de o Corinthians ter ficado “sem margem de erro” para a conclusão da obra. A entrega do estádio não tem data definida – alguns envolvidos falam em abril, mas a Fifa acredita que só verá o Itaquerão pronto em maio, o mês que antecede a Copa.